Acompanhe nas redes sociais:

23 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 873 / 2016

31/05/2016 - 11:48:23

É melhor prevenir

Alari Romariz Torres

No Brasil o dinheiro público passou a ser privado. Os políticos, com raras exceções, usam as verbas públicas como se fossem deles.

O sistema eleitoral é péssimo: as arrecadações em empresas estatais são o alimento mais importante dos pleitos. Quem consegue tirar altos valores da Petrobrás, BNDES, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, ou de quaisquer entidades federais, com certeza, ganha as eleições.

Já se tornou tão normal que a mídia informa, na época, quem gastou e o quanto gastou em suas campanhas.

Eleitos, eles, os políticos, vão viver o máximo de seus egos: gerenciar as verbas públicas.

Os administradores de determinados Poderes usam e abusam do duodécimo recebido: cortam salários, pagam cem por cento de gratificação a centenas de assessores, contratam auditorias a preços elevadíssimos e praticam atos que assustam a própria Justiça.

Está se tornando hábito rotineiro no Tribunal de Justiça de Alagoas o ingresso de ações judiciais contra a Mesa Diretora do Poder Legislativo. 

Um fato considerado normal, como o pagamento do terço de férias a servidores estáveis, vira caso de Justiça. Os gestores chegaram ao cúmulo de juntar quinze períodos de férias sem o devido pagamento. E um membro da Mesa anterior dizia em tom jocoso: ¨Para que pagar férias se vocês não trabalham?¨

As vítimas foram se organizando em pequenos grupos e reclamando ao TJ. Estouram, no momento, várias decisões positivas e a ALE está calculando para pagar.

Os velhinhos aposentados, convivendo com doenças graves, pedem isenção do imposto de renda. O 1º Secretário coleciona processos, senta em cima e não paga.

A Previdência Social tem várias maneiras de calcular o pagamento dos inativos. Só se descobre o erro se o idoso reclamar por escrito, ao Departamento de Pessoal. O acumulado do erro gera novo processo e a banqueta do deputado Isnaldo cresce um pouco mais. Se alguém reclama, ele diz: ¨Vou ver. Aguarde¨.      

Os servidores ativos, inativos e pensionistas tiveram direito desde 2013 a 30% de reajustes devidamente atrasados. A Mesa pagou 15% parceladamente e os outros 15%, que deveriam ser pagos a partir de janeiro de 2015, foram esquecidos. Reuniões, diálogos, ameaças, de nada serviram. Mais uma vez, fomos nós ao TJ. Ganhamos por unanimidade! Não pagaram; embargaram. Derrubamos o embargo! A Justiça determinou o bloqueio de parte do duodécimo da ALE. E eles continuam sem querer pagar! Só falta o TJ decretar a prisão da Mesa!

Alguns servidores estão reclamando, individualmente, ao TJ. É mais fácil, acham. E o Legislativo já serve de piada à população: ¨Ele paga salários dobrados a mais de 800 comissionados!¨ Dizem as más línguas: ¨Cada deputado tem uma cota mensal¨. Difícil de provar.

Aí, fico pensando com meus botões: não seria mais fácil administrar seguindo as leis, do que jogar os problemas para a frente?

Um fato inédito aconteceu: num determinado mês, a Mesa Diretora pagou metade do terço de férias aos funcionários ativos. Duas dúvidas: existe o pagamento de metade do terço de férias em qual lei? Se todos os servidores estáveis gozaram seu período de férias na mesma data, a Assembleia fechou?

Coisas tão simples que poderiam ser resolvidas calmamente, são ¨empurradas com a barriga¨ até se transformarem em brigas judiciais.

Os direitos mínimos da categoria não são respeitados: férias, tempo de serviço, enquadramento. O duodécimo do Legislativo só cobre, praticamente, as despesas com os deputados e 800 assessores. Ativos, inativos e pensionistas são desrespeitados e a dívida cresce mais.

Seria mais fácil prevenir do que remediar e não ficar exposto aos risos da sociedade. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia