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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 873 / 2016

28/05/2016 - 16:10:38

Jorge Oliveira

A cultura aparelhada

Jorge Oliveira

Atenas, Grécia - A reação dos militantes ressentidos do PT já era esperada. Eles ainda vão espernear por muito tempo. À medida que estão sendo desalojados das boquinhas públicas cresce a vontade de atear fogo ao país. Afinal de contas, foram mais de 10 anos mamando nas tetas do governo, realizando negócios escusos e aparelhando o Estado. O resultado de tudo isso foi o surgimento da maior organização criminosa do Brasil. Dois tesoureiros petistas na cadeia e um na bica de também ser preso, o ex-ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. Zé Dirceu, o maestro do esquema, voltou para a cadeia e agora foi novamente condenado a 23 anos de prisão. E os grandes empresários, cúmplices de toda bandalheira, também estão amargando seus dias na cadeia. É natural que os desempregados petistas reajam de forma violenta a qualquer tipo de mudança institucional. Afinal de contas, como são desqualificados, certamente não vão conseguir emprego facilmente na iniciativa privada. Os mais exaltados, como era de se esperar, são aqueles que perdem os salários milionários e as negociatas nos ministérios. Agora, desolados, tentam de todas as formas reorganizar grupos para desestabilizar o governo e promover badernas. O eco dos ressentidos ainda será ouvido por todos os cantos, estimulado pelos pelegos da CUT que transformaram as entidades de classe em centrais de propaganda fascista com dinheiro da contribuição sindical. 

Os petistas do fundamentalista Rui Falcão estão atentos a tudo. E se o Temer vacilar, eles vão para o ataque. Veja o que acontece com a ocupação do Ministério da Cultura nos estados. Alguns dos invasores condenam o governo peemedebista de destroçar a cultura com o fim do ministério. Acusam o novo governo de tentar acabar com a arte, o cinema, a literatura. É claro que a medida é impactante, mas  não é o fim do mundo. A cultura desaparelhada, se tiver apoio do governo, certamente vai contemplar igualmente aqueles que nunca tiveram acesso a recursos públicos porque não rezam na cartilha petista. A cultura da república sindical mostrou-se um desastre. O orçamento do ministério, segundo a própria Dilma, era de 1%, insignificante para a demanda, quase todo direcionado aos apadrinhados do PT.

É inconcebível, por exemplo, que filmes de chanchadas patrocinados pela Globo Filmes cheguem ao mercado incentivados pelo dinheiro público da Ancine. E que esse mesmo dinheiro tenha foco na produção dos filmes dos simpatizantes lulistas. O mercado cinematográfico brasileiro ainda está engatinhando porque o incentivo que chega ao cinema não é para capacitar os produtores, mas para compensá-los por agir como petista, pensar como petista e serem amigos de petistas. Não se trata de combater o incentivo, o que se discute aqui é como esse dinheiro deve chegar, sem intermediários, ao mercado cinematográfico, ao teatro e às artes de modo geral.

Por que os filmes incentivados têm que cobrar ingressos já que recebem dinheiro público para serem realizados? Por que então não chegam aos cinemas com preços mais baixos, já que foram subsidiados, para que mais gente tenha acesso às salas? Por que uma quota desses filmes não é destinada gratuitamente para  as comunidades pobres? Por que até agora o acesso aos recursos da Ancine não foi democratizado de forma a contemplar o cinema sem discriminação ideológica e partidária? Na Argentina, vanguarda de filmes de qualidade, o dinheiro chega aos produtores por um fundo que administra um percentual dos ingressos vendidos. O governo não é tutor, apenas fiscaliza.

eestruturada

A EBC, é o que se espera do novo presidente, vai ser reestruturada. Laerte Rímoli saberá escolher entre os profissionais competentes e os militantes que ainda vivem lá dentro como se estivessem numa célula política agitando a bandeira vermelha do PT. Os cabeças brancas estão acertando nas indicações para o setor de comunicação. Outro bom exemplo foi a convocação do jornalista e diplomata Pedro Luiz Rodrigues para gerenciar a comunicação internacional do governo.

Serrote

Ao passar o serrote no ministério, sem uma discussão ampla com os gestores sérios e apartidários da cultura no Brasil, Temer deu aos militantes petistas o pretexto que eles queriam para fazer protestos contra o governo nos festivais de cinema do mundo, a exemplo do que ocorreu no FESTin, de Lisboa, e em Cannes, na França, onde eles chegaram às custas do dinheiro público.

Criação

Alojar a cultura na Educação, em princípio, parece uma decisão coerente, desde que não se mexa nos avanços conquistados nos últimos trinta anos quando o ministério da foi criado por Sarney. Veja que interessante: um presidente conservador, mas que tinha visão ampla da cultura e da sua importância no país. Mesmo assim, o ministério nunca foi prestigiado por nenhum governo, especialmente os do PT.

Limitações

Quem trabalha na produção de cinema no Brasil sempre teve dificuldade em realizar projetos se não se adequasse aos mandamentos petistas, em um setor aparelhado e discricionário. O ministério da Cultura e seus órgãos foram ocupados por militantes desqualificados e ideológicos que tinham rancor de quem não lesse na cartilha deles. O critério para aprovação de qualquer proposta na área sempre foi o partidário, o que restringiu o mercado cinematográfico a alguns “iluminados” , partidários do lulismo, para quem faziam orações diárias sempre de olho no caixa da Ancine.

Novo modelo

É preciso desaparelhar o Estado, torná-lo mais amplo, despolitizá-lo. Criar mecanismo para que todos que fazem cultura no Brasil, independente de partido e de cor ideológica, tenham as mesmas oportunidades. Não é um prédio ou o fim de uma nomenclatura que vai impedir que o país se abra para o mundo. O Brasil precisa, de verdade, de gente que pense um novo modelo para a cultura sem o peso da mão de ferro ideológica.

Resistência

Não conheço o jornalista Ricardo Melo, o ex-presidente da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação - que ameaça entrar na justiça para ser readmitido alegando que seu mandato é de quatro anos. Mas acho um desaforo a Diretoria Executiva da empresa se manifestar de público para garantir o emprego dele. A lei prevê que o mandato é de quatro anos. Mas ela não diz em momento algum que o cargo é irremovível, portanto, cabe à Presidência da República revogar o ato quando bem quiser. Aliás, está na hora de desaparelhar a EBC que se transformou no maior cabide de emprego público do país.

Militantes

A diretoria da EBC, formada por militantes petistas, exige a recondução de Melo à presidência como se a empresa fosse propriedade desse grupelho que não só se apoderou dos cargos como alguns de seus jornalistas viraram porta-vozes do PT. Esquecem, entretanto, que a petezada, quando assumiu o governo, desrespeitou diretores das agências reguladoras pressionando-os a abandonaras funções mesmo protegidos pela imunidade já que seus nomes tinham sido aprovados pelo Congresso Nacional.

No buraco

No governo petista a EBC foi parar no fundo do poço. Os profissionais mais antigos, que não rezavam na cartilha do partido, foram perseguidos, discriminados e muitos demitidos. Distribuiu-se  cargos de chefias a profissionais desqualificados e incompetentes cujos currículos foram forjados nos comitês de propaganda petistas. Muitos de seus diretores eram notoriamente militantes que passavam o tempo ocioso pendurados na rede social fazendo campanha da Dilma e denunciando como golpe o impeachment assegurado pela Constituição.

Perspectiva

A notícia de que o jornalista Laerte Rímoli foi escolhido pelo governo para assumir a presidência da EBC  alvoroçou o mercado editorial. Poucos profissionais no Brasil têm o currículo dele. E poucos conhecem tão bem de jornalismo como Rímoli. A sua indicação para a EBC é sinal de que o governo pretende democratizar a informação e dará à notícia a imparcialidade universal, pondo fim às informações tendenciosas da empresa.

Competente

Laerte Rímoli tem uma carreira invejável. Trabalhou em todas as grandes redações do país. Por onde passou deixou bons amigos e marcou sua trajetória pela eficiência e capacidade de trabalho. Ao contrário de outros presidentes que passaram pela EBC apenas por indicações políticas, Rímoli chega à principal agência de notícia do governo pela experiência que acumulou no jornalismo ao longo das últimas décadas.

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