Acompanhe nas redes sociais:

21 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 877 / 2016

24/06/2016 - 11:17:31

Governo quer Banco Mundial contra pobreza em Alagoas

Ideia de Renan Filho é acabar com a miséria na região lagunar; BID vem a Alagoas em 30 de junho

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Pinaud se reúne dia 30 com membros do Conselho do BID para discutir detalhes de programa para catadores de sururu

O Governo Renan Filho (PMDB) prepara pelos próximos dois meses projetos na área social para erradicar a miséria, pelo menos em algumas áreas de Maceió, que concentram grande população em condições de pobreza e tem viabilidade econômica e social.

A ideia é aparentemente simples: a presença do Banco Mundial na região do Dique Estrada, Virgem dos Pobres e Vergel do Lago, em Maceió.

A proposta é elaborada pelo secretário de Assistência Social, Antônio Pinaud. Ele gosta de falar, é atleta nas horas vagas (foi nadador no Clube de Regatas Flamengo, no Rio, e hoje é corredor), ex-fumante e tem 60 anos de idade, que aparenta menos.

O projeto de combate à pobreza não é novidade: o Banco Mundial faz a mesma coisa em áreas mais pobres no Rio.

“Se conseguirmos o apoio do Banco Mundial para este projeto, haverá uma mudança radical no perfil da parte baixa de Maceió”, explica.

A proposta é capacitar os catadores de sururu, possivelmente criando uma cooperativa. Números não-oficiais indicam que duas mil famílias se revezam na cadeia produtiva do sururu à beira da Lagoa Mundaú, no lugar a ser atendido pelo banco.

“Apoiamos o Bolsa Família mas ele não pode ser um programa que dure para sempre. É preciso criarmos ideias que ajudem a elevar a renda das pessoas que dependam do programa. Daí teremos a responsabilidade de colocar em prática”, avaliou Pinaud.

“Temos gerações de alagoanos com déficit intelectual. Pessoas que perdem a capacidade cognitiva porque não foram estimuladas corretamente até os seis anos de idade- quando a Ciência nos diz que o aprendizado e a formação da personalidade definem quem e como será o futuro adulto”, analisa. 

“Um programa social como este que vamos apresentar ao Banco Mundial, quantas crianças não serão incentivadas pelos pais a novas atividades, com os pais tendo dignidade na cata do sururu? Famílias tendo cursos, orientações?”.

No dia 30, Pinaud traz a Alagoas membros do Conselho de Administração do BID (o Banco Mundial).

Em duas semanas- diz o secretário- vai estar pronto um esboço do projeto “Cadeia do Sururu e Coco”, a ser entregue na visita dos membros do BID a Alagoas.

“O projeto do governador é que tenhamos em Maceió uma cidade sustentável e inclusiva. Costurarmos uma rede de empreendedorismo, com mercados locais, negócios sociais. Com tudo isso funcionando, em várias partes de Maceió e avançando pelo interior, em dez anos o Bolsa Família não será mais necessário”, acredita o secretário.

Em Alagoas, 1 em cada 4 famílias é atendida pelo Bolsa Família. Ano passado, 500 famílias pediram para sair do programa. “Elas tiveram incremento da renda. Não precisaram mais do programa”, explica Pinaud. 

Segundo o IBGE, 37,5% das pessoas no Nordeste sobrevivem de benefícios federais ou simplesmente de esmolas. 

Em Alagoas, são muitos os que tentam a sorte no lixo, catando latas ou garrafas de plástico. Segundo o IBGE, a cada dois alagoanos, um sobrevive dos programas do governo ou à espera de ajuda dos outros.

Em Maceió, treze anos e duas gerações depois, o programa Bolsa Família ainda sustenta 20 mil pessoas desde 2003- e elas vão gerando filhos e netos. 

Nestes treze anos, Alagoas ainda permanece como o terceiro lugar mais pobre do Brasil, só perdendo para o Maranhão e o Piauí. 

O nível educacional da população melhorou, mas não o suficiente para viabilizar a instalação de grandes indústrias, que exigem mão de obra mais qualificada.

Alagoas ainda é o primeiro — como há treze anos atrás, no nascimento do Bolsa Família — no número de analfabetos no país.

Em 13 de novembro do ano passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou estudo sobre a situação geográfica e econômico-social do estado. E mostrou “deficiências no capital humano, como altos índices de analfabetismo, baixa qualificação da mão de obra local e baixa qualidade da educação básica oferecida pela rede pública de ensino”.

“Entre os fatores que impedem o desenvolvimento do estado, a auditoria constatou problemas de governança e gestão, principalmente no que se refere à baixa capacidade de investimento do Estado e dos municípios e às deficiências desses governos no planejamento e na implementação de políticas públicas. A desarticulação entre os diversos órgãos que atuam visando a indução do desenvolvimento no estado também foi verificada”, detalha o tribunal.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia