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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 877 / 2016

27/06/2016 - 18:35:46

Tanque d’Arca vive situação inusitada

Prefeito em exercício, de 21 anos, seria “testa-de-ferro” do eleito pela Câmara no dia 13

Vera Alves [email protected]
Edilson da Conceição em reunião com “seu secretariado”

Há pelo menos três anos, Tanque d’Arca, pequeno município do Agreste alagoano localizado a 107 km de Maceió, vive uma situação inusitada, um entra e sai de prefeitos acusados de atos de improbidade com lances que beiram entre o trágico e o cômico, como o do prefeito interino flagrado em vídeo colocando dinheiro nos bolsos e nas meias. Tratava-se de propina recebida de uma construtora por cujo contrato o antecessor fora afastado.

Amparado por uma liminar concedida pelo desembargador eleitoral Orlando Rocha Filho, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Antônio Teixeira de Almeida, o político do PMN flagrado no vídeo, foi eleito no último dia 13 prefeito-tampão do município de 6.319 habitantes (Censo de 2015 do IBGE) e 5.023 eleitores (dados da Justiça Eleitoral até maio deste ano) mas renunciou dois dias depois acossado por novas denúncias, a de desvios de recursos do Ipam- Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Tanque d’Arca. Em seu lugar assumiu o vice, Edilson da Conceição Ferreira, um jovem de 21 anos que desde o ano passado trabalhava como assessor de Teixeira. 

Nomeado para um cargo comissionado, Edilson da Conceição recebia até abril R$ 1.500 – foram R$ 500 em maio - e agora passa a desfrutar de um salário de R$ 10 mil. Pelo menos este é vencimento que Teixeira recebia como prefeito interino da cidade e o recebeu também em maio, mesmo após ter sido afastado pela Justiça em abril último. O afastamento de 180 dias se encerra a 14 de outubro, quando ele reassume o comando da Prefeitura de Tanque d’Arca até a posse de quem for eleito nas eleições de 2 de outubro.

Ligado ao deputado estadual Francisco Tenório - presidente estadual do PMN e que praticamente invadiu a cidade com seus correligionários no dia 13 - Teixeira vai disputar a eleição pelo voto popular, segundo afirmam os assessores que ele deixou na prefeitura. Ninguém sabe, porém, quem será seu vice. 

Opositores de Antônio Teixeira afirmam que ele continua gerindo o Executivo. Edilson seria apenas um “testa-de-ferro”, já que nunca teve qualquer experiência política e costumava executar serviços para o ex-prefeito antes mesmo de ser contratado como comissionado. O prefeito em exercício nega. Em resposta aos questionamentos do EXTRA, afirmou, através de sua assessoria de imprensa, desafiar qualquer pessoa a provar a ingerência do ex-chefe. 

O jovem que chegou a cursar Administração de Empresas mas largou a faculdade, disse ainda que em seu governo “os benefícios trazidos à população pela gestão de Antônio Teixeira com certeza serão mantidos e ainda aprimorados. O desempenho eficaz dos serviços básicos na saúde, educação e assistência social estarão, sem dúvidas, no topo das minhas prioridades”.

Reconheceu os prejuízos à população por conta do troca-troca de prefeitos, mas assinalou que “com a eleição indireta realizada pela Câmara a segurança política-administrativa do nosso município foi restabelecida”. 

UMA CIDADE 

PARADA

O semanário esteve na cidade uma semana após a eleição indireta de prefeito e vice pela Câmara de Vereadores. Edilson da Conceição não estava na prefeitura. A informação foi de que estaria na vizinha cidade de Maribondo, em uma agência da Caixa. Na Câmara de Vereadores, onde sequer energia havia, apenas duas funcionárias. 

Na Unidade Básica de Saúde Mariza Tavares Valença Silva, apenas três funcionárias e nenhum atendimento. “A médica só está aqui de terça, quarta e quinta”, explicou uma delas. A ida ao município foi na segunda, 20.

Movimento mesmo só o de poucos funcionários municipais e alguns aposentados na principal praça da cidade onde a mudança constante de gestor é alvo de piadas. E de revolta também. Isto porque nada garante que daqui a uma semana o prefeito ainda seja Edilson. Desde janeiro, quando a Câmara cassou os mandatos de Roney Valença e o vice Valdemir Bezerra Lima – ambos do PMDB e eleitos em 2012 – já passaram pelo comando do Executivo o próprio Teixeira, que era presidente da Câmara e havia assumido o cargo de prefeito em agosto de 2015, quando a Justiça afastou a dupla peemedebista, e José Luiz dos Santos (PMN) que, na condição de presidente do Legislativo sucedeu a Teixeira em abril. Mas a dança das cadeiras entre eles remonta a 2013, quando começaram as primeiras investigações sobre irregularidades na prefeitura e atos de improbidade administrativa.

PREVIDÊNCIA 

AMEAÇADA

Os aposentados agora é que são a bola da vez na cidade. Desde o início de junho são cada vez mais insistentes os comentários de rombo nos cofres do Ipam, o instituto de Previdência da cidade. Dos cerca de R$ 1 milhão e 300 mil que haviam em caixa, somente R$ 600 mil estariam disponíveis. O EXTRA questionou o prefeito-tampão afastado, mas ele preferiu ignorar as indagações do semanário. O contato foi feito através do Whatsapp de Antônio Teixeira que limitou-se apenas a informar não ter assumido a prefeitura após a eleição do dia 15 porque estava proibido pela Justiça, embora tenha sido a própria Justiça a lhe autorizar a disputar os votos dos vereadores.

Disputa não é bem o termo correto. Ele teve 7 dos 9 votos possíveis. O único declaradamente contra foi da vereadora Cícera Porto, também do PMN, enquanto o vereador José Oliveira, do PRTB, não compareceu.

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