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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 877 / 2016

27/06/2016 - 18:44:24

Atividade apícola vive momento promissor com preços nunca alcançados

Estado tem produção em torno de 100 toneladas/ano e possui potencial ambiental e climático para ultrapassar 5 mil

Maria Salésia [email protected]

A demanda de mel está crescente tanto no Brasil como no exterior e este é um momento promissor para a atividade apícola. Em Alagoas não é diferente. E este mercado  animador alcança  preços historicamente nunca alcançados. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel e Derivados (Abemel) a demanda nacional somada às exportações tem um potencial de 172 mil toneladas de mel/ano até 2025 e a produção nacional está ainda em 40 mil toneladas/ano. Alagoas, por sua vez, está com produção em torno de 100 toneladas/ano e possui potencial ambiental e climático para ultrapassar 5 mil toneladas por ano.

Segundo o presidente da Federação Alagoana de Apicultura e Meliponicultura (Faamel) e federado na Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Diego Gomes dos Anjos, os  apicultores do estado estão cada vez mais cientes da importância da atividade para o crescimento econômico e pessoal. Prova disso é que vão participar de um encontro que tratará apenas de meliponicultura. O evento acontece em Irecê/BA dos dias 12 a 14 de julho. “Estamos incentivando a profissionalização da atividade, apresentando a apicultura como atividade lucrativa e de sucesso”, disse Anjos.

O presidente da federação afirma que o rstado é um grande celeiro de abelhas brasileiras, as melíponas (abelhas sem ferrão), embora, a Uruçu (Meliponascutellaris) seja uma das mais criadas por aqui. Mas a espécie de abelha com maior número de colônias racionais é a abelha conhecida por “Europa ou Italiana”.  Anjos esclarece que uma espécie mais forte, higiênica e de grande potencial defensivo (estes organismos apenas defendem-se, nunca atacam à toa) é a abelha africanizada (Apis melífera). “Esta é a espécie da qual nós apicultores produzimos o mel tão apreciado pelas pessoas, bem como o pólen e também a nossa própolis vermelha, substância muito valorizada de nossa atividade e que foi descoberta pelo apicultor José Marinho de Lima em seu apiário na Ilha do Porto, em Marechal Deodoro. Esta própolis possui a denominação de origem Manguezais de Alagoas, abrangendo a região produtora no litoral alagoano desde o município de Piaçabuçu até Maragogi”, disse ele.

DIVERSIDADE

Outro fator importante é que o mel alagoano tem seu diferencial. O estado possui uma diversidade de méis devido aos biomas desde a Mata Atlântica com Manguezais e áreas de restinga, bem como da Caatinga. “Esta variedade de ambientes nos proporciona a produção de méis diversos em cores e sabores. Existe aqui um mel diferenciado, na verdade um melato, que é produzido na região de produção da cana-de-açúcar, pois em épocas de colheita da cana as abelhas vão em busca do exsudado desta planta e trazem para suas colmeias, resultando um mel (melato) muito saboroso, bastante escuro e riquíssimo em sais minerais como potássio e magnésio e com sabor que lembra rapadura, porém numa textura espetacular tendo em vista que foi elaborado pelas abelhas”, comparou Anjos.

Outro fato que deve levar em conta é a produção média nacional, que está em torno de 15kg/colmeia/ano, o que, de acordo com Anjos, é muito fraco pois uma colmeia bem manejada produz até 40kg/colmeia/ano. Ele aponta dados relevantes em relação à atividade e mostra que o mel hoje está com  preço em torno de R$ 9,00/kg, podendo variar R$1,00 para mais ou para menos. “Para nosso cálculo vamos utilizar o preço do mel a R$ 6,00/Kg e a produção média nacional. Daí, temos que uma colmeia rende R$ 90,00/ano. Parece bom? Para obter renda líquida (descontados 30% de custos) de R$ 6.300,00/ano necessitaríamos ter 100 colmeias, esta é uma perspectiva nada profissional da atividade apícola”.

Anjos acrescentou ainda que outro panorama é profissionalizar cada vez mais a atividade. E a expectativa concreta é de alcançar média de 30 kg/colmeia/ano. Assim, o retorno com as mesmas 100 colmeias passa para R$12.600,00.

Em relação às abelhas sem ferrão, tipo Uruçu, uma colmeia tem potencial para produção de apenas 1L de mel por ano. Porém, este mesmo litro tem um retorno de R$150,00/l, fracionado em potes de 100ml, pode-se chegar a R$250,00/l. “Estas abelhas possuem um potencial enorme e que podem ser criadas por pessoas de diversas idades, pois não possuem ferrão e as estruturas produtivas são bem menores”.

SAFRA

Em Alagoas, o período da safra em geral é na primavera e verão. Mas, como há variação climática no estado, há um período diferenciado de produção no Sertão com as floradas do inverno chuvoso. 

De acordo com Anjos, em Alagoas existem 14 associações federadas. Mas pode participar da associações e entidades como cooperativas, institutos ou empresas do setor apícola e meliponícolas.  Embora o maior número de apicultores esteja situado no Sertão, de acordo com dados da produção de 2014, os maiores produtores foram Santana do Ipanema e Senador Rui Palmeira , com 14 e 19 toneladas respectivamente. Mas, União dos Palmares vem mostrando crescente produção.

O presidente da Faamel disse que o governo do Estado investe junto com o Sebrae através dos APLs de apicultura na região do Litoral e Lagoas e região do Sertão. Mas afirma que uma falha é o governo não abrir chamadas públicas para oferta de mel na merenda escolar das escolas públicas estaduais, além da falta de assistência técnica continuada para o setor. “Temos desenvolvido discussões neste sentido com apoio da Secretaria de Agricultura do Estado, através da Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura”.

O mel de Alagoas é consumido no estado principalmente através das organizações que vem conseguindo fornecer mel na merenda escolar de muitas escolas da rede pública de municípios, bem como na rede de supermercados, lojas de produtos naturais e feiras. Anjos informou ainda que “parte do nosso mel tem sido comprado por empresa exportadora cearense e muitas vezes importamos mel de outros estados através de cooperativas e empresas do setor.”

Além do mel são comercializados também o extrato de própolis vermelha, pólen apícola, méis compostos, sprays de mel com sabores diversos, geleia real, produtos cosméticos como sabonetes e produtos gourmet como méis de melíponas como Uruçu e Jataí, também Hidromel e Vinagre de Mel. Enfim, uma diversidade de produtos para o benefício das pessoas.

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