Acompanhe nas redes sociais:

22 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 874 / 2016

10/06/2016 - 18:44:12

Cinema de Arte de Maceió

DURANTE DEZ ANOS AS SESSÕES DE ARTE EXIBIRAM FILMES CLÁSSICOS NA TELA DO CINE SÃO LUIZ

Edberto Ticianeli Jornalista

O Cinema de Arte de Maceió surge no final dos anos 60 a partir de um núcleo de críticos da sétima arte que se formara poucos anos antes. O primeiro a escrever nos jornais da capital sobre cinema foi Regis do Amaral, como revela Elinaldo Barros em Panorama do Cinema Alagoano.

Outros dois pioneiros, Imanoel Caldas e Gildo Marçal Brandão, iniciaram em meados dos anos 70 o programa No Mundo da Sétima Arte pela Rádio Progresso, que ia ao ar às 18 horas do domingo. Os filmes eram discutidos pelos dois e havia informações sobre a programação dos cinemas, além de executar as músicas temas dos filmes.

Em abril de 1967, Imanoel, Gildo e Bezerra Neto procuram o então presidente do DCE da Ufal, Radjalma Cavalcante, para proporem à Empresa Luiz Severiano Ribeiro a criação de sessões especiais com filmes de arte. Segundo pesquisa do historiador Geraldo de Majella, a ideia foi apresentada por Imanoel Caldas.

A partir de então, todas as manhãs de sábado, às 10 horas, tinha um bom filme programado para Maceió. Foram dez anos de exibições na principal sala de cinema de Maceió, o Cine São Luiz. Nos meados dos anos 70, as sessões de arte passaram a ser exibidas às sextas-feiras, após às 22h30.

Majella, em artigo para o seu blog, esclarece que “a parceria firmada entre o DCE e a empresa definiu atribuições: a empresa, em conjunto com a comissão do cinema de arte, escolhia os filmes e custeava a publicação semanal da folhetaria distribuída na entrada, com uma resenha crítica escrita por Imanoel Caldas e Gildo Marçal, sobre o filme a ser exibido. O jornalista Bezerra Neto, no Jornal de Alagoas, onde trabalhava, realizava os comentários semanais”.

Após as exibições, ocorriam os debates sobre o filme. A presença do público cresceu tanto que foram criadas mais duas sessões no Cine Rex, que também era de propriedade da mesma empresa e ficava na Pajuçara.

Até 1976 vários filmes polêmicos ocuparam a tela do Cine São Luiz. Os debates eram acalorados e sempre escorregavam para denúncias contra o regime militar, que no período impunha uma brutal censura ao país. Não demorou para que e os militares pressionassem o Grupo Luiz Severiano Ribeiro para que acabasse com um espaço tão democrático em plena ditadura.

O cinema de arte surgiu por iniciativa dos irmãos Lafitte na França em 1904. O objetivo era o de levar os intelectuais ao cinema. Com o passar dos tempos, foi ganhando adeptos e passou a ser justificado comoexperiência estética de um cinema de vanguarda, buscando primordialmente a reflexão, valorizando a arte que vinha sendo rebaixada nas produções comerciais voltadas para um cinema como diversão e entretenimento.

Na fila

O engenheiro Aloisio Guimarães, em seu Blog Terra dos Xucurus, lembra um episódio sobre o Cinema de Arte de Maceió: 

Certa sexta-feira ia passar, na tal “Sessão de Arte”, um filme muito esperado: “Um estranho no ninho”, com Jack Nicholson (um filmaço!).

Era muita gente, principalmente estudantes, querendo assistir ao filme. As filas eram enormes e eu, como sempre, sendo o primeiro, esperando a bilheteria abrir, De repente, senti alguém bater no meu ombro e pedir:

– Aloisio, dá para você comprar o meu ingresso e o do meu namorado?

Olho para trás e quem é que eu vejo? Vejo a Priscila, colega de classe da Faculdade de Engenharia, que, até então, nunca tinha, nem ao menos, me dado um bom dia, apesar de já estarmos no 4° período!

Apesar da surpresa de descobrir que ela sabia o meu nome, a sua falta de cordialidade nos corredores e salas da universidade, somada ao ódio que tenho por quem se mete a furar filas, fez com que “eu juntasse a fome com a vontade de comer” e, vingativamente, além de não comprar os ingressos pedidos, aproveitei para dar o troco, em voz alta:

– Moça, o final da fila é lá atrás…

Não tenho certeza se nesse dia ela conseguiu entrar no cinema!

Fontes: Blog do Majella, Blog Terra dos Xucurus e o livro Panorama do Cinema Alagoano, de Elinaldo Barros, 2010

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia