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Edição nº 876 / 2016

16/06/2016 - 19:24:38

Ufal: dependência com açúcar e álcool aprofunda crise em Alagoas

Cenário seria menos pior se infraestrutura fosse melhorADA e exportações mais diversificadas

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Porto de Maceió acumula déficit em importações de US$ 15,938 milhões nos três primeiros meses

Boletim do Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mostra que os resultados na área econômica no Estado, nos três primeiros meses deste ano, preocupam por causa dos reflexos da pior crise nos últimos 80 anos.

Mas, iniciativas do Governo poderiam ajudar na reversão mais rápida dos números negativos: a diminuição da dependência com o setor sucroalcooleiro.

Segundo o estudo, as exportações retraíram 42,03% (de US$ 44,892 para US$ 26,023). Os principais produtos exportados são derivados da cana de açúcar. Representam 78,89% do movimentado pelo Porto de Maceió.

Já as importações tiveram desempenho considerado modesto, com queda de 43,91%, no comparativo aos três primeiros meses do ano passado, totalizando US$ 41,961 milhões e déficit de US$ 15,938 milhões. Os derivados do petróleo, como gasolina e diesel, constituem a maior parcela do valor importado: 43,29%.

Segundo o estudo da Ufal, a dependência da economia alagoana em relação ao  açúcar e ao álcool, além da falta de incentivos e investimentos em uma maior diversificação da pauta exportadora, somada à precariedade da infraestrutura local, faz com que Alagoas sinta mais rápido os efeitos da crise.

“Nota-se que os efeitos de tal crise foram mais impactantes no mesmo período do ano anterior, no tocante às exportações. Todavia, é evidente o alto grau de oscilação ao qual a economia do estado se encontra constantemente submetida”, diz o estudo da universidade. 

“Como uma das causas para a queda [das exportações] que se verifica em relação a março, pode-se elencar a perda de poder de compra das famílias, agravada pela crise econômica que assola o país”, completa o estudo. 

Em abril deste ano, a produção de cana de açúcar foi considerada menor que no ano anterior. Variação negativa de -8,08%. A produção de abacaxi também registrou queda de 68,7%- a maior entre todos os produtos analisados. Já as safras de mandioca, laranja e arroz cresceram 15,8%, 11,3% e 10,8%. A produtividade da banana foi 5,05% maior e 8,8%, no caso do coco-da-baía.

“A crise é muito dura. A crise do setor exportador em Alagoas, sobretudo por causa da crise do setor sucroalcooleiro, que viveu uma associação de crises no passado, sobretudo com a seca e reduziu 40% a safra, isso afetou bastante, mas eu acho que o setor exportador de Alagoas e do Brasil é um segmento que tem se recuperado e vai ajudar o Brasil a sair da crise. Sobretudo a alta do dólar, a melhora do preço internacional do açúcar e com o descongelamento do preço da gasolina. Eu vejo que o setor exportador de Alagoas vai avançar. A inflação é muito dura porque o Brasil teve uma inflação de dois dígitos nos últimos 12 meses mas que começa também a arrefecer. Acho que a partir do momento em que a inflação começar a ceder, o Banco Central tem também de reduzir a taxa de juros porque retomamos investimentos e o Brasil pode voltar a crescer”, disse o governador Renan Filho (PMDB)

Desemprego

À exceção da administração pública, que contratou mais, todos os setores demitiram mais que admitiram. No mês de março, Alagoas registrou um saldo negativo de quase 10 mil vagas de trabalho. Exatos 9.872. Queda de 2,74% em relação mês anterior, fevereiro de 2016.

E quem mais demitiu foi o setor sucro alcooleiro (69,12%) e agropecuária (11,88%).

“Fatores sazonais e o baixo desempenho da economia nacional foram os principais responsáveis pela perda de postos de trabalho”, analisa o estudo da universidade alagoana, apontando ainda que Maceió e Atalaia obtiveram o pior desempenho em empregabilidade. 

Na capital, saldo negativo de 2.239 postos de trabalho; Atalaia, menos 1.640 postos.

Quem obteve os melhores resultados conseguiu um desempenho bastante reduzido, diz o estudo: as cidades de Teotônio Vilela (40 novas vagas) e Santana do Ipanema (29).

Quando a análise da universidade se aprofunda no setor de serviços, mostra-se que ele dá sinais de desaceleração.

“A receita nominal do setor de serviços no mês de março, quando comparada a fevereiro de 2016, apresentou um pequeno aumento de, aproximadamente, 0,5%; elevação não muito significativa diante dos demais resultados registrados nos meses anteriores. Já a variação mensal comparada a igual mês do ano anterior obteve sua primeira queda em quase seis meses de análise, queda está bem expressiva, chegando ao saldo de 5,2%, o que indica que a receita registrada em março deste ano está mais próxima do valor obtido no mesmo mês de 2015”, explica.

No comércio, março representou o quarto mês consecutivo de resultados negativos: encolhimento de 2% no volume comercial, ao se comparar a fevereiro. Além da redução do índice de confiança do empresariado (2,05%), que está em queda desde fevereiro do ano passado.

“Os efeitos da continua retração do comércio foram observados nos níveis de desemprego. Em março, Alagoas foi o 4° estado que mais desempregou, de acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE)”, detalha o estudo da Ufal.  

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