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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 879 / 2016

11/07/2016 - 16:43:53

Jorge Oliveira

O indulto de Dirceu

Jorge Oliveira

Maceió - Eu nao sei se é apenas impressão minha, mas acho que o Brasil está mais calmo, sem aquela histeria coletiva de fim de mundo do período pré-impeachment. Se não fosse o burburinho da operação Lava Jato – que já ameaça afetar o brilho dos jogos Olímpicos no noticiário diário e banalização da violência no país  – poderíamos até afirmar que estamos saindo da tormenta e navegando em mar de pouca turbulência. 

As ideias turvas e delirantes da Dilma dissiparam-se em pouco tempo. As passeatas de ruas diminuiram, os movimentos sociais, sem o patrocínio do governo, hibernaram na expectativa do que vai acontecer daqui pra frente, e a economia já mostra nítidos sinais de recuperação. Não é exagero dizer que existe um presidente (interino) que transmite o que pensa sem arranhar a gramática e o cérebro. Ali ou acolá, alguns insatisfeitos ainda fazem coro com a Dilma para quem o impeachment foi um golpe. É bom que seja assim, pois vivemos em um país que procura preservar e garantir a liberdade de expressão e de pensamento diante das crises, como prova de amadurecimento de suas instituições. 

A unanimidade, como disse, magistralmente, Nelson Rodrigues, “é burra”.

Mesmo nesse clima de paz, com o governo peemedebista tentando se esforçar para acertar, ele ainda guarda algumas semelhanças retrógadas com o do PT. As principais delas são a demagogia e o populismo. Vejamos: quando Temer aumenta o Bolsa Família em 12% para ajudar as 13,9 milhões de famílias que vivem penduradas no programa, diz que faz isso para melhorar a vida dos excluídos, tirando-os da miséria. Ele está, na verdade, usando o mesmo discurso fisiológico dos petistas para quem o dinheiro público servia para comprar consciências (votos) e anestesiar os cérebros deformados pela fome. 

O Lula era mestre nisso. Enganou o povo durante muito tempo com o discurso do Fome Zero. Tentava colar a oratória à sua condição de retirante nordestino para sensibilizar seus conterrâneos. Assim, com esse apelo demagógico, transformou o Bolsa Família no maior reduto eleitoral do país. Enquanto reafirmava a sua decisão de tirar o povo da miséria, permitia que seus comparsas roubassem bilhões das empresas públicas empobrecendo o Brasil. 

Tanto ele como a Dilma utilizaram-se de forma irresponsável o Bolsa Família nas campanhas políticas. Chantageavam os eleitores com o fim do programa caso perdessem a eleição. O apelo deu tão certo que os petistas ficaram no poder durante doze anos com os votos das regiões mais carentes do país, onde a população sentia-se assustada com o fim do programa. 

O Messias

Lula, na verdade, fez o discurso do Messias: “Eu, como retirante, sou o único que pode tirar vocês da miséria porque, como vocês sabem, também vim da miséria, sou um retirante nordestino. O resto é elite”. Colou, reelegeu-se e ainda fez o sucessor, enquanto subia os degraus da escalada social da elite surrupiando o dinheiro do povo brasileiro. 

O reajuste

Acredito que o brasileiro até apoia o aumento do Bolsa Família, afinal de contas é certo que o dinheiro tira alguns da miséria absoluta. Mas duvido que apoie o reajuste de mais de 40% do servidor público, que eleva salários até em 12 mil reais para quem ganha 30 mil reais, a exemplo dos ministros do STF e do STJ. Ora, uma decisão política como essa, em um país com a economia fragilizada, só aprofunda o fosso social. 

Exaltação

Ora, doutor Temer, Vossa Excelência deveria ter sido poupado de tal constrangimento por seus assessores. Anunciar que vai gastar 56 bilhões  de reais até 2019 com o servidor público e aumentar apenas em 12% o Bolsa Família, o senhor há de convir, não é motivo para nenhum discurso de exaltação em um país com a economia em frangalhos. Se Vossa Excelência estivesse na iniciativa privada, saberia que não se reajusta empregado quando a empresa está quebrada. E o Brasil, como é notório, está pré-falimentar. O governo, portanto, administra o caos. No entanto, esbanja riqueza quando aumenta seus funcionários, distribui bilhões para o governo irresponsável e perdulário do Rio de Janeiro, perdoa temporariamente as dívidas dos estados e gasta além da conta. 

Vos rouca

Doutor Temer, este foi o modelo adotado pelo PT que levou o país a bancarrota, o modelo do improviso e do populismo desenfreado, que o Brasil conhece. O povo espera do senhor mais austeridade no comando do governo para que o país não volte anarquia da corriola petista, de triste lembrança. A voz rouca das ruas não está muda. 

Os ciclistas

É lamentável a situação da ciclovia que contorna a orla de Maceió. Poça de água, ondulações desnecessárias, buracos, trechos inacabados, falta de sinalização e lombadas desnecessárias é o retrato, sem retoque, de uma obra inacabada.

Demência

A ideia de transformar a orla da cidade em um passeio agradável numa das praias mais lindas do país virou um transtorno para os ciclistas que pedalam sem segurança. O pior trecho é do Pajuçara, onde alguns trechos não foram concluídos e são uma ameaça à vida de quem trafega por lá.

Mosquito

Ora, uma administração que tanto fez por Maceió está se engasgando com um mosquito. Não estar envolvida em atos de corrupção como seu antecessor já é uma proeza que certamente levaria a população de Maceió a reconduzir o prefeito nas eleições deste ano. Mas deixar que pequenas obras fiquem inacabadas depõe contra a quem está à frente do município e pode levar o eleitor a dúvida quanto à eficiência do gestor. Gente, por favor, melhorem a ciclovia antes que alguém se acidente na pista. 

Assistencialismo

Michel Temer poderia ter sido mais discreto ao anunciar o aumento do Bolsa Família congelado desde abril para não incorrer no vício da demagogia. Afinal de contas, o programa ajuda as famílias mais pobres, mas não deixa de ser um assistencialismo que desnivela mais ainda as classes sociais. 

Reféns

O Bolsa Família asfixia e paralisa os reféns dessa migalha porque o governo não tem projetos para reduzir o programa a curto prazo. Ou seja: não recicla os dependentes para o mercado de trabalho, mantendo-os no ócio e na escravidão da doação. Se pensou, com o ajuste, fazer uma média com os miseráveis, certamente acertou. Atitude, porém, condenável para quem acena com a bandeira da mudança e da moralidade administrativa. 

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