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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 876 / 2016

16/06/2016 - 19:06:04

Dez postos de combustíveis fecham em Alagoas só este ano

Presidente do Sindicombustível diz que cenário é preocupante e teme por dias piores

Maria Salésia [email protected]
Na capital e no interior: crise econômica e altas taxas levam proprietários de postos de combustíveis a abandonarem o negócio

O fechamento de vários postos de combustíveis ao longo das avenidas Fernandes Lima e Durval de Goés Monteiro, em Maceió, chama a atenção de quem trafega pelas duas maiores vias de acesso à capital alagoana. Em outros bairros e no interior do estado o cenário não é diferente e preocupa o setor. Um fato intrigante é que a decadência dos estabelecimentos comerciais vai na contramão do aumento da frota de veículos de vários modelos e padrões nas ruas. A crise é apontada como uma das causas do fiasco, mas a margem de lucro e os impostos altos são os principais vilões.

É difícil encontrar explicação para a falência de um dos postos na Avenida Fernandes Lima. O local abandonado, com uma cadeira quebrada em frente à porta da loja de conveniência fechada contrasta com o estabelecimento vizinho. Basta olhar ao lado para se deparar com uma grande concessionária que exibe vários tipos de veículos, inclusive de luxo.

Os dados do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Lubrificantes e Lojas de Conveniência do Estado (Sindcombustíveis), com base na Agência Nacional do Petróleo (ANP), mostram que em Alagoas nos primeiros meses de 2016 houve redução de 15%  no número de abastecimentos em comparação com o mesmo período do ano passado. Muitas pessoas optaram pelo rodízio, a carona, o ônibus ou trocaram o carro por moto. Há até quem passou a usar o veículo como peça decorativa da garagem e só o utilize em casos extremos.

Segundo o presidente do Sindcombustível/AL, James Thorp Neto, não adianta aumentar a frota e as margens continuarem apertadas.  “É triste ver a cada dia os estabelecimentos fechando suas portas e não sabemos onde isso vai parar”, lamentou, ao acrescentar que a crise no país, a concorrência e a margem apertada contribuem para o problema.

Thorp disse que os custos dos proprietários de postos têm aumentado e não há como repassar para o consumidor. Ele aponta que algumas taxas essenciais para o funcionamento do estabelecimento tiveram reajustes altíssimos, a exemplo da do Ibama que aumentou 170% e a do Inmetro em 38%. 

De acordo com Lucas Lima, proprietário de um posto de combustível no interior do estado, a demanda retraiu e houve uma guerra de preços, onde os proprietários diminuíram a margem, além do que o custo operacional é muito alto. Segundo ele, além do aumento da taxa do Ibama e Inmetro, o IMA criou novas exigências e tudo isso é custo. “Na disputa pelo mercado alguns donos de postos abriram mão da margem e baixaram o preço e com certeza isso não iria dar certo”, disse Lima. Ele acrescentou que manter um posto é caro e a margem de lucro é pequena. Por isso é preciso cautela para permanecer no mercado.

SEM LICENÇA

Na terça-feira (14), técnicos do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) flagraram três postos de combustíveis e uma distribuidora de gás sem licença ambiental no Sertão Alagoano.

Em um dos municípios, os fiscais constataram que dois postos funcionavam com licença ambiental vencida. Nesses casos, foi aplicado auto de infração no valor de R$ 11,390 cada. Um deles foi ainda interditado por não ter entrado com a renovação da licença no prazo estabelecido. Em outra cidade sertaneja um  posto foi autuado no mesmo valor, também por falta de licença. Até uma distribuidora de gás da região foi multada por não atender as normas do IMA. 

O alerta é de que a equipe do IMA vai continuar a monitorar e fiscalizar os estabelecimentos em todos os municípios alagoanos. 

Lojas fecham as portas na Fernandes Lima

Avenida é ocupada por igrejas evangélicas ao longo da via

Principal corredor de transporte de Maceió, a Avenida Fernandes Lima é o retrato da crise econômica, com vários estabelecimentos fechados em sua extensão. Prédios antes ocupados por estabelecimentos comerciais agora são destinados a locação ou estão abandonados. 

Grandes redes investiram na área, mas a vida útil do investimento foi precoce. É o caso das lojas Insinuante e Magazine Luiza que abriram unidades em prédios vizinhos, mas logo fecharam suas portas. Até lojas de aluguéis de roupas de noivas não resistiram à crise e deram adeus ao negócio. Casa de ração, loja de tecido, farmácias e outros estabelecimentos também fecharam na Fernandes Lima.

O cenário é degradante e chama a atenção de quem frequenta a área. O contador Davi Lima, que reside no interior do estado, mas sempre viaja à capital alagoana, lamenta a situação. Segundo ele, do início da Avenida Durval de Goés Monteiro até o Centro da cidade é triste ver o abandono dos estabelecimentos comerciais. Alguns até servem de abrigo para moradores de rua e, em outros, vândalos deixam suas marcas. “Parece que a crise chegou primeiro em Maceió e nessa área a situação é séria. Não dá nem para contar quantas lojas fecharam e as que permanecem abertas não se vê tanto movimento”, comparou Davi Lima.

EM NOME DA FÉ

Enquanto a crise afeta vários setores da economia, parece que no segmento de igrejas ela passou longe. Pelo menos a Avenida Fernandes Lima virou o point da fé e a cada dia uma nova igreja, com nova denominação, surge no local. No ano passado, a inauguração de um templo na avenida agitou a cidade e a  multidão não coube dentro da igreja, gerando transtorno no trânsito já caótico.

E só pode ser mesmo “a mão de Deus está aqui” como diz um slogan da Igreja Mundial do Poder de Deus que está nos detalhes finais para inauguração de novo templo. Na terça-feira (14), a reportagem do EXTRA esteve no prédio onipotente. Algumas pessoas trabalhavam no local, mas dentro  vários fiéis já marcavam presença. 

A estrutura é ampla e a localização é uma das mais caras de Maceió. Não há número preciso, mas a capacidade é para mais de mil pessoas. Pelo menos a quantidade de cadeiras brancas se perde de vista. 

Dos dois lados da avenida é possível ver igrejas evangélicas com as mais diferentes denominações. Há até quem arrisque a chamar a Fernandes Lima de lugar abençoado, em alusão aos templos. (M.S.) 

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