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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 880 / 2016

20/07/2016 - 09:42:29

Jorge Oliveira

Honestidade X corrupção

Jorge Oliveira

Maceió - O jogo político que vai definir o prefeito de Maceió este ano está na mesa. Em princípio dois candidatos têm condições de chegar à vitória: o atual prefeito Rui Palmeira e o Ciço Almeida. Desde já é bom que se diga que a palavra honestidade fará a diferença entre os dois na campanha. Ciço, depois de oito anos, deixou a prefeitura endividada e saiu escorraçado, praticamente, sob vara de tanto processo de corrupção a que responde. Palmeira, até prova em contrário, não tem registro de escândalos na sua administração. Esta prática de administrar o dinheiro público com seriedade evidentemente faz a diferença entre um candidato e outro na hora de votar.

O PMDB está equivocado quando caminha ao lado de Ciço Almeida nessas eleições municipais. Almeida não é confiável. Já passeou por todos os partidos e deixou rastros de infiel e de mau caráter por onde andou. Agora, oportunamente, filia-se ao PMDB na esperança de que o partido financie a sua campanha. Ora, se ele pensa que vai ter mais um João Lyra como pai financeiro pode tirar o cavalinho da chuva. Ao contrário das eleições anteriores, esta vai pegar todos os candidatos de pires nas mãos porque as empresas não podem ajudar financeiramente ninguém. Menos ainda o estado que vive na penúria financeira.

O PMDB de Alagoas apontou seus mísseis para um alvo errado, o prefeito Rui Palmeira. Apoia Ciço Almeida, mesmo conhecendo seus antecedentes criminais, certamente por falta de opção. Ora, não seria melhor juntar-se aos tucanos, com quem hoje convive harmoniosamente, em torno do nome de Rui? Seria uma eleição sem traumas, mais barata e pragmática visando o pleito de 2018, quando as duas siglas certamente vão estar novamente unidas.

O Ciço Almeida, sem dinheiro, anda espalhando que os peemedebistas vão bancar a sua campanha. Para os marqueteiros e os donos de produtora com quem tem conversado, ele propõe uma parceria financeira quando chegar à prefeitura. Ou seja: eles trabalham de graça e o Ciço garante que paga a dívida com o dinheiro público quando ganhar a eleição. É assim que agem os políticos irresponsáveis. Ciço não está disposto a desembolsar um tostão sequer do seu patrimônio para gastar na campanha. 

Ninguém confia no Ciço. Empresário, político e até mesmo o eleitor, que demorou a perceber a sua vigarice, mas deu o troco rapidamente na eleição de 2014, quando quase não o conduziu à Câmara Federal. Elegeu-se na sobra. 

Lembra-se da Lourdinha, a vice dele na prefeitura? Pois bem, assim que assumiu, Ciço deu as costas ao seu patrono João Lyra que o elegeu, gastando uma fortuna. Durante os dois mandatos, não deixou que a Lourdinha, filha do seu padrinho, assumisse a prefeitura um dia sequer. Isso se chama ingratidão e deveria estar capitulado no Código Penal.

Ciço vem se mexendo como pode para colocar no seu palanque o governador Renan Filho, que também faz um governo sem escândalo. Se subir para abraçá-lo e apoiá-lo pode manchar a sua biografia, muito cedo para um político sem nódoas, de futuro promissor e bem avaliado pelos alagoanos. O fato de Ciço pertencer ao mesmo partido não significa nada, porque se ganhar a eleição, ele abandona o PMDB no outro dia, como fez até hoje com dezenas de outros partidos.

Assim, a pergunta que fica no ar é a seguinte: vale a pena alguém sujar a biografia para apoiar o Ciço Almeida, numa eleição onde o que está em jogo é a honestidade contra a corrupção? 

Faça as suas apostas.

Lobo Mau

O Lobo Mau caiu, desmoronou-se, chorou para uma plateia que ansiava pelo seu afastamento da presidência da Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha, acuado, apelou para o sentimento familiar, tentando, com mais uma manobra, sensibilizar os brasileiros que acompanham sua trajetória política e seus malfeitos desde que pertenceu ao staff de Collor como presidente da Telerj, no Rio. De lá pra cá, a carreira dele foi fulminante. Antes dos escândalos, chegou a aparecer numa lista dos prováveis candidatos a presidente da República. Agora, no ostracismo, tenta reconquistar o mandato de deputado suspenso pelo STF e voltar ao aconchego da família que ele próprio jogou às traças com os seus negócios nebulosos.

Deboche

O Lobo Mau lutou bravamente para evitar a renúncia. Antes chamou para o tatame o governo do PT e ganhou com um Ippon, o golpe perfeito do judô. Mandou a Dilma para casa de quimono e tudo antes do confronto. Riu e debochou da adversária quando a viu deixar o Palácio do Planalto para que seu companheiro de partido, Michel Temer, ocupasse o espaço. 

O intocável

Achava-se até então intocável até o juiz Sérgio Moro começar a desbaratar a maior quadrilha de corruptos do país, revirando as vísceras de centenas de políticos e empresários. Sua penúltima entrevista em um hotel de Brasília, onde se manteve sozinho durante a conversa com os jornalistas, selava de vez o fim do poder do Lobo Mau substituído ali pela melancolia, o esquecimento e a solidão, num quadro tão bem retratado pelo colombiano Gabriel Garcia Marques no seu “Ninguém escreve ao coronel”.

Solidão

O choro do Lobo Mau é a expressão cruel de um homem abandonado pelos amigos que antes o cortejavam. Vivia rodeado por um séquito de assessores e seguranças a atendê-lo em um piscar de olho. Não dava um passo no salão verde da Câmara que não tropeçasse em jornalistas ávidos por notícias. Com a renúncia, recolhe-se à solidão dos vencidos à espera de que alguém recolha os destroços da alegoria do poder. Vai, em vão, esperar no infinito da solidão a voz silenciosa de amigos cada vez mais distantes.

Chapeuzinho

O Lobo Mau encolheu-se, apequenou-se. Aguarda ansioso o dia em que baterão à sua porta para responder pelos crimes que cometeu durante a sua carreira política. E frente a frente com o Chapeuzinho Vermelho de Curitiba, a quem até agora tentou enganar, confessará seus delitos se quiser sair mais cedo da cadeia, a exemplo de outros delatores que decidiram colaborar com a Justiça.

Desprezível

O Lobo Mau não deve esperar nenhum gesto de adeus. É um político insignificante, desprezível. Cresceu e fez fama na ausência de bons homens públicos. Trata-se de mais um espertalhão, gerado na fornalha do fisiologismo. Subiu nos degraus do poder porque soube se destacar entre os medíocres. Aliou-se aos petistas quando interessava ocupar espaços no poder. Usou a Câmara para manipular o regimento e as leis a serviço dos grandes empresários, mancomunado com as dilmas e os lulas da vida. Só quando os negócios escusos não atendiam mais aos interesses dele e de seus comparsas saiu fora e mostrou as garras do Lobo Mau devorando a Vovozinha. 

Defesa

E se não tiver uma boa defesa ao ser interrogado pelo Chapeuzinho Vermelho de Curitiba, Lobo Mau vai passar o resto do seus dias na cadeia sem ter digerido totalmente os restos da Vovozinha, numa cena que seria mais ou menos assim, no primeiro encontro entre os dois:

- Por que esses olhos tão grandes, Cunha? – pergunta Chapeuzinho.

- Ó, meu querido, são para te enxergar melhor.

- Por que essas orelhas tão grandes, Cunha?

- São para te ouvir melhor, Chapeuzinho.

- E por que essa boca tão grande, Cunha?

- É para te comer, Chapeuzinho.

A sorte do Chapeuzinho é que aqui nesta fábula ele também é o caçador.


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