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Edição nº 873 / 2016

31/05/2016 - 11:46:48

Carta de ex-comissária da Varig

Jorge Morais

Circula pela internet, por meio de suas redes sociais, um texto redigido por uma ex-comissária da extinta Varig, Angel Nunes, referindo-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o principal responsável pela falência da empresa aérea gaúcha. Em seu texto, relata sofrimento, vergonha, aflição, angústia, direitos negados, ansiedade, esperança, conforto, e tantos outros adjetivos. Um texto de uma pessoa com crise assistencial e moral.

Começa assim: “Lula, a sua prisão nunca trará de volta os sonhos que perdi. Os anos que envelheci. As lágrimas que chorei. As noites que não dormi. A casa que não comprei. O conforto que não usufrui. A paz que me deixou. A preocupação, a ansiedade, a depressão, por medo do mês seguinte. As doenças somáticas que adquiri. A suspensão de todo e qualquer lazer. E tudo que não pude dar aos meus filhos.

Quando você não pagou à Varig a quantia bilionária que devia. Quando você bateu a porta do BNDES na nossa cara, nos negando crédito, enquanto financiava o metrô de Caracas. Quando você não nos recebeu ou nos ouviu. Quando você não se importou ou se interessou pelos destinos das milhares de famílias dos funcionários.

Quando todos os setores do governo e da imprensa caçoavam de nós, dizendo que éramos maus gestores e estávamos pagando o preço, sem que dessem a saber que havia uma dívida ganha na justiça que até hoje não foi paga. Você quis nos quebrar para se locupletar. Tinha poder e conseguiu! A sociedade nunca saberá a realidade dos fatos nem a desgraça que foi para as nossas vidas te ter como presidente. Foi e é, pois sua pupila reza na mesma cartilha.

Você passará vergonha, mas não passará necessidade como nós passamos. Você terá seu orgulho quebrado, mas não se atirará do décimo andar ou dará um tiro na cabeça como alguns de nós que se suicidaram. Você será desprezado, mas nunca sentirá o desespero de ter um poder monumental, o poder de um governo, te massacrando, te tirando o pão da boca e da boca de seus filhos.

Em memória a todos que partiram em aflição e em honra daqueles que continuam cambaleantes, batendo com o braço fraco, mas persistente, nas portas do intrincado judiciário brasileiro, onde teus seguidores recorrem protelatoriamente sem nos pagar, para que morramos um por um sem receber nossos direitos trabalhistas e previdenciários.

Pois bem, de 2006 pra cá, 1200 de nós já morreram, mas 8800 continuam lutando. Somos teimosos e orgulhosos da nossa história, de nossas honradas profissões, e do patrimônio histórico que representaremos sempre na aviação brasileira. Não seremos ressarcidos nunca. Somos pessoas de bem. Não nos dá prazer o seu mal. Tudo que queríamos era um homem bom e justo como presidente. Tudo poderia ter sido diferente para nós. Tudo poderia ser diferente para você. Mas, a escolha foi sua. Que a justiça seja feita. Ainda que parcial”.

De 1927 a 2006, a Viação Aérea Rio Grande do Sul (Varig) foi uma das mais importantes companhias a voar e cortar o espaço aéreo brasileiro de Norte a Sul, e demais regiões deste imenso País. Sempre foi tratada e respeitada em todo o mundo, como uma das mais importantes empresas do ramo. Conseguiu superar todas as crises internas, sendo a mais importante da aviação nacional que ainda contava com a Viação Aérea São Paulo (Vasp) e a Transportes do Brasil (Transbrasil), todas levadas a falência.

Não me pergunte quem foram os responsáveis por essa quebradeira em cadeia. Se o governo, que não colaborou; se as administrações que foram ruins; se houve interesse em benefício de alguém; se gente saiu ganhando com esse sumiço de Varig, Vasp e Transbrasil. Só sei que, naquela época, éramos felizes e não sabíamos. Se a moça ex-funcionária tem razão ou não, só a história pode contar, mas que foi muito estranho lá isso foi.  

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