Acompanhe nas redes sociais:

23 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 880 / 2016

20/07/2016 - 09:52:25

CNJ vai investigar relação entre Washington Luiz e Rogério Farias

Juiz John Silas desafiou desembargador e foi afastado de comarca de paripueira

Odilon Rios Especial para o EXTRA
John Silas foi afastado da Comarca de Paripueira

A mais nova representação contra o presidente afastado do Tribunal de Justiça, desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no dia 6. 

Refere-se ao afastamento, da comarca de Paripueira, do juiz John Silas, retirado do comando da Justiça após determinar o afastamento do prefeito Rogério Farias, de Barra de Santo Antônio, horas depois de o então presidente do TJ cassar uma decisão do próprio magistrado - determinando o retorno do prefeito ao cargo.

Rogério havia sido afastado provisoriamente da função, por decisão judicial, em abril. Era acusado, pelo Ministério Público Estadual, de improbidade administrativa. Investigado por se apropriar do dinheiro do Fundeb (fundo federal da educação) e lavá-lo em uma pousada, de propriedade dele, na Barra de Santo Antônio.

Antes, porém, do retorno à função, ele e os aliados usavam a rede social Facebook em uma espécie de contagem de dias para a volta dele à chefia do Executivo na Barra.

Há relação entre Washington Luiz e Rogério Farias? Havia interesse em se manter o prefeito a qualquer custo no cargo? Rogério Farias era o primeiro a saber que voltaria ao comando da Barra de Santo Antônio? As investigações, no CNJ, dirão os rumos desta história.  

O fato é que em 18 de junho, um sábado, Washington Luiz decidiu pela volta de Rogério. Horas depois, o juiz John Silas determinou novo afastamento do prefeito, em outra denúncia, por 180 dias, além do bloqueio de bens do gestor na Barra e também nas cidades de São Luiz do Quitunde, Porto de Pedras e Maceió.

Depois, o magistrado, que atuava como juiz substituto na comarca de Paripueira, foi trocado pelo juiz, Willamo Lopes. 

“Washington foi afastado pelo conjunto da obra”, acredita um bem situado integrante do Ministério Público Estadual, para quem a retirada de John Silas da região foi uma resposta à “insubordinação” diante do presidente do tribunal.

O caso de Joaquim Gomes “piorou a situação” do presidente afastado na avaliação do membro do MP local. 

Mais ainda que a denúncia de propina na máfia da merenda - descoberta por promotores de São Paulo e aprofundada pelos integrantes do MP alagoano. Ou ainda o plano para matar o juiz Marcelo Tadeu - revelado pelo EXTRA em 12 de abril de 2012.

O CNJ apura se Washington Luiz favoreceu o retorno de Toinho Batista, o prefeito de Joaquim Gomes, ao cargo, mesmo após ele ter sido cassado. Outra decisão do desembargador favoreceu três vereadores da base aliada do prefeito da cidade. Além do prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus, ex-genro de Washington Luiz. Matheus é suspeito de contratar bandas para Marechal pagando R$ 1,3 milhão entre 2009 e 2013, mas essa contratação foi irregular- conforme as investigações do MP. O desembargador teria evitado a prisão do prefeito - com novo pedido de investigação aberto pelo MP esta semana, desta vez por supostas fraudes no fundo previdenciário de Marechal. Matheus nega irregularidades.

Plano para matar juiz

O juiz Marcelo Tadeu seria morto no dia 3 de julho de 2009 - uma sexta-feira - na avenida João Davino, em Maceió, uma das mais movimentadas da área nobre. 

A arma, uma pistola ponto 40, de uso exclusivo da policia, foi retirada do 59º Batalhão de Infantaria Militar - a sede do Exército alagoano. Ela estava guardada junto a outras, em um paiol do TJ - que ficava no Exército. Constava em processo como prova de outros assassinatos. O preço do crime: R$ 20 mil. Após o crime a arma voltaria ao Exército. E ficaria como até hoje está: escondida. Nunca foi feito exame de balística.

O plano não deu certo porque o funcionário da empresa Qualitec - que prestava serviço para o Grupo Empresarial OAS - o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas, há 15 dias em Maceió, foi morto no lugar do juiz. Ele estava vestido de calça jeans e camisa polo, mesma roupa que Marcelo Tadeu usava. E ambos, que não se conheciam, estavam a 50 metros de distância um do outro.  Marcelo Tadeu estava  no estacionamento de uma farmácia da av. João Davino. Seguiria para casa, no bairro de Guaxuma.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia