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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 878 / 2016

03/07/2016 - 17:24:25

Jorge Oliveira

O indulto de Dirceu

Jorge Oliveira

Brasília - Existe um estranhamento entre os comandantes da Lava Jato em Curitiba e o Ministério Público que atua em Brasília. Enquanto o juiz Sérgio Moro denuncia mais uma vez José Dirceu por corrupção e lavagem de dinheiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede o indulto do petista pela condenação que ele sofreu do mensalão. A coincidência é que tudo ocorreu no mesmo dia para constrangimento dos procuradores que investigam o ex-ministro. 

Dirceu, que já está condenado a mais de vinte anos de prisão, pela sua conduta como presidiário, não parece merecer o indulto dado por sua companheira de partido, a presidente afastada Dilma Rousseff, que também beneficiou outros parceiros de crimes. Pelas investigações da Lava Jato, Dirceu, mesmo preso, infringiu a lei porque continuou recebendo propinas do dinheiro que era roubado da Petrobras pelos ex-tesoureiros do PT.

Ao denunciar mais uma vez Dirceu, o juiz Sérgio Moro disse que havia indícios fortes da participação do ex-ministro em mais uma maracutaia. Disse o magistrado em seu despacho: “Presente, portanto, justa causa para a imputação, a justificar o recebimento da denúncia. Presentes indícios suficientes de autoria a materialidade, recebo a denúncia contra os acusados acima nominados”.  

A acusação agora é que Dirceu teria recebido 2 milhões de reais em propina do esquema da Petrobras, gerenciado por Renato Duque, diretor que o petista apadrinhava dentro da estatal. Constatado o crime, Dirceu será certamente julgado mais uma vez pelo juiz Sérgio Moro, que tem sido implacável com os ladrões das empresas públicas. 

Com todos esses crimes nas costas, é estranho que Rodrigo Janot solicite ao STF o perdão da condenação de Zé Dirceu quando ele continua sendo investigado pelos procuradores da operação Lava Jato. Além disso, ainda pesa contra o ex-ministro de Lula a acusação gravíssima de que, mesmo depois de condenado, ele continuou operando dentro da cadeia com os seus comparsas da Petrobras e em outras empresas públicas, de onde recebiam milhões em propinas.

Há, na verdade, uma contradição jurídica entre o que se investiga em Curitiba e o que se decide na Procuradoria-Geral da República. O indulto, se concedido pelo STF, permitiria que Zé Dirceu respondesse apenas pela última condenação, o que facilitaria a sua saída da prisão em pouco tempo por bom comportamento ou por ter cumprido uma parte da pena. Os procuradores que estão à frente da Lava Jato pensam diferente: Zé Dirceu, considerado o chefe da organização criminosa, ainda terá que responder por outros crimes e, se condenado por todos eles, terminará seus dias na cadeia. É assim que pensam também os brasileiros que viram seu patrimônio ser dilapidado pela quadrilha petista que, como aves de rapinas, devoraram os bilhões das empresas públicas no maior escândalo de corrupção já acontecido no país. 

Harmonia

Para que esses petistas paguem por seus crimes e não fiquem impunes, Janot e Moro devem trabalhar em parceria visando a convergência jurídica entre as duas investigações. Pelos menos é assim, com um trabalho harmonioso, que os brasileiros esperam pela condenação desses gangsteres, já que não serão ressarcidos do dinheiro que foi saqueado dos cofres públicos.

Intimidade

O cerco se fecha em torno de Lula que continua negando todas as acusações de participação na organização criminosa. Mas a verdade é que não se pode negar que os tesoureiros petistas gozavam da intimidade do ex-presidente, responsável pela aproximação deles com os empresários e os políticos presos sob a acusação de dilapidar o patrimônio público. Um fato, porém, precisa ser investigado: o envolvimento dos presidentes do PT nas tramoias. Até agora, apenas o ex-deputado José Genoíno foi preso e condenado no mensalão. Falta apurar, portanto, a responsabilidade dos outros dirigentes da agremiação no recolhimento do dinheiro sujo para as campanhas. Nenhum tesoureiro tem autonomia para decidir sozinho uma questão de colegiado. Assim, os ex e o atual presidente têm responsabilidades nas decisões do partido.

Recado

Trancafiado há quase um ano, Vaccari Neto já mandou recado à cúpula que pretende fazer delação premiada. Sente-se abandonado pelos companheiros e não quer ter o mesmo destino de Marcos Valério, o empresário condenado a mais de 40 anos no mensalão. Vaccari vive isolado no presídio. Não recebe visitas dos companheiros de partido e nem auxílio para pagar os advogados. Aconselhado pela família, começa a escrever tudo que sabe do financiamento do caixa dois das campanhas de Lula e Dilma. 

Delação

Quem já conversou com o ex-tesoureiro garante que a delação de Vaccari não vai deixar pedra sobre pedra. Ele pretende contar como eram financiadas as campanhas do PT e de onde vinha o dinheiro para eleger os companheiros. Se isso de fato ocorrer, o juiz Sérgio Moro terá nas mãos provas irrefutáveis da participação do Lula e da Dilma no desvio do dinheiro público para as eleições.

Aí a coisa muda de vez.

Empréstimos

Enquanto isso não ocorre, o Ministério Público não tem pressa. Já tem em mãos o depoimento do ex-ministro Paulo Bernardo sobre a operação dos empréstimos consignados que lesou milhares de aposentados. Parte do desvio dos mais de 100 milhões de reais chegava às campanhas petistas no país e tinha o ex-ministro como o articulador financeiro. Era ele quem decidia, junto à cúpula do partido, para onde seguia o dinheiro sujo para os candidatos. 

Movimento

Agora, sem poder se articular, depois que a Dilma foi impedida de governar, o PT ensaia mais uma tentativa de trazer de volta a presidente. A palavra de ordem é uma nova eleição presidencial. Para isso, a CUT – a central petista – promete mobilizar a militância para os movimentos de rua. Pretende, assim, destronar o Temer e tentar a sorte nas urnas para voltar a governar. Se a economia mostrar sinais claros de recuperação, dificilmente isso ocorrerá até porque o Senado não estaria propenso a mudar a Constituição para satisfazer Lula & Companhia.

Os tesoureiros 

Se realmente Edinho Silva, ex-ministro da Comunicação Social, for preso, como se comenta em Brasília, este será o quarto tesoureiro do PT a entrar em cana. É a maior operação de combate a corrupção já ocorrida no Brasil com a prisão de ministros, políticos e empresários que assaltaram os cofres públicos em bilhões de reais. A última blitz da Polícia Federal arrastou também para a cadeia o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, que também responde a processo na operação Lava Jato.


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