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Edição nº 875 / 2016

12/06/2016 - 08:11:31

Pedro Oliveira

Falta alguém em Nuremberg

Pedro Oliveira

(BRASILIA) O titulo “falta alguém em Nuremberg” foi usado pelo combativo e talentoso jornalista David Nasser em título de livro destinado a condenar as torturas praticadas durante a ditadura de Getúlio Vargas, entre os anos de 1937 e 1945, através de seu chefe de polícia Filinto Müller, morto em acidente de avião nos arredores de Paris, na década de 1970. Como se sabe, foi na cidade alemã de Nuremberg que se instalou um tribunal internacional dedicado a julgar aqueles que participaram do Holocausto, genocídio que atingiu vários povos, particularmente o judeu.

Durante o julgamento do Mensalão, alguns jornalistas recorreram ao mesmo título para dizer que faltava alguém no banco dos réus, ao lado de Marcos Valério e de quantos participaram do famigerado assalto ao erário e à dignidade nacional. 

Observe-se que, tão logo denunciado, não foram poucos os que sustentaram que o Mensalão nada mais seria do que a ponta do iceberg do pântano moral em que se transformara o Brasil, denunciando o caráter metastático da roubalheira montada em praticamente todas as áreas de atuação do governo federal. Licitações sistematicamente fraudadas, obras fictícias, umas inacabadas, muitas superfaturadas, todas com desvios de recursos públicos em todo o País, partidos políticos da base do governo comprados para silenciar.

A Operação Lava Jato terminou por demonstrar que eram ainda mais graves as piores suposições sobre o despudorado projeto de poder em curso, apoiado na corrupção e na permanente submissão de almas serviçais aos detentores do mando. Enquanto o povo brasileiro se rejubila com o destemor da imprensa, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, que avança no desvendamento dos crimes e na punição dos culpados, o interesse popular aguarda com crescente ansiedade o anúncio e a prisão do nome que, todos sabemos, é o inspirador da gatunagem colossal.

Durante dois dias em Brasília esta semana ouvi de cada taxista que me conduziu, jovens e velhos com os quais conversei, servidores do Congresso Nacional, porteiros e recepcionistas do hotel, nos restaurantes e bares uma pergunta insistente, principalmente quando o procurador (vazador) Rodrigo Janot pediu as prisões de figurões da República: “E O LULA QUANDO VAI PRESO”? O que espera o Ministério Público para pedir a prisão do maior vilão da história da corrupção no país e o Poder Judiciário para decretar? Será que ainda não juntaram provas suficientes contra esta figura excrescente que promoveu com sua quadrilha o maior esquema de corrupção no Brasil durante os últimos 13 anos, ou estão com medo do que ele possa falar em uma “delação premiada”? Na verdade falta alguém ir para a cadeia. 

Não gostaram

O clima ficou tenso na terça-feira no Supremo Tribunal Federal com vários ministros se mostrando indignados com o vazamento para a imprensa dos pedidos de prisão dos senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, do ex-senador José Sarney e do deputado Eduardo Cunha formulado pelo procurador geral Rodrigo Janot. O episódio provocou reuniões e muita agitação nos gabinetes e no plenário da mais alta Corte. Entre os ministros o mais exaltado era Gilmar Mendes que aos gritos (ouvidos por jornalistas fora do ambiente de uma reunião) condenava o vazamento e ameaçava.  

Falando a imprensa, Gilmar Mendes classificoude “brincadeira” com o tribunal a divulgação dos pedidos de prisão de integrantes da cúpula do PMDB por tentativa de obstrução da Lava Jato.

Segundo o ministro, essa prática é grave e os responsáveis precisam ser chamados às falas.

“Na verdade, tem ocorrido, vamos dizer claramente, e aconteceu inclusive em processo de minha relatoria. Processos ocultos, que vêm como ocultos, e que vocês já sabem, divulgam no jornal antes de chegar ao meu gabinete. Isso tem ocorrido e precisa ter cuidado, porque isso é abuso de autoridade. É preciso repudiar isso de maneira muito clara”.

Questionado se as críticas se referiam à Procuradoria-Geral da República, Mendes disse que a declaração era destinada a qualquer envolvido com esse tipo de vazamento. ”Quem estiver fazendo isto está cometendo crime”.

Na verdade o constrangimento era grande com relação principalmente ao procurador Rodrigo Janot, responsável pelos pedidos de prisão.

Eles não têm ética

A sessão da última terça- feira no Conselho de Ética para votação do parecer sobre a cassação do deputado Eduardo Cunha exibiu uma verdadeira batalha de bate-boca e baixarias dignas de bordel de quinta categoria. 

Aos gritos de “vagabundo”, “ladrão”, “pilantra”, “patife”, “indecente” e “bandido”, o deputado Wladimir Costa (SD-PA) protagonizou um embate de baixo nível com Zé Geraldo (PT-PA). O parlamentar do Solidariedade pediu a palavra depois de ser citado pelo petista, que, como líder do partido no conselho, se pronunciou para rebater críticas de Costa ao PT. “O deputado Wladimir Costa, nem que ele lave a boca dele com soda cáustica, ele vai poder falar mal do PT. Está mais sujo do que pau de galinheiro, como se fala. Foi denunciado por malandragem, por falcatrua. É um picareta”, declarou Geraldo. Em sua reação, Wladimir, que chamou atenção na votação da admissibilidade do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, em abril, ao soltar um rojão de confetes no plenário da Câmara, bateu na mesa e provocou pedidos de calma por parte do presidente do conselho. Na verdade o que menos eles têm é ética.

No Senado, reação 

de cautela

Já no Senado alguns se declararam “perple-xos” com a notícia de que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, teria pedido a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do ex-presidente da República José Sarney e do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Para o presidente do Senado, Renan Calheiros,a ação de Janot é um “excesso” contra a Casa, que desperta “preocupação”. Ele garantiu que responderá ao ato apenas com silêncio.

“O meu silêncio será uma manifestação retumbante. Qualquer movimento que fizermos a mais parecerá que estamos danificando a se-paração dos poderes, que é fundamental para o equilíbrio nesse momento dramático da vida nacional. É preciso aguardar com serenidade e responsabilidade a manifestação do STF”.

O senador Romero Jucá lamentou não ter acesso aos detalhes do processo contra ele, o que classificou como uma “situação absurda”. “Esses fatos me levam a ser vítima de um processo a que não posso responder, porque até hoje não consegui acesso nem às gravações nem à delação do senhor Sérgio Machado. Só posso me posicionar na medida em que conhecer a situação, e infelizmente isso ainda não é possível. Vou aguardar com a tranquilidade de quem fala a verdade e confia na Justiça.

No plenário, corredores e gabinetes a reação, no entanto era de cautela e sinais de apreensão.

Presidente apavorado

Soube por fonte fidedigna que o presidente Michel Temer está a ponto de um ataque de nervos e tem se mostrado muito irritado a até agressivo. A pressão à qual tem se submetido e o risco do retorno de Dilma caso não ceda às barganhas de senadores ameaçando saltar do barco o tem deixado sem dormir. Esta semana, ao receber um grupo de aliados, alguns se dizendo “indecisos” como forma de pressionar, foi enfático: “ Então votem na Dilma”. De acordo com o relato de interlocutores diretos de Temer, o presidente interino está “exaurido” com o que definem como “chantagem explícita” de parlamentares que ainda não tomaram posição sobre o impedimento da petista. Bando de calhordas.


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