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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 874 / 2016

10/06/2016 - 19:31:21

Um golpe de sorte

Jorge Moraes

Durante a semana participei de reuniões com algumas lideranças e, como acontece sempre, no intervalo para uma água e um cafezinho, alguém se saiu com essa: “Ouvi tanto falar em golpe, inclusive esse discurso era a maior e melhor desculpa da presidente Dilma, mas, agora, eu entendo o que é golpe”. E a pessoa continuou: “Golpe é sair, mesmo que temporariamente, do comando do governo, mas continuar morando em um Palácio, comida paga, com seguranças, empregados, carros com motoristas, avião com um batalhão de gente para lhe auxiliar nas viagens sem nenhum sentido, as contas pagas e receber salário, sem um dia de serviço prestado à Nação”.

Um dos presentes, entre uma conversa e outra e um gole de água, vaticinou: “Um golpe de sorte”. É isso aí. O companheiro estava prevendo ou adivinhando dias maravilhosos para a ex-presidente da República. E sabe por quê? É que serão 180 dias bem vividos pela presidente afastada. Dias de uma rainha, sem coroa. Enquanto ela conta com toda essa mordomia, comparada, apenas, aos reis, presidentes e pop star, o povo brasileiro continua “amargando o pão que o diabo amassou”.  

Com pena, o presidente do Senado da República, Renan Calheiros, resolveu deixar com a Dilma todas as benesses (benefício ou ganho; vantagem recebida sem trabalho ou empenho; gostava do chefe pelas benesses que recebia; ofício em que se recebe bem, mas se trabalha pouco, que não é o caso, porque ela não está trabalhando; lucro que não advém de trabalho ou esforço; circunstância vantajosa; aquilo que se oferece; que alguém pode pensar em conquistar na vida).

Para uma senhora que diz contar com uma trajetória política de perseguição, prisões e exílios, tudo isso que lhe rende uma gorda aposentadoria, não deveria aceitar uma aberração dessas (algo incomum, uma coisa fora do normal, o que não está nos padrões). E é exatamente isso que não está nos padrões normais, em relação à vida dos brasileiros.

Tendo como motivo tudo isso exposto acima, é que veio a inspiração para escrever o artigo desta semana. Verdade. A palavra golpe, o melhor do discurso encontrado pelo governo para sua defesa, defendido pelos parlamentares petistas e de partidos aliados na época da admissibilidade (aceitação para abertura do processo de impeachment), contra os argumentos daqueles (as) que defendiam o afastamento de Dilma Rousseff, pode ser, hoje, considerado mesmo um grande golpe. Um golpe de sorte para a presidente.

Sorte que não tem o brasileiro. Quando o profissional recebe um salário maior que a faixa do mínimo e recebe em dia, o dinheiro não chega ao mês seguinte, sem que ele não recorra aos cartões de crédito ou cheque especial, uma verdadeira armadilha. Quando é um trabalhador salarial, ou seja, da faixa do salário mínimo, só dá para uma semana, e fica se valendo do vale transporte e do ticket alimentação, isso quando a empresa não burla a lei, por questões financeiras, e libera os benefícios.

Portanto, meus amigos, isso é que é golpe. O resto é conversa fiada e que eles vão enfrentar, especialmente, na Operação Lava  Jato, entre eles, Dilma e Lula. Como único argumento encontrado para fazer a defesa da presidente Dilma Rousseff foi o golpe, não sendo suficiente para mantê-la no Poder, entendo, agora, porque eles lutavam e defendiam tanto a presidente afastada. Aos poucos, quase todos estão aparecendo nas delações premiadas dadas em troca de uma pena menor ou para se livrarem da cadeia. Por enquanto, está sendo só um golpe de sorte.

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