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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 878 / 2016

01/07/2016 - 07:55:34

Militar divulga seu livro “O Poder da Pulseira e do Fogo”

Elias Barboza propõe debate acerca da caótica situação da segurança pública brasileira

Maria Salésia [email protected]
Elias Barboza faz passeio pelos casos policiais mais emblemáticos

O sargento da Polícia Militar de Alagoas, músico e jornalista Elias Barboza lançou em 2015 o livro “O poder da pulseira e do fogo: A ordem ferida, o dever, a honra e a farda em 30 anos divulgados na imprensa brasileira”, durante a 7ª Edição da Bienal do Livro, em Maceió, mas a divulgação continua a todo vapor. O militar disse que o interesse pelo tema surgiu após ler uma reportagem publicada pela revista Veja, em 1995, intitulada “O poder da pulseira e do choque”, que retratava a tortura sofrida por pessoas em delegacias para confessar crimes, muitos nem praticados.

Segundo o autor, o livro não pode ser considerado como nova denúncia, pois todos os casos citados na obra foram divulgados em revistas e jornais do País. “A intenção é abrir um debate acerca da caótica e grave situação da segurança pública brasileira”, disse o escritor ao acrescentar que o ponto central da obra são os desvios de conduta, crimes e corrupção, presentes também nas polícias Civil e Federal.

O livro prende o leitor do começo ao fim. Cada história contada remete a reflexão e chama a atenção sobre a violência, seja ela praticada pela polícia ou sofrida por ela. Na obra, Barboza mostra que a problemática da violência policial é constante. “Não se pode fugir do debate; a rigor, o respeito e a ordem não podem ser quebrados ou vilipendiados por nefastos que representam o Estado. Ao ingressar na carreira policial, todos fizeram seus juramentos: ‘proteger a sociedade dos foras da lei’”, afirma o militar escritor.

Elias Barboza argumenta que o País cresceu, os efetivos das PMs do Brasil aumentaram e com isso alguns comandos perderam o controle de seus batalhões. “Homens treinados para policiar as cidades, agora, já assustam com violências e corrupção. A corrida pelo eldorado seduzido pelo dinheiro rápido, desperta nos fracos de personalidade o desejo insano para o mundo do crime”, lamentou.

No Capítulo II- “No delírio do poder e da impunidade”- Barboza relembra o caso de dois policiais alagoanos que terminou de forma trágica por uso de drogas. O primeiro foi a morte da 2º sargento Iara Laura Silveira,43, assassinada em 2008, em uma boca de fumo na Vila Brejal, em Maceió. O outro, também de grande repercussão à época, foi do soldado PM Dener Esteves, 40, que em 2010 morreu de overdose. “O número de policiais militares usuários de drogas nas PMs do Brasil se multiplica,”, afirma Barboza em seu livro.

O caso do jornalista da Rede Globo Tim Lopes, morto por traficantes na favela da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, em 2002, também está narrado na obra do militar. Em “As milícias que afrontam a ordem no Brasil” Barboza remete o leitor à Guerra de Canudos (BA) em 1896, quando Antônio Conselheiro preparou uma milícia. Passeia por outros momentos da história e vai até “Os grupos de militares ou ex- que agem ao bel prazer com violência armada nas comunidades pobres do Rio de Janeiro”, sem esquecer-se de falar do crime organizado.

Para reavivar a memória ou até mesmo conhecer um pouco mais sobre o crime em Alagoas, basta ir até a página 72, onde Barboza conta em “Magistrados e advogados na mira das balas” um dos episódios mais marcantes de Alagoas. E volta ao tempo ao narrar a saga da família do ex-cabo Henrique, “personagem principal de uma história de dor, violência e mortes”, e da família de Ernesto e Paulo Calheiros. O episódio aconteceu em 1982, mas ainda continua vivo na memória alagoana.

A pesquisa foi intensa e o escritor nos remete ainda ao ano de 1968 quando o coronel Adauto Gomes Braboza foi assassinado dentro do quartel da Polícia Militar de Alagoas. Para saber o desfecho, o leitor deve ir até a página 95, no capítulo IV, que trata da “Corrupção e assassinatos praticados por policiais em Alagoas”.

A história do ex-coronel Manoel Cavalcante “bem que merecia um romance policial”, diz Barboza no livro. Mas, reservou um capítulo para falar sobre o caso, “A gangue fardada, prisão do ex-coronel e sentença condenatória, em Maceió”. Na verdade, esta parte é outra passagem bastante interessante do livro.

O militar escritor falou ainda dos grupos de extermínios em Alagoas, a pistolagem que aterroriza o Nordeste e casos que marcaram a violência policial no Brasil. Passa por Sergipe, Ceará, Diadema (SP), Rio de Janeiro, entre outros.

Mas o autor teve também o cuidado de mostrar o outro lado. E em “Policiais na mira: réus ou vítimas de uma vocação” ele mostra que “muitos PMs têm morrido no cumprimento da missão.” E mais: “A rigor, a violência de polícias, mortes trágicas de policiais e prisão de policiais, tem chegado ao limite da tolerância dos que fazem a segurança no país”, relata Elias Barboza.

O AUTOR

O sargento Elias da Silva Barboza é graduado em Jornalismo e Música pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Fez o Curso de Formação de Sargentos em 2008, em Alagoas. 

Dentre as unidades que o militar já atuou, destacam-se o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran); o 1º BPM; Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP); Companhia de Choque; e no interior no 3 º, 7º e 11º batalhões. Auxilia a 4ª Seção do EMG e integra a Banda de Música da PM.

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