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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 880 / 2016

14/07/2016 - 18:39:33

Capanga de Luiz Pedro vai a júri popular dia 20

Rogério de Menezes Vasconcelos é acusado de ser um dos assassinos do servente de pedreiro Beto

João Mousinho [email protected]
Luiz Pedro, já condenado como mandante do assassinato

Há dois anos, mais precisamente no dia 21 de março de 2014, Rogério de Menezes Vasconcelos seria o primeiro nome da quadrilha de Luiz Pedro a ir para júri popular. Mas devido à falta de citação do réu, que estava foragido, a justiça não foi feita. O tempo passou e parte do bando foi condenado pelo Tribunal do Júri, inclusive o ex-deputado Luiz Pedro, que goza de plena liberdade apesar de ter sido condenado a 26 anos e cinco meses de prisão por homicídio qualificado, sequestro e formação de quadrilha e como mandante da execução do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos. 

O julgamento de Rogério de Menezes Vasconcelos acontece no próximo dia 20 e, segundo o pai da vítima, o servidor público Sebastião Pereira dos Santos, “todos sabem que Rogério foi um dos homens que tirou vida do seu filho”. Carlos Roberto foi sequestrado na própria residência, no bairro do Clima Bom, na madrugada do dia 12 de agosto de 2004, foi assassinado com vários tiros e seu corpo desapareceu do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. Em sua peregrinação, o pai de Carlos Roberto conseguiu autorização para várias exumações, mas nunca localizou o corpo do filho.

Segundo o relato de Sebastião, às 1h30 da madrugada Naelson Osmar Vasconcelos Melo, Adézio Rodrigues, Laércio Barros e Leoni Lima chegaram à residência de Beto, onde foram atendidos por sua esposa, Alessandra Cristina da Silva Costa, que esclareceu que ele estava dormindo e não poderia atender ninguém naquele momento. Se identificando como policiais, os quatro homens insistiram que Beto se apresentasse. A esposa grávida não teve como conter o ímpeto dos “homens de Luiz Pedro”, que acordaram Beto com agressões e o levaram sem maiores explicações para um veículo não identificado.

“Há 12 anos choro a morte do meu filho e sei que esse ciclo de impunidade não chegou ao fim, pois o verdadeiro líder dessa quadrilha, Luiz Pedro, está solto, enquanto eu sigo doente e aprisionado em minha própria casa”, desabafou Sebastião Pereira dos Santos, em contato com a reportagem do jornal EXTRAxtra. 

Durante o júri de Luiz Pedro, Alessandra Cristina da Silva Costa, que não reside em Alagoas temendo ser executada, disse por meio de vídeoconferência que o ex-deputado e seus capangas tinham ligações diretas com o crime, seja por mando ou autoria material. O caso é um dos mais emblemáticos no quesito impunidade na recente história de Alagoas marcada pelo sangue e violência. 

O pedido de condenação de Rogério de Menezes Vasconcelos está nas mãos do promotor de Justiça, Antônio Vilas Boas. Sebastião espera que Rogério seja condenado e, diferentemente do que acontece com Luiz Pedro, pague pelo crime que cometeu atrás das grades. “A posição da Justiça é injustiça; o sujeito foi condenado por mandar matar um ser humano e está solto. Espero, sinceramente, que no próximo dia 20 seja diferente”, expôs o aposentado. 

O promotor Carlos Davi Lopes destacou durante o julgamento de Luiz Pedro que nem o nazismo foi tão cruel quanto a milícia comandada pelo ex-deputado e ex-vereador e acrescentou  que “Alagoas é um estado condenado há décadas pelo coronelismo que priva o povo. Esse crime tem dedo do Estado. Do próprio Estado. Chega dessas milícias, o povo tem que ser livre. Tentaram incriminar a vítima. Não podemos banalizar a vítima.”

Por fim, Davi colocou: “Tivemos um guerreiro que levou esse julgamento à frente, que foi o seu Sebastião. Esse julgamento marca a história da justiça alagoana, quando um ex-parlamentar senta no banco dos réus”. 

Motivação do crime 

Segundo a defesa de Luiz Pedro, a motivação do crime seria um desentendimento pessoal de Beto com Rogério de Menezes. A esposa da vítima afirmou em depoimento que Beto impediu Rogério de tomar de si uma cerveja.

Rogério era presidente da associação de moradores do conjunto em que a vítima morava e para Luiz Pedro, que exercia domínio político naquela região, um ato de “rebeldia” não poderia ocorrer, ainda mais contra um dos seus braços armados, correligionários e líderes da região. 

O fato acabou como todos bem conhecem, com a morte de mais um cidadão que se rebelou contra um sistema imposto a mão de ferro pelo temido Luiz Pedro, que durante seu julgamento disse em claro e bom som: “Eu não sou santo”.

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