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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 874 / 2016

10/06/2016 - 19:33:06

Divagando com Renan

Alari romariz

Nos idos de 80 era membro do DCE (Diretório Central dos Estudantes) em Alagoas um jovem acadêmico de Direito, lutador, de boa fala e inteligente.

Voltei ao Nordeste e o moço já era deputado estadual: atuante, sabido. Incrível como o político cresceu! Chegou, pela primeira vez, à Presidência do Senado. Virou motivo de ciúme dos próprios amigos e teve que renunciar para não ser cassado.

De repente, a família inteira ingressou na política e Murici se transformou em reduto dos Calheiros. Quem não rezasse na cartilha deles estaria fora do sistema.

E venho insistindo em meus artigos a respeito do processo eleitoral corrompido espalhado pelo Brasil inteiro. Se o candidato não se envolvesse com empresas, políticos famosos, dificilmente se elegeria. Era preciso conseguir dinheiro. Obras superfaturadas geravam propinodutos para os caixas de campanha.

Mas, o PT dividiu o país em fatias e os partidos políticos da base de apoio ao governo eram donos delas. Petrobras, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Eletrobras, Eletronuclear, etc, tudo foi entregue aos políticos e aos intermediários. Entretanto, a Lava Jato apareceu e as pedras do dominó estão caindo.

Nesse cenário Renan foi crescendo, elegeu-se senador novamente e, aos trancos e barrancos, chegou pela segunda vez à Presidência do Senado, comprometido com anjos e demônios.

Resolveu fazer o filho governador de Alagoas. Mais uma vez, fez acordo com Deus e o diabo e, dizem as más línguas, gastou 43 milhões de reais para ganhar as eleições. Imenso acordão.

Um exemplo interessante foi o pleito em Paripueira. O prefeito apoiava o Biu de Lira. De repente, muda tudo. O que houve? E soubemos da resposta: Renan arranjou 25 milhões de reais para urbanizar a orla da cidade e aí o Renanzinho virou herói; venceu as eleições no pequeno município do litoral Norte. Coisas da política!  

Gostamos de acompanhar noticiários e ler revistas semanais. E víamos: começa a luta da Dilma para não cair; o Lula se expõe demais, diz bobagens e o Renan, que é do time, pouco fala. O que estará pensando? Vai apoiar quem?

O processo da queda de Dilma chega ao Senado e o Renan cresce, administrando com firmeza de magistrado a longa votação. Fiquei admirada e postei nas redes sociais: gostei, Renan!

No entanto, cheio de processos, mandando muito, chega a incomodar. Estouram as gravações de ex-amigos, denunciando fortemente o presidente do Senado. “Já são 9 processos contra ele”, dizem alguns. “Será o próximo a cair”, dizem outros.

Um homem que em Alagoas tem quase 100 prefeituras aliadas a ele, um filho governador, um irmão deputado estadual, outro prefeito de Murici e outro prefeito de Olinda, como conseguiu tudo isso? É mais inteligente do que os demais políticos ou teve mais acesso às verbas de campanha? Sua força gerou ciúme, inveja, dos pseudos amigos, que, agora querem derrubá-lo.

Na minha humilde situação de eleitora alagoana, imagino sempre como um político pode sustentar, por 10 anos, um amigo na Diretoria da Transpetro. É demais, meus leitores! Só muito conhecimento e muita negociação!

Viajei, faz um tempinho, de avião, ao lado do senador. Ele tinha feito acordo político com um péssimo deputado estadual. Perguntei-lhe: “Por que o Sr. se aliou a ele? Não o conhece?” E ele me respondeu: “Coisas da política”. E riu.

Talvez eu seja muito inocente, politicamente falando, mas sempre imaginei que, quanto maior o crescimento, maior seria a queda.

Na política existem poucos amigos. Tudo gira em torno de dinheiro, poder e apoio nas eleições. Agora, que o perigo se aproxima do presidente do Senado, ele vai ver, de perto, com quem contará. O amigo de longas datas já o denunciou. Os senadores que o elegeram para a Presidência do Senado, pularão do galho. A Justiça acelerará os processos lá guardados e poucos ficarão a seu lado.

E teremos outra “vítima” do sistema eleitoral corrompido que reina no Brasil.

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