Acompanhe nas redes sociais:

13 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 876 / 2016

18/06/2016 - 17:09:04

Isso pode não acabar bem...

ELIAS FRAGROSO

Desde a redemocratização do país há três décadas, nossa jovem democracia vem tendo seus limites e vigor institucional sendo testados. Mas nunca e tanto, como ao longo dos últimos meses.  Vivenciamos simultaneamente duas crises avassaladoras, uma verdadeira tempestade perfeita, termo tão ao gosto dos economistas: a maior crise econômica jamais vivenciada no Brasil graças aos desgovernos petistas, e a mais grave crise de representatividade dos últimos 50 anos, provocada por uma elite dirigente predadora, absolutamente dissociada do povo e de seus anseios, e por partidos que nada significam do ponto de vista institucional e de bandeiras servindo apenas como alavanca eleitoreira para – ao cabo e ao fim – servirem de ferramentas de assalto aos cofres públicos.

A crise econômica nos três últimos anos gerou uma queda do PIB que beira os 10% fazendo a renda per capita do brasileiro retroagir a 1980, segundo o FMI; a inflação acumulada no mesmo período alcançou 26%, penalizando os mais pobres e os assalariados; o desemprego bateu a marca de 12 milhões de pessoas; a indústria teve queda de quase 15%; a divida pública avança célere e se nada for feito, alcançará inimagináveis 80% do PIB.

E o começo do governo (apesar do oba-oba tradicional dos interessados de sempre em bajular governos e governantes) não augura bons horizontes: aumento de parte do funcionalismo (um verdadeiro tapa na cara dos 12 milhões de desempregados) com direito a pedido de aplauso pelo presidente interino que “espetou” em todos nós uma conta de mais 50 bilhões de reais para pagarmos até 2018 (e, frise-se: as demais categorias do funcionalismo não irão ficar paradas...vão reivindicar aumento); Corte (corte?!) de apenas 4 mil cargos comissionados (Você viu os cortes? Eu também não) quando existem, segundo a ONG Contas Abertas, mais de 100 mil cargos para serem distribuídos entre os “eleitos”;  nenhuma ação objetiva para parar a “sangria” dos fundos de pensão estatais – a maior caixa preta do governo federal cujo rombo é muito, muito maior que o do Petrolão: são nada menos que 66 bilhões de reais; o furo do grupo Eletrobras, de 15 bilhões de reais; o dos Correios, por baixo, 2 bilhões de reais... (não dá para listar todos, são 135 empresas onde o governo federal é acionista majoritário). 

E o ministro da Fazenda falando em “arrochar” a você e a todos nós ao invés de fazer o dever de casa. Esse rombo de 170 bilhões de reais (que na verdade é de 120/130 bilhões de reais (um rombo gigantesco, diga-se de passagem) foi a primeira “espetada” desse governo no contribuinte brasileiro (tanto que o Senado anda pedindo explicações sobre isso) poderia ser quase que totalmente abatido numa visão de médio prazo. Estão aí à “disposição” 300 bilhões de reais em estatais privatizáveis (que não serão feitas, diga-se de passagem), outros 100 bilhões de reais ou um pouco mais em concessões (talvez 1/3 seja concretizada) e mais 100 bilhões de reais de devolução ao tesouro pelo BNDES. 

Então por que “arrochar” o povo e não a máquina governamental? Negociar as condições abusivas do pagamento da nossa divida interna com os bancos? Se nós sabemos disso, será que “eles” não sabem? E porque não agem? 

Este é o momento exato para dar um basta nesse padrão imoral de se governar no Brasil. Chega de se vampirizar o povo de sugar as energias de nossa brava, mas muito mal informada gente. Chega de se dilapidar de forma miserável o futuro da Nação.

A melhor medida que o ministério da Fazenda anunciou, o reajuste das despesas públicas segundo o crescimento do PIB, já vem sendo fortemente bombardeada pelos mesmos de sempre, antes mesmo de oficializada, tanto que o ministro acaba de declarar que talvez o melhor seria se essa medida fosse apenas temporária. 

Sabemos que esse governo não pode muito. Por razões conhecidas. Mas o dever de casa precisa ser feito. Ao menos isso. Ou corremos o risco de vermos abortada toda a luta dos últimos três anos. 

Por outro lado, a crise de representatividade é tão ou mais grave que a econômica. Afinal nada será solucionado de fato se as questões políticas não forem equacionadas e resolvidas. É preciso acabar de vez com este infame modelo de governo de coalização ou como diz o ex-presidente Fernando Henrique, de cooptação.

É preciso realizar verdadeira assepsia nos modos e procedimentos da gestão pública. Esse governo precisa ouvir os reclamos da sociedade. Se insistir em se isolar e ficar ouvindo os mesmos de sempre, corre o sério risco de ser apeado do poder no ano que vem (via TSE). É só lembrar o que aconteceu recentemente. Em 2013 o povo foi às ruas e o que a “gerentona” corrupta do PT fez? Nada. O resultado aí está. 

Esse começo de governo tem sido preocupante: um novo presidente assumindo o lugar daquela que foi a pior coisa para o Brasil em todos os tempos. E o que nossas elites dirigentes aproveitando o embalo tentam fazer? Um acordão para acabar com a Lava Jato, justamente o ente que combate tudo que eles, os políticos e seus asseclas vêm fazendo; nomeações às pencas de ministros envolvidos em corrupção; aumento para o funcionalismo público em plena crise; manobras para assegurar a permanência de Eduardo Cunha na Câmara Federal; uma verdadeira “briga de foice” nos bastidores para a nomeação de apaniguados (que viabilizem aos políticos continuarem “mamando nas tetas” do Estado, roubando a mim, a você, a todos nós). 

E de novo, o povo de fora. Nada do pelo que lutamos, do que levamos às ruas em protesto, está sendo levado em conta. Isso pode não acabar bem para o “novo” governo que ora se inicia!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia