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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 874 / 2016

02/06/2016 - 21:17:55

Eucalipto vira frustração para investidores de Alagoas

Com A CRISE NO grupo que arrendou grandes áreas, produtores ficaram sem mercado E com AS terras ocupadas pelas florestas

Maria Salésia [email protected]

A opção do eucalipto como alternativa para a cana-de-açúcar em Alagoas se revelou, até agora, uma grande frustração para os empresários que embarcaram nessa aventura. Com o ciclo do açúcar preste a chegar ao fim, a troca da cana pelo eucalipto foi vendida como a grande esperança para o estado. A promessa de mercado garantido com preços compensadores tornou-se um forte atrativo e muitos agricultores apostaram na novidade. 

Em menos de cinco anos os canaviais deram lugar às florestas de eucaliptos projetando um novo ciclo econômico para Alagoas. Mas antes mesmo da primeira colheita a frustração bateu à porta dos fazendeiros que embarcaram no que acreditavam ser um novo negócio da China. 

É que o grupo paulista ERB - Energias Renováveis do Brasil - que incentivou o cultivo do eucalipto e investiu pesado no negócio, entrou em crise econômica e pediu recuperação judicial, a antiga concordata. Sem condições de pagar o arrendamento de grandes áreas através de contratos de 10 anos, a empresa desistiu do negócio, deixando os investidores apreensivos.  

O projeto previa o uso do eucalipto como biomassa para produção de energia e instalação de um pólo moveleiro que iriam garantir a viabilidade do negócio. Com a crise enfrentada pelo  grupo paulista (ERB),  os produtores que arrendaram suas fazendas ficaram sem mercado e com as terras ocupadas pelas florestas de eucaliptos. A situação piora porque eles ficaram sem ter a quem vender a madeira e sem dinheiro para investir em outra atividade econômica.

O fiasco do projeto eucalipto remete a um pesadelo que ficou conhecido como “Golpe do Avestruz”, que lesou milhares de agricultores pelo Brasil afora, inclusive em Alagoas. Alguns investiram tudo o que tinham e o que foi vendido como grande negócio virou um grande pesadelo.

Foi a partir de 2012 que a paisagem de Alagoas começou a mudar com as plantações de eucalipto em vários municípios das regiões da Mata e do Litoral do Estado. Quem passa por Viçosa, Capela, Atalaia e alguns municípios litorâneos percebe a troca da lavoura canavieira pelo eucalipto. Aos poucos, a cana vem dando lugar a  exuberantes florestas de eucalipto.

Apesar das vantagens alegadas, a opção do eucalipto como alternativa à cana de açúcar é contestada por engenheiros agrônomos e ambientalistas. Para estes especialistas em monocultura, o eucalipto é danoso ao meio ambiente e emprega pouca mão-de-obra no campo. Alegam que além de exaurir toda água da terra, o plantio de eucalipto é tido como “floresta morta”, por afugentar toda espécie de aves, animais, insetos e demais formas de vida. 

Segundo um dos arrendatários de terras - que não quis se identificar - o negócio não deu certo por vários motivos, mas ainda acredita no projeto do eucalipto. Ele disse que a possibilidade de voltar à parceria com a empresa é pequena, pois assumiu o plantio e já está fazendo os investimentos necessários para o crescimento da floresta. 

Segundo ele, o problema se agravou quando um dos sócios da ERB, o Banco Espírito Santo, de Portugal, que tinha um braço que atuava atuava na área de energia, decidiu retirar os investimentos nesse setor. Essa decisão levou a ERB a entrar em dificuldade. 

Ele acrescenta que apesar dos problemas com o grupo paulista, a cogeração de energia a vapor a partir de eucalipto já é uma realidade, e não apenas um projeto piloto. Sem esquecer que o cenário econômico brasileiro teve uma grande piora nos últimos 12 meses, forçando os empreendedores a repensarem seus investimentos para se ajustar à nova realidade. 

“Um ponto importante é que o financiamento que viabilizaria o projeto em Alagoas não foi aprovado nos moldes planejados inicialmente”, disse o empreendedor que firmou contrato com a ERB em 2013. “Não me arrependi de ter feito a parceria com eles, porque foram muito direitos em tudo que foi acordado”. 

o que diz a eRB 

Ouvido pelo jornal EXTRA, o grupo ERB enviou a seguinte nota: “Alagoas é uma região com condições propícias à cultura do eucalipto, como demonstra a elevada produtividade das florestas plantadas no Estado. A ERB detém um projeto de cogeração de grande porte em Candeias, área de influência do litoral norte da Bahia, também à base de eucalipto, em operação desde 2014 com condições de produtividade similares, confirmando desta forma, o potencial da macro região.

 As condições favoráveis a essa cultura em Alagoas, tornam possível o suprimento de energia renovável às indústrias por meio da instalação de plantas de cogeração à base de eucalitpto. Mas essa implantação depende de financiamento de longo prazo – o que não ocorreu nos moldes planejados para viabilidade da operação em Alagoas.

Vale, no entanto, destacar que, apesar do momento de incertezas econômicas, a cogeração de energia e vapor a partir de eucalipto já é uma realidade no País. Há projetos em operação no Brasil, inclusive um na indústria petroquímica como o da própria ERB em Candeias, na Bahia para fornecimento de energia e vapor. Além disso, a geração de energia a partir do eucalipto vem se consolidando como oportunidade econômica e operacional viável, dados estes confirmados no leilão de energia, realizado em abril passado, em que 25 projetos de energia a partir de madeira foram inscritos, sendo que dois saíram vencedores.

 Por fim, acrescentamos que frente aos pontos colocados, a ERB decidiu por não dar continuidade no momento ao projeto em Alagoas. A empresa vem buscando junto aos proprietários locais soluções para destinar a madeira de produção futura para o atendimento à demanda de mercado para outras aplicações e destinos”.

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