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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 880 / 2016

20/07/2016 - 10:13:21

O assassinato de Bráulio Cavalcante pelo tenente Brayner em 1912

CRISE POLÍTICA QUE AFASTOU EUCLIDES MALTA DO GOVERNO FOI MARCADA POR EPISÓDIOS VIOLENTOS

Edberto Ticianeli Jornalista
Praça Bráulio Cavalcante no dia 16 de setembro de 1917

Os tradicionais conflitos armados que marcaram a história das disputas entre as oligarquias alagoanas não podiam estar ausentes da grave crise política de 1912, ano em que houve eleições para o governo do Estado de Alagoas e que começou com o famoso Quebra dos Xangôs.

A polarização política se dava entre a oposição com a candidatura de Clodoaldo da Fonseca para governador — Fernandes Lima era o vice-governador da chapa —, e o grupo liderado por Euclides Malta, que apresentou Natalício Camboim de Vasconcelos como candidato. 

Nas ruas, manifestantes protestam contra Euclides Malta, que por sua vez reage e joga a polícia contra a oposição. Com o respaldo do coronel Clodoaldo, os oposicionistas respondem também com violência. 

Douglas Apratto, em Metamorfose das Oligarquias, descreve assim o clima político em Alagoas. “Cresce a força dos jornalistas, dos estudantes, dos bacharéis, dos artistas, dos oradores de comícios que, unidos no vigor antigovernamental, cavalgam suas ambições junto com promessas transformadoras. A campanha contra as oligarquias chegava para ficar em Alagoas”.

Foi nesse ambiente convulso que na tarde do dia 10 de março de 1912 um grupo de manifestantes percorre as ruas centrais de Maceió e concentra-se na Praça dos Martírios para realizar um comício. São advertidos por três militares, entre eles o tenente Brayner — secretário do Interior recentemente nomeado por Euclides Malta —, que não seriam permitidas falações e vaias naquele espaço.

Entre os manifestantes destacava-se o jovem advogado pão-de-açucarense Bráulio Cavalcante, já reconhecido por sua oratória contundente. É ele quem contesta as ordens e passa a discutir com o tenente Brayner, um militar que frequentou diversas vezes as páginas dos jornais por cometer atos autoritários e truculentos.

Brayner não gosta dos argumentos do seu interlocutor e passa a usar termos mais ásperos e reafirma que não haveria comício e que daquele dia em diante a autoridade seria respeitada em Alagoas. Bráulio retruca dizendo que a Constituição garantia o direito de livre manifestação. 

Como resposta, o tenente Brayner saca sua arma, diz que a Constituição ali era ele e atira em Bráulio. Enquanto a multidão se dispersava, o líder da manifestação tombava ferido mortalmente. 

Após ter o seu corpo exposto inicialmente no saguão do Palácio dos Martírios, a vítima foi levada para a casa do seu irmão Pedro, onde continuou a receber homenagens. No dia seguinte, 11 de março, uma multidão estimada em 8.000 pessoas acompanhou Bráulio Cavalcante enquanto era transportado ao cemitério. 

Bráulio nasceu em Pão de Açúcar no dia 14 de março de 1887. Era filho do capitão José Venustiniano Cavalcante e de D. Maria Olympia. Em sua terra natal começou a escrever seus sonetos, que eram bem recebidos e publicados nos jornais locais.

Estudou Direito em Recife, onde desenvolveu seus dotes de orador. Quando em férias no sertão alagoano, era comum vê-lo declamando e discursando nos eventos culturais ou políticos, ou ainda participando como ator de algumas peças teatrais.

Segundo o historiador e também pão-de-açucarense Etevaldo Amorim, “Bráulio demonstrava verdadeira adoração por Alagoas, por Pão de Açúcar, pela família, pelos amigos. Seus versos eram carregados de romantismo e até de uma certa nostalgia”. 

A sua morte causou comoção e agravou a crise vivida em Alagoas naquele período pré-eleitoral. O tenente Brayner, identificado como seu assassino, foi vítima da mesma violência apenas dois dias depois. 

O secretário do Interior de Euclides Malta foi assassinado às 11 horas da noite do dia 12 de março de 1912. O subinspetor da Guarda Civil José Moreira foi apontado como o responsável pelos tiros, segundo dois soldados do Exército que presenciaram o crime.

No dia seguinte, às 16 horas, Brayner, então com 42 anos, foi sepultado deixando a mulher, Anna Ferreira Camboim, com nove filhos: Antônio com 18 anos; Corintha com 16; Floriano de 15; Ary com 13; Jurandyr com 10; Corina com 8; Ruy com 4; Carolina com 3 e Coralina com 2.

Um de seus filhos também se destacou como militar. O marechal Floriano de Lima Brayner fez carreira no Exército e chegou a ser chefe do Estado Maior da Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial. 

Fonte: Pesquisa de Etevaldo Amorim publicada no site História de Alagoas


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