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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 877 / 2016

27/06/2016 - 18:42:24

Pedro Oliveira

Roubar no Brasil compensa

Pedro Oliveira

Com os episódios que vêm acontecendo frutos da Operação Lava Jato, delações premiadas, gravações de conversas de bandidos entregues à justiça, e outros mecanismos de “convencer” presos a entregar seus comparsas no roubo do dinheiro público, me chama a atenção um fato: o marginal usa de suas informações muitas vezes sem provas para se safar. Esses delatores que são bandidos também são beneficiários do “perdão”, escapam das prisões fétidas e promíscuas e passam a curtir suas penas abrandadas em mansões de luxo, além de manter fortunas em paraísos fiscais, tudo com o dinheiro roubado do povo. Todos querem ser “delator” para se sair bem.

Nestor Cerveró, réu condenado em ações penais da Lava Jato, deve deixar a prisão hoje. Preso desde janeiro de 2015 firmou acordo de delação premiada e deve passar a cumprir pena em prisão domiciliar a partir de hoje. Ele vai colocar uma tornozeleira eletrônica e será escoltado em voo comercial até o Rio de Janeiro. Na capital carioca, ele será recebido por uma equipe de policiais federais que o levarão até Itaipava, no Rio de Janeiro, onde fica a casa em que vai cumprir a pena. Ficará em sua deslumbrante mansão na região serrana do Rio, com direito a farta mordomia, vinhos dos melhores e recebendo seus amigos para farras com parte do dinheiro que roubou. Prometeu devolver aos cofres públicos R$ 18 milhões (imaginemos quanto deve ter sobrado em paraísos fiscais em suas gordas contas). A invejável pena foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

O bairro Dunas, em Fortaleza, uma das áreas mais nobres – e desiguais – da cidade, será o cenário da prisão domiciliar de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro que em seu acordo de delação premiada na operação Lava Jato acusou mais de 20 políticos dos principais partidos brasileiros.

Machado, que relatou ter passado R$ 100 milhões em recursos ilícitos, vai iniciar nos próximos dias o cumprimento de três anos de pena em sua casa.

O delator passará seus dias em uma mansão com piscina e quadra poliesportiva, construída num terreno de cerca de 3.000 m² e cercada por outras construções de alto padrão. Segundo corretores imobiliários de Fortaleza, imóveis na mesma região, com piscina e metragem semelhante (entre 2.500 m² e 3.000 m² de área total), custam de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões. Machado vai devolver aos cofres públicos R$ 75 milhões que “sobraram” após distribuir propinas com as mais altas figuras da República. Com certeza não é apenas esse “troco” que ele tem muito bem guardado onde só ele sabe.

Essa tal de delação premiada se torna tão imoral quanto as condenações impostas aos maiores ladrões 

Não explicou nem justificou

Esta semana o deputado Marquinhos Madeira foi alvo de uma ação da Polícia Civil que realizou uma operação de busca e apreensão na Assembleia Legislativa com o objetivo ter acesso aos documentos que permitiram uma licença médica duvidosa. A ação policial foi legal e obedeceu a todos os ritos necessários à sua realização.

O delegado responsável pela operação é um dos mais capacitados e íntegros no quadro da Policia Civil, o Dr. Denisson Albuquerque, cuja conduta sempre esteve dentro dos limites da lei e da ordem.

Se sentindo atingido em sua imunidade,o parlamentar foi a tribuna não para provar sua inocência, mas para fazer acusações levianas e afirmando que tudo seria “uma perseguição política e um show midiático”. 

O delegado Denisson Albuquerque nunca teve nenhuma relação política com quem quer que seja e muito menos é dado a ações midiáticas.

A única coisa que o deputado tem a fazer é mostrar que sua “doença” não foi inventada com um atestado fraudulento. Coisas que o Ministério Público e o Conselho de Medicina irão ver e se pronunciar. 

Marcelo Odebrecht a “Elba” da Dilma

O executivo Marcelo Odebrecht não é um vagabundo qualquer e sua delação que caminha para ferir de morte as principais figuras da República não pode ser comparada à credibilidade de um marginal tipo Sérgio Machado e tantos outros apanhados pela Operação Lava Jato. Tem sob seu comando a maior empresa de construções do país e um conglomerado de outras que faturam bilhões aqui e no exterior. Precisa contar tudo o que sabe para diminuir o seu castigo e com certeza o fará.

Marcelo Odebrech vai assumir no acordo de delação que negocia com procuradores da Lava Jato que controlava pessoalmente os recursos legais e ilegais que irrigaram as campanhas presidenciais de 2010 e 2014, vencidas pela presidente afastada, Dilma Rousseff, segundo a Folha apurou.

O executivo vai relatar que teve uma conversa com Dilma no México em 26 de maio de 2015, quando teria alertado a então presidente que os investigadores da Lava Jato estavam prestes a descobrir os pagamentos ilícitos que a Odebrecht fez ao marqueteiro João Santana na Suíça.

De acordo com o executivo, Dilma não deu atenção ao que ele dizia.

A conversa ocorreu 24 dias antes de Marcelo ser preso pela Polícia Federal —a prisão preventiva de Marcelo completou um ano no último domingo (19).

O ex-presidente da Odebrecht chegou a tratar de pagamentos ao PT com representantes do partido, em sua casa no Morumbi, na zona sul de São Paulo.

Já se comenta em Brasília que Marcelo Odebrecht é “a Elba da Dilma”. Em alusão ao caso que derrubou o então presidente Fernando Collor. 

O “inocente” Almeida

O ex-prefeito Cicero Almeida insiste em afirmar que as graves denúncias que lhe são atribuídas pelo envolvimento na Máfia do Lixo fazem parte de uma “armação” contra ele. É como se ele achasse que fossem tolos ou desmemoriados. 

Uma investigação rigorosa, competente e cuidadosamente minuciosa, não só com indícios, mas provas robustas, mostrou que o então prefeito fez parte de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 200 milhões dos cofres da prefeitura.

A denúncia do Ministério Público tem como autor o promotor Marcus Rômulo, considerado um dos mais preparados no quadro da instituição, mestre em Direito Público e profundo conhecedor da matéria improbidade. 

Se a Justiça realmente funcionar, as acusações do MP terão que ser consideradas e o ex-prefeito condenado. Não há como escapar.

Agora os municípios 

O senador Benedito de Lira elogiou a sensibilidade do governo federal ao firmar acordo em que suspende, por seis meses, a cobrança das dívidas dos estados com a União.

Após esse prazo, explicou o senador, a cobrança das parcelas voltará a ser feita, alcançando o seu valor integral num prazo de 18 meses. Além disso, o acordo prevê o alongamento de 20 anos para o pagamento da dívida.

Em contrapartida, os estados, e não somente a União, também deverão limitar o aumento de suas despesas ao índice da inflação do ano anterior.

Com esse acordo, Benedito de Lira acredita que alguns estados terão uma folga no orçamento para minimizar ou regularizar sua situação financeira.

- Agora nós teremos que nos debruçar para também encontrar um caminho para as dificuldades dos municípios brasileiros. Quantos e quantos prefeitos estão abdicando da reeleição, porque não têm como tocar a sua gestão atual e não sabem o que virá no futuro. Por isso, estão abrindo mão da reeleição - disse o senador.

Atropelando atribuições

As ações do governador Renan Filho em plena pré-campanha para eleger o seu candidato a prefeito de Maceió extrapolam os limites da harmonia institucional e se tornam agressivas no ponto de vista do respeito devido ao prefeito Rui Palmeira, um político honesto, cordato e leal a seus princípios e ao interesse público. Não é correto que o governador agressivamente passe a construir obras de apelo popular e invadir a periferia com ações como se o prefeito fosse. Ele não é o “dono” do estado, especialmente de Maceió. Compromete sua biografia ao apoiar um candidato marcado por denúncias de corrupção e improbidades quando administrou a capital. Renan Filho poderá pagar muito caro por esses equívocos. O tempo dirá.

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