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Edição nº 879 / 2016

11/07/2016 - 18:57:07

Tropas alagoanas participaram da Guerra de Canudos

Soldados do 33º Batalhão de Infantaria estiveram no sertão baiano enfrentando os rebelados comandados por Antônio Conselheiro

Edberto Ticianeli Jornalista
Oficiais do 28º Batalhão de Infantaria,1897

A Guerra de Canudos entrou para a história do Brasil por ter sido um dos mais violentos confrontos entre um segmento da população e o Exército da República. De fundo sócio-religioso, os enfrentamentos duraram de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, interior do estado da Bahia.

Entre os fatores que contribuíram para o surgimento das contradições que terminaram em massacre destaca-se a grave crise econômica e social em que se encontrava a região. A esperança de dias melhores estava depositada numa salvação milagrosa que tiraria os sertanejos do sofrimento imposto pelo clima e pela exclusão econômica e social.

A primeira mobilização dos seguidores de Antônio Conselheiro, o líder dos rebelados, foi contra a municipalização da cobrança de impostos. Mas o que assustava a imprensa, o clero e os latifundiários da região era a migração de pessoas para aquela nova cidade, que surgia em Canudos com 25.000 habitantes.

Aos poucos foram identificados como de contestadores do regime republicano recém-adotado no país. Antônio Conselheiro e seus adeptos eram tratados como “perigosos monarquistas” a serviço de potências estrangeiras, querendo restaurar no país o regime imperial. 

Deflagrado o conflito, as tropas do Exército foram derrotadas nas três primeiras expedições contra o povoado. Essa informação apavorou o país e deu legitimidade para a perpetração do massacre que culminou com a morte de mais de seis mil sertanejos. Todas as casas foram queimadas e destruídas.

Alagoas contra C

anudos

Segundo a pesquisa de Moacir Medeiros de Santana, a primeira notícia sobre a presença de tropas alagoanas no conflito de Canudos surge no jornal O Gutemberg de 25 de novembro de 1896, em Maceió. Na primeira página se lia:

“Movimento de força. O comandante da guarnição deste Estado, atendendo ordens do General Solon determinou ficasse de prontidão um contingente de 100 praças que devem seguir hoje para a Bahia.

Esse movimento de força é necessário pela atitude hostil que tomou o fanático Antonio Conselheiro em Lavras e Lençóis, na Bahia, contra as forças federais e policiais daquele Estado.

Os srs. Alferes Elesbão, Ormínio, Montenegro e Maurício devem seguir com essa força do exército”.

Entretanto, somente no dia 6 de dezembro é que embarcaram no vapor “Alagoas” 200 praças do 33º Batalhão da Infantaria, como registrou O Gutemberg de 10 de dezembro, sob o título “Sucessos na Bahia”.

O 33º BI, ao chegar à Bahia, foi incorporado à 2ª Coluna comandada pelo general Cláudio do Amaral Savaget, que por sua vez estava sob o comando do general Arthur Oscar. A tropa alagoana compunha a 6ª Brigada em conjunto com o 26º BI de Sergipe e o 32º BI do Espírito Santo. O comandante da Brigada era o coronel alagoano Donaciano de Araújo Pantoja.

Se o Exército recebia ajuda das forças militares de Alagoas, Antônio Conselheiro também bebia na mesma fonte. O Gutemberg de 13 de março de 1997 informa que desertores da polícia de Alagoas e Sergipe, praças do Exército e cassacos despedidos da Estrada de Ferro do São Francisco se agregavam às forças sitiadas em Canudos.

No mesmo dia em que ocorreu a rendição de Canudos, às 16 horas do dia 5 de outubro de 1897, o diretor do jornal O Gutemberg, Dr. Eusébio de Andrade, entrevistava o coronel alagoano Virgínio Napoleão Ramos, comandante do 33º BI e que se recuperava em Maceió de ferimentos recebidos em combate, no dia 27 de junho na localidade Macambira.

Virgínio Napoleão se referia aos combates de Canudos como “oficina da morte” e calculava que os engajados com Antônio Conselheiro ultrapassavam os dois mil combatentes. O comandante do 33º BI também estranhava a não utilização pela expedição Moreira César dos fuzis de guerra “Kropatchek”, quando essa arma era utilizada pelos atiradores de Canudos. Ele suspeitava que os “fanáticos” dispunham de maior número de armas que o Exército na 3ª Expedição (foram quatro expedições), e que após a vitoriosa 4ª Expedição foram encontradas muitas munições, aumentando a suspeita de que os rebelados receberam auxílio externo.

O segundo deslocamento de soldados alagoanos para a Campanha de Canudos aconteceu em março de 1897. A partir do dia 12 de março, o 33º BI passou a aguardar o transporte para Salvador, que só aconteceu no dia 21 do mesmo mês. Às 16h30, o vapor “Espirito Santo” recebeu todo o efetivo do Batalhão.

O 33º BI voltou a Alagoas no dia 11 de novembro, a bordo do “Prudente de Moraes”. Desembarcaram somente 110 homens e 30 mulheres. Os demais ficaram sepultados nos sertões baianos, ou estavam feridos em hospitais. Foram recebidos sem festa, principalmente porque havia ocorrido recentemente, no Rio de Janeiro, o assassinato do ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt, que esteve em Canudos comandando o massacre.

Fontes: Site Só História e Alagoas na Guerra de Canudos, de Moacir Medeiros de Santana / Fotos de Flávio de Barros - Acervo Museu da República

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