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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 876 / 2016

18/06/2016 - 17:13:19

Palácio do Comércio em Jaraguá

DE ESTILO NEOCLÁSSICO, A EDIFICAÇÃO ABRIGA DOIS MUSEUS E É UM DOS PRINCIPAIS PONTOS DE ATRAÇÃO TURÍSTICA DA CAPITAL

Edberto Ticianeli Jornalista
Palácio do Comércio na década de 50

Inaugurado em 16 de julho de 1928 para ser a sede da Associação Comercial de Maceió, o Palácio do Comércio de Maceió foi projetado pelo italiano Luiz Lucarini, responsável em Alagoas também pelos projetos do Palácio Floriano Peixoto, Teatro Deodoro, Teatro Sete de Setembro em Penedo, Tribunal de Justiça e da Santa Casa de Misericórdia de Maceió.

A construção, de estilo neoclássico, é o coroamento dos investimentos em grandes obras que a elite econômica alagoana fez em Maceió no período final do século XIX e início do século XX. O projeto nasce nos primeiros anos da década de 1920 por inspiração dos proprietários das grandes empresas de Jaraguá, principalmente as vinculadas ao comércio exterior.

Coube à Associação Comercial de Maceió, que foi criada em 7 de setembro de 1866, a tarefa de viabilizar o empreendimento. Em 1921, a entidade propôs ao governo do Monsenhor Capitolino de Carvalho que fosse cobrada uma taxa especial de 100 réis vinculada às exportações de volumes pelo Porto de Jaraguá. Foram 850 mil volumes exportados, resultando numa arrecadação de 850 contos de réis em valores de 1928.

Na concepção do projeto, os idealizadores definiram que ele se destinaria a eventos públicos. É por isso que o principal espaço do prédio é ocupado por amplos salões. No terceiro andar, o salão nobre e o auditório foram destinados a receberem os eventos solenes.

Ao longo dos anos, o Palácio Comercial já funcionou como sede do Poder Judiciário, da Assembleia Legislativa e da Câmara Municipal de Maceió. Com tantos usos e sem manutenção, o prédio foi sendo abandonado pelos segmentos econômicos que o criaram. Novos e modernos espaços foram sendo utilizados para eventos em Maceió.

No final da década de 1970, com o surgimento do curso de arquitetura da Universidade Federal de Alagoas, novos olhares são dirigidos para o prédio e têm início os primeiros estudos visando a sua restauração. Ao mesmo tempo, surgem as primeiras manifestações cobrando o tombamento da sede da Associação Comercial de Maceió e do próprio bairro de Jaraguá.

Historiadores e arquitetos conseguiram o tombamento e propuseram às restaurações necessárias, mas a falta de recursos e a perda de representatividade política da Associação Comercial impediram a realização das obras.

A retomada do projeto de restauração só voltou a acontecer em 1998, quando um grupo de jovens empresários assume a direção da associação e propõe um convênio especial com a Prefeitura de Maceió, envolvendo um comodato que destinava o uso do Palácio para atividades culturais do município.

Assim, a Prefeitura assumiu a responsabilidade pela restauração arquitetônica e a diretoria ficou com a tarefa de recuperar o mobiliário, modernizar os equipamentos e a climatizar o prédio. O bairro de Jaraguá também passou por um processo de “revitalização”, que foi financiado pelo BID e começou ainda em 1996, na gestão de Ronaldo Lessa na Prefeitura de Maceió. As obras foram concluídas em 2000, no final da administração da prefeita Kátia Born.

Hoje, o Palácio do Comércio abriga o Museu do Comércio de Alagoas e o Museu de Tecnologia do Século 20, abertos à visitação pública durante a semana no horário comercial.

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