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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 876 / 2016

18/06/2016 - 17:00:39

Jorge Oliveira

Zé e Vaccari, mais um assalto

Jorge Oliveira

Vitória - O Zé Dirceu e o Vaccari, dois presidiários, estão pensando em propor leniência partidária ao Ministério Público. Eles querem, assim como as empresas, se beneficiarem de um indulto desde que os partidos, principalmente o seu, abram o jogo e contem com detalhes como ocorreu o desvio de verbas das empresas estatais. A ideia deles é a seguinte: passa-se a régua na história do PT, seus comandantes se declaram culpados e prometem indenizar o Estado. Pronto, depois que a esponja limpar a sujeira tudo volta ao que era antes no quartel de Abrantes. 

Vamos por parte. Se esta proposta estapafúrdia dos dois condenados ocorrer, o PT teria que indenizar o Estado pelo dinheiro roubado das empresas públicas. Como a dinheirama está espalhada nas contas dos chefões da quadrilha, a reposição de boa parte dessa grana teria que sair dos cofres do partido. Dessa forma, os brasileiros seriam roubados pela segunda vez, porque os recursos existentes no caixa do PT provêm do Tesouro Nacional que chegam aos cofres da agremiação pelo Fundo Partidário. 

Pronto, agora que você entendeu a engenhosidade dos dois gênios políticos, vamos à segunda parte. Na verdade, o que o Zé e o Vaccari querem é fazer a delação premiada. Mas os dois se escondem no sofisma da leniência para se mostrar fiéis aos milhares de militantes petistas. O tipo durão que não abre o bico para não ferir seus brios ideológicos, homens de fibra que querem chegar ao fim da vida com decência e lealdade aos seus companheiros. Esquecem, ambos, que estão presos como corruptos, criminosos que lapidaram os bens dos brasileiros, que assaltaram as empresas públicas. A luta ideológica é outra. É aquela que já passou e todos nós brasileiros fomos às ruas para derrubar o regime de exceção. Essa guerra contra a ditadura não foi um privilégio apenas de alguns abnegados, mas de toda a sociedade que gritou por liberdade e democracia. 

O que acontece com o Zé, Vaccari e outros que estão na cadeia é que eles não acreditavam que iriam topar nas suas vidas com um cara chamado Sérgio Moro e uma equipe de procuradores que tentam botar o Brasil nos trilhos. Descobriram, agora, tardiamente, que o lobby para inocentá-los não vingou. Os dois foram condenados a mais de vinte anos cada um e já estão quase um ano na cadeia. Desiludidos e abandonados pelos chefões do PT, responsáveis pela organização criminosa, levantam a tese da leniência partidária para não serem acusados de delatores puro e simples, quando, na verdade, querem mesmo é abrir o bico para não acabarem seus dias na cadeia.

Os durões

Há exemplos de outros durões que não resistiram à primeira condenação. Marcelo Odebrecht chegou a ser até irônico quando lhe foi sugerido pelo MP fazer delação premiada. Tinha nas mãos a anuência de um juiz do STJ que prometera a Dilma soltá-lo e a convicção de que tudo terminaria em pizza. Viu de uma hora para outra a fortaleza desmoronar. E o homem que bradou aos ventos a sua resistência em confessar seus malfeitos, derreteu-se diante da primeira condenação e da descoberta da conspiração para tirá-lo da cadeia. Agora, confessa seus crimes ao juiz Sérgio Moro, e promete derrubar a república com as suas revelações.

Mudança

É assim, comendo pelas beiradas, que a Lava Jato transforma homens até então resistentes em fracos e frágeis de caráter.  O Zé, o Vaccari e o Marcelo são exemplos de que o Brasil está mudando. E esta mudança, os brasileiros devem ao Juiz Sérgio Moro, a quem os brasileiros devem preservar se queremos um futuro melhor para o país. 

Delação

Um lembrete: Zé, Vaccari abram logo jogo. Vocês não vão querer ficar definitivamente mofando na cadeia enquanto outros chefões da organização criminosa estão impunes desfrutando de bom e do melhor. A vida de presidiário é um horror, cara.      

Ócio

A Comissão de Ética Pública chiou quando o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, demitiu o secretário-executivo do órgão.O presidente da comissão, Mauro Menezes, decidiu questionar o ministro e pedir a recondução de Hamilton Cruz, cujo afastamento não foi bem explicado. Mas nos bastidores a notícia que corre é que ele estaria protegendo auxiliares da Dilma na análise das quarentenas que já beneficiou mais de trinta. Assim, no ócio remunerado, eles vão permanecer por seis meses. 

Gastança

No final dos 120 dias, mais de 10 milhões de reais terão saído dos cofres públicos para dar boa vida a ex-ministros como Jaques Wagner (Lava Jato), Aloizio Mercadante (Lava Jato), Miguel Rosseto (Lava Jato), Valdir Simão, Inês Magalhães, Eva Chiavon, Carlos Gabas, José Eduardo Cardozo, Tereza Campello e Luiz Navarro, entre outros.

Alegria

Imagine que nesse trem da alegria até o ex-secretário de Imprensa Rodrigo de Almeida também queria ocupar uma das poltronas especiais como se guardasse com ele segredos de Estado. Em boa hora, o Tribunal de Contas da União impediu a sua entrada no comboio de luxo.  Com isso, Almeida vai fazer companhia aos mais de 11 milhões de desempregados que a sua chefe produziu apenas nos últimos dois anos de governo.

A lei

Os petistas da quarentena alegam ser legal. Dizem estar protegidos pela lei que eles mesmos criaram.  Está escrito na lei 12.813/2013 que aqueles que tenham exercido cargo de ministro ou algum outro no alto escalão do governo federal devem ficar de “quarentena” por seis meses recebendo os salários integrais.

Imoral

É verdade, é legal. Mas é imoral. Como ela onera os cofres públicos e acarreta prejuízo ao contribuinte deve ser revogada. Essa lei pode ser inconstitucional na medida em que provoca sérios prejuízos à nação. Ora, se até as regras do seguro desemprego, que envolve milhões de trabalhadores, estão mudando o que impede o governo de acabar com a quarentena que privilegia uma elite que exerceu cargos por indicação política?

Punição

Esse negócio de  ministro não trabalhar depois que deixa o governo é pura balela. A alegação de que ele detém segredos de estado e, portanto, fica vulnerável na iniciativa privada é outra falácia. Para evitar isso, bastava uma lei que punisse aqueles descobertos revelando segredos de estado e não uma lei para beneficiá-los, como se o tempo os deixassem mudos. 

Lobistas

Você acha, por exemplo, que a quarentena iria inibir que os ex-ministros Zé Dirceu e Erenice Guerra intermediassem negócios do governo com a iniciativa privada? Pois é, assim que deixaram o poder logo montaram escritórios de lobbys para fazer negócios com empreiteiras, como mostram as investigações da Lava Jato.

Condenação

Zé já foi condenado. A Erenice continua impune, na boa vida, mesmo depois dos escândalos e das revelações de segredos de Estado para a iniciativa privada, como foi acusada por empresários à época. Quando deixou o governo, foi submetida a investigação da Comissão de Ética. Inocentada, continuou na gatunagem. 

Cumplicidade

Diante de tanta parcimônia da Comissão de Ética Pública, seus integrantes ainda têm a cara de pau de pedir a recondução do secretário-executivo, que comete deslizes,sob a ameaça de paralisar os trabalhos. Como? Qual a contribuição dessa comissão ao país desde que foi criada? Nenhuma, zero. Só serviu para dar certificado de inidoneidade a alguns pilantras do governo envolvidos em crimes de corrupção.

De olho

O TCU já detectou a imoralidade das quarentenas e promete tratar com mais rigor os novos pedidos. A recusa em não autorizar a solicitação de secretário de imprensa é um bom sinal. Espera-se, portanto, que a análise ética e sem apadrinhamento prevaleça nas próximas avaliações, mesmo sendo imoral. Afinal de contas, os mais 11 milhões de brasileiros desempregados não podem sustentar a malandragem de um grupelho que destroçou a economia e deixou tanta gente na rua da amargura.

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