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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 881 / 2016

22/07/2016 - 06:35:46

Colégio Marista demite diretor após denúncia de omissão

Acusado de estupro, o advogado Bruno Henrique COSTA cORREIA é réu em processo que tramita na 14ª Vara Criminal

Da Redação
Irmão Cláudio Jairo Gomes foi demitido por acobertar o advogado Bruno Henrique (D) acusado de estuprar uma aluna

Na próxima segunda-feira (25), a direção-geral do Colégio Marista de Maceió será assumida por um interventor, Humberto Lima Gondim. Ele foi designado pela direção nacional da Congregação Marista para substituir o Irmão Cláudio Jairo Gomes Espíndola, afastado do cargo na semana passada, após a escola ter sido acusada de omissão pelos pais da ex-aluna M.F.L., vítima de abuso sexual.

O caso não aconteceu no Marista, mas o agressor, o advogado Bruno Henrique Costa Correia, se valeu da confiança que ganhou da estudante em eventos esportivos e religiosos da escola para praticar a agressão, em outubro do ano passado. Pai de um colega de sala do irmão da vítima, Bruno Henrique ofereceu insistentemente carona à estudante dentro do Colégio Marista, mas antes de deixá-la no destino correto, passou em seu escritório, onde aconteceu o abuso.

“Ele tirou a roupa da minha filha, ameaçou e tocou nas partes íntimas dela. Ela gritou e ele parou com a ação com medo de alguém no prédio de escritórios ouvir, já que era hora de expediente ainda”, contou Plínio Lins, pai da vítima.

A aluna, que tinha 17 anos no ato do crime, foi quem procurou a escola para relatar o ocorrido. A família levou o caso ao conhecimento do Conselho Tutelar e da Delegacia de Crimes contra a Criança e o Adolescente. O inquérito foi concluído, o advogado Bruno Henrique foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Estadual(MPE/AL) por crime de estupro e o processo contra ele tramita na 14ª Vara Criminal daCapital.

Segundo o pai da vítima, a presença do advogado era tão constante nas dependências da escola, tanto no dia a dia quanto em eventos, a ponto de ele ser confundido como funcionário por pais e alunos. Além disso, Bruno Correia chegou a prestar serviços jurídicos para o colégio e mantinha uma relação de amizade com o agora ex-diretor da escola, Irmão Cláudio Jairo.

Em 14 de abril, o juiz da 14ª Vara Criminal de Maceió deferiu parcialmente um pedido do Ministério Público proibindo o agressor de “manter contato com a vítima e com seus familiares”. A decisão judicial foi comunicada à direção pela família da menor, mas não foi suficiente para evitar a presença do réu na escola, tanto que a mãe da vítima foi exposta ao constrangimento de ter que encontrá-­lo  em duas situações. Em uma delas, presenciou o homem que abusou de sua filha rezando um terço com uma rosa entre as mãos, num evento da escola. Diante da insegurança que a presença do réu impunha à vítima, sua família foi obrigada a retirar a adolescente e seu irmão da escola em junho passado. A menor está traumatizada e sob cuidados psicológicos.

Colégio tentou comprar o silêncio dos pais

O pai escreveu uma carta relatando o ocorrido e encaminhou para a direção nacional da Congregação Marista. Três dias depois, em 16 de junho, veio a Maceió uma representante da direção nacional, Jaqueline de Jesus, que se reuniu com os pais dizendo ter duas missões: pedir perdão pelo comportamento da direção do Marista e propor que as crianças voltassem para o colégio “como convidados”, de graça. “Ou seja,delicadamente queriam comprar nosso silêncio. Evidente que recusamos a oferta”, conta.

Na última quarta-feira, depois que o caso foi divulgado na imprensa, o Marista divulgou nota solidarizando-se com a família e dizendo que adotou medidas jurídicas para o agressor não frequentar o Colégio. “Providência tardia, mas mesmo assim positiva”, avaliou o pai.

Segundo o advogado Welton Roberto, a família decidiu tornar o caso público não só pelo sofrimento emocional da adolescente e de seu irmão, mas por acreditar que só denunciando amplamente esse tipo de crime é possível combater à altura a cultura do estupro e do machismo.

Outra intenção da divulgação era fazer com que possíveis outras vítimas do mesmo agressor pudessem surgir a partir do caso. Também após a divulgação, houve a confirmação de que há outra vítima do réu: uma secretária de um escritório de advocacia onde ele trabalhou. O dono do escritório o demitiu e está disposto a contar tudo publicamente.

Além disso, vários casos começaram a vir à tona nas redes sociais. Como o da engenheira ambiental Sara Araújo, que relatou em sua página no Facebook, após a divulgação do caso, que foi assediada por Bruno durante uma viagem de trabalho. “Tenho a plena certeza que Deus me livrou de um estupro, até morte. Infelizmente essa garota não escapou... Esse fato que aconteceu comigo foi quando estava fazendo faculdade de engenharia ambiental, em 2014. Como não chegou a acontecer nada comigo, não procurei ninguém para me manifestar. Nos dias de hoje não dá para se confiar em absolutamente ninguém!! Não pegue carona com pessoas que você não conhece bem e nem sabe o caráter. As que já conhecemos faz medo, imagina quem não!! Deus me livrou, e hoje agradeço a ele, pois poderia ter sido comigo naquele momento. E percebo que realmente ele era um estuprador. Lamento pela vida dessa menina, que Deus dê forças e que ela recomece de onde parou”.

Além de Sara, mais três mulheres relatam nos comentários que f

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