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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 877 / 2016

23/06/2016 - 17:54:54

Militar ligado a pistolagem é demitido por Renan Filho

Talvanes matou, com 15 tiros, desafeto de deputado no Tocantins

Odilon Rios Especial para o EXTRA
O agora ex-tenente Talvanes Luiz da Silva em foto de 2008

Foi preciso uma decisão da Justiça do Tocantins para que um dos últimos pistoleiros ainda ligados à Polícia Militar de Alagoas fosse demitido do serviço público. 

O tenente Talvanes Luiz da Silva está, oficialmente, fora dos quadros da PM, após assinatura do governador Renan Filho (PMDB). A demissão foi publicada na edição de segunda-feira (20), do Diário Oficial do Estado.

Até outubro de 2014, Talvanes estava preso em Palmas, no Tocantins. Foi condenado por executar Pedro Daniel de Oliveira Lins, o Pedro Arapiraca, em 9 de julho de 2001.

Pedro Arapiraca foi morto a mando do deputado João Beltrão, dizem as investigações. Arapiraca cobrou de Beltrão R$ 54 mil pela compra de 337 cabeças de gado. O parlamentar não gostou.

E ele foi assassinado com 15 tiros, em frente a um posto telefônico, em Taguatinga, no Tocantins. 

Também foram condenados por este crime Paulo Nei de Morais, Wilton Luiz da Silva e Jaires da Silva Santos. 

CRIMES

Até o ano passado, Jaires era assessor parlamentar de João Beltrão, na Assembleia, com salário de R$ 1.442,58. É réu confesso no assassinato de Pedro Arapiraca.

Em maio de 2011, o EXTRA revelou que Jaires é citado em outro crime: em 30 de maio de 2000, na cidade de Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, o agricultor Paulo José Gonzaga dos Santos foi assassinado a tiros. A emboscada foi armada por Jaires, Geovânio Mendes dos Santos, o “Veneno”, e Mendes dos Santos, o “Velho”, que eram empregados de João Beltrão.

O motivo do crime do Maranhão seria a compra de uma propriedade da vítima pelo deputado - a Fazenda Bons Amigos. O imóvel estava hipotecado pelo Banco do Nordeste do Brasil e as parcelas eram amortizadas mensalmente. Ao efetuar a compra da propriedade, o deputado teria pago a Paulo José a quantia de R$ 35 mil, assumindo o compromisso verbal de pagar as parcelas restantes da hipoteca, o que não teria acontecido.

O modus operandi no Tocantins se repetia no Maranhão, tendo, por trás, João Beltrão.

PASSADO SUJO

Com a demissão de Talvanes, aos poucos, a Polícia Militar vai se livrando de seu passado sujo: alguns PMs se tornando sicários da elite alagoana para exterminar desafetos.

Parte deste passado é ligado à atuação da Gangue Fardada. 

E, também, ligado a políticos da terra, como João Beltrão.

Em 9 de maio de 1996, foi assassinado o cabo da PM José Gonçalves da Silva Filho. Talvanes foi um dos acusados. E João Beltrão é citado pelo ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, explicando que a morte do cabo fazia parte de um acordo envolvendo Beltrão e outros parlamentares, citando ainda o deputado Francisco Tenório.

Ano passado, Talvanes teve pedido negado, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de evitar a perda da patente. O Comando Geral da polícia alegava que o militar afetou a “honra pessoal, o pundonor policial militar e o decoro da classe”. Além de “ludibriar ostensivamente a boa fé do Comando Geral”.

A ação foi movida pelo Conselho de Justificação da PM alagoana. O Tribunal de Justiça manteve a perda da patente. Talvanes recorreu ao STJ. E perdeu.

Por outro lado, até hoje, João Beltrão é beneficiado com uma excrescência: o foro privilegiado que, no Brasil, protege os políticos de quase tudo. Mais ainda das responsabilidades da lei.

Ainda assim, o processo em que ele é réu por assassinato (Pedro Arapiraca) está pronto para decisão do relator, o desembargador José Carlos Malta Marques. Espera entrar na pauta do Tribunal de Justiça, o que deve acontecer após o recesso do Judiciário. Ou seja, em julho.

Beltrão responde ainda a ação penal, no TRE, por calúnia, difamação e injúria. Porém, doente (sofre de diabetes), está de licença médica na Casa de Tavares Bastos. E espera-se o retorno dele para que ele seja citado nesta ação. Difícil ele perder o mandato, onde se perpetua na Assembleia há quase 30 anos. Mais fácil continuar mandando em Coruripe, onde a família se ramifica no poder e o filho, Marx Beltrão, é deputado federal e está de olho no Senado em 2018. O filho é réu em uma ação penal por falsidade ideológica, por comprovar quitação previdenciária em Coruripe que não existia. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal.

E segue a dança dos herdeiros.

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