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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 874 / 2016

02/06/2016 - 21:32:38

Rio São Francisco enfrenta pior seca de sua história

Desafios para enfrentar o assoreamento e a poluição da Bacia do Velho Chico foram debatidos em Belo Horizonte

Valdete Calheiros Especial para o EXTRA
Presidente do CBHSF, Anivaldo Miranda fala sobre os problemas do Rio São Francisco

Apenas 10% do Rio São Francisco é navegável atualmente e esse número tende a ser diminuido devido à grande seca que o Velho Chico está atravessando. Segundo Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia do Rio São Francisco, desde 2013 o Rio São Francisco enfrenta a mais prolongada seca de toda sua história. “E sem sinais de arrefecer nesse ano ou mesmo nos anos de 2017 e 2018”.

A sobrevivência do Rio São Francisco foi o tema central da coletiva concedida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), na cidade de Belo Horizonte (MG), a jornalistas das cidades brasileiras que compõem a Bacia. O encontro aconteceu na última terça-feira feira e foi o primeiro evento em alusão ao Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, comemorado nesta sexta-feira, dia 3 de junho.

Anivaldo Miranda afirmou ainda que, há 100 anos, os municípios de Petrolina e Juazeiro jogam esgoto diretamente nas águas franciscanas. “O ano de 2017 será um ano de grandes dificuldades para o Rio São Francisco. Por isso mesmo, sociedade e poder público devem se unir em torno das questões ambientais que não são cuidados exóticos, são ou pelo menos devem ser uma das prioridades sociais e governamentais”.

Para Renato Garcia, do Fórum de Pesquisadores do Rio São Francisco, é um esforço de guerra”. Isso porque, o Rio São Francisco está perdendo vazão há décadas e sem melhoria da condição hidroambiental, da recomposição da mata ciliar, combate à erosão, o limite do uso de agrotóxicos. 

Outro membro do CBHSF, Luiz Dourado, uma mudança substancial de cultura irá ajudar a salvar o Velho Chico. “O dinheiro público não pode ser aplicado somente em obras físicas, a questão ambiental é crucial”.

Alberto Simon, do Instituto Peixe Boi, chamou a atenção para a vazão de Sobradinho que está em torno de 30%, com expectativa de chegar a 10% até o final do ano.

Participaram da coletiva Silvia Correia Oliveira, pesquisadora da Univasf; Renato Garcia, pesquisador da UFMG; Marciel Oliveira, secretário do CBHSF; Anivaldo Miranda, presidente do CBHSF; Alberto Simon Schuartzman, diretor técnico da Agência Peixe Vivo eMárcio Pedrosa, coordenador da Câmara Consultiva Regional do Alto São Francisco.

Ainda dentro da programação do Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, pesquisadores de todo o Brasil e também do exterior, que desenvolvem estudos sobre a Bacia Hidrográfica do São Francisco estarão reunidos durante o I Simpósio da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que acontecerá, de 5 a 9 deste mês, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro, na Bahia e em Petrolina, Pernambuco.

De acordo com o CBHSF, o presidente da República em exercício, Michel Temer, já garantiu a retomada das obras de transposição do Rio São Francisco.

O RIO EM ALAGOAS

Em Alagoas, o Rio São Francisco banha 50 municípios, quase metade do Estado com suas 102 cidades. Dada sua extensão, se preservado, o Rio São Francisco é sinônimo de condições adequadas de vida, de riqueza, de progresso, de prosperidade.

O EXTRA  esteve em Belo Horizonte a convite do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), onde participou da coletiva da última quarta-feira.

Desde 2014, a campanha “Eu viro carranca para defender o Velho Chico” circula nas mídias com o intuito de promover a data e lembrar as preocupações do CCBHSF como a revitalização, a vazão consciente, um novo modelo e nova matriz energética, e o uso racional dos recursos hídricos.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) tem o objetivo de conciliar os interesses de quem utiliza as águas do Velho Chico com o objetivo de implementar a política de recursos hídricos aprovada em plenária, estabelecendo as regras de conduta em favor dos usos múltiplos das águas.

A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é um termo técnico para a unidade territorial em que se aplicam as políticas de recurso hídrico, além de representar o conjunto de riachos e córregos que formam o rio. 

O Rio São Francisco foi dividido em quatro regiões fisiográficas:Alto São Francisco (Minas Gerais), Médio São Francisco (Bahia), Submédio São Francisco (Bahia, Pernambuco e Alagoas) e Baixo São Francisco (Alagoas e Sergipe).

A divisão fez-se necessária para fins de planejamento e para facilitar a localização das suas muitas e diversas populações e ambiências naturais. A divisão se fez de acordo com o sentido do curso do rio e com a variação de altitudes.

Por nascer e desaguar em território brasileiro e ainda unir as regiões Nordeste e Sudeste, o Rio São Francisco é 100% nacional. Tanto que, há muito, é conhecido como o “Rio da Integração Nacional”. 

O “Velho Chico” vem sofrendo dia a dia com a quantidade de terra em seu leito d’água. O forte assoreamento nas águas franciscanas está diretamente ligado ao mau uso do solo e à degradação ambiental da bacia hidrográfica, que amarga intensos processos de desmatamentos, monoculturas e garimpos predatórios, além de construções irregulares em suas matas ciliares.

Como consequência do assoreamento, o rio fica cada vez mais raso. O desgaste acarreta perdas significativas à navegabilidade, aos pescadores, às comunidades tradicionais e aos demais ribeirinhos que têm o Velho Chico como fonte de vida.

Para minimizar esses efeitos, o CBHSF vem executando obras de recuperação hidroambiental que priorizam técnicas como o cercamento de nascentes, adequação de estradas rurais, construção de curvas de nível e paliçadas, bem como o envolvimento da população local em trabalhos de mobilização social e educação ambiental, incluindo replantio de espécies nativas. Ao todo, já foram investidos cerca de R$21 milhões em 43 projetos espalhados pelos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

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