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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 874 / 2016

10/06/2016 - 19:34:50

Um governo de interesses

Claudio Vieira

Ao menos duas vezes escrevi, neste espaço, dizendo da minha opinião contrária ao impeachment da Sra. Dilma Roussef. Em uma delas (“Verdadeiro ou falso?” – 11 a 17/12/2015), reafirmava a minha opinião, explicando que, embora considerasse existentes motivos suficientes para o impedimento de presidente, entendia que o momento não era auspicioso para a Nação. Complementava, então, raciocínio anterior, segundo o qual substituir Dilma e o PT, por Temer e o PMDB, seria trocar seis por meia dúzia, ou seja, nada mudaria.

A presidente foi afastada provisoriamente, após um processo inicial cheio de percalços, de idas e vindas, permeado de interesses nada republicanos de ambos os lados. O recheio desse início foi, quase sempre, hilariante, graças aos argumentos contra o impeachment esposados por petistas de vários “coturnos”, inclusive da própria presidente e de seu mentor, o “honesto” Lula, e pelos seguidores do petismo. Davam eles conta de um suposto golpe de uma  oposição que pretendia ganhar o governo no chamado tapetão. Já próximo ao desfecho, a defesa de Dilma concentrava-se na afirmação de que o golpe consistiria em afastar uma presidente legitimamente eleita com mais de cinquenta milhões de votos, e substituí-la por quem não tivera voto algum. Os argumentos são absolutamente infantis e enganosos, mais dirigidos àqueles que a esquerda antiga denominava “inocentes úteis”, bem usados pelo petismo. Não resistem, porém a um questionamento mais sério. De fato, os cinquenta e tantos milhões de votos outorgados à presidente reeleita minguaram-se graças ao desmascaramento das mentiras que a fizeram vitoriosa. Ao final, a grande maioria da Nação a queria afastada. Por outro lado, afirmar que o sr. Michel Temer e o PMDB não tiveram boa parte daqueles votos, é tapar o sol com a peneira. Afinal, se o Temer foi convidado para vice-presidente foi porque o seu partido detinha algum apoio popular e o PT não tinha suficientes votos para fazer Dilma presidente. É raciocínio básico, e por isso os argumentos petistas não passaram de piada.

Agora, Temer e o PMDB assumem, ao menos transitoriamente, o governo. E como visto, as coisas continuam na mesma: o governo fatiou o poder sem critérios republicanos; políticos indesejáveis, por seu passado e folha corrida, assumiram postos de comando; os recuos constantes do governo fazem supor uma fragilidade que o desnatura e faz perder a confiança da Nação, se alguma existia; os escândalos de corrupção continuam a serem revelados, e atingem o cerne do governo. De bom até agora, apenas a presença de Meireles à frente do Ministério da Fazenda. No mais, os apoiadores de Temer apenas pensam em seus próprios interesses, quase sempre dissociados dos interesses da Nação brasileira. 

Como o petismo, é um governo de se temer.  

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