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Edição nº 873 / 2016

25/05/2016 - 18:54:06

Bergson Toledo entra na disputa para diretor-geral da PF

Associação elegerá três nomes para apreciação do presidente Michel Temer

José Fernando Martins Especial para o EXTRA
Quatro vezes superintendente, Bergson Toledo pode vir a ser diretor-geral da Polícia Federal

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) anunciou os dez Delegados Federais candidatos à Lista Tríplice que vai sugerir ao Governo Federal o nome do novo escolhido para cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal. A decisão final ficará a cargo do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSBD), e do presidente interino Michel Temer (PMDB). Entre os nomes na disputa está o do delegado alagoano Bergson Toledo, que tem mais de 40 anos de trabalhos prestados à corporação. O pleito para a escolha dos três nomes será realizado no dia 30 de maio e a divulgação da lista está marcada para o dia 1º de julho. 

Natural de Igaci, Toledo é delegado da Polícia Federal desde 1982 e já trabalhou em Pernambuco, Amazonas, Ceará e Brasília, na sede da Polícia Federal. Superintendente regional em Alagoas por duas oportunidades, participou como diretor da Divisão de Polícia Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras (DPMAF), atual Coordenação-Geral de Polícia de Imigração (CGPI), e foi adido policial junto à Embaixada do Brasil no Paraguai. Como superintendente regional coordenou a operação “Gangue Fardada”, que foi desbaratada em julho de 1997. Na época uma grande operação das policiais Federal, Civil e Militar resultou na prisão de 32 pessoas, a maioria militares e ex-militares da Polícia Militar de Alagoas.

“Eu fui o terceiro a me colocar à disposição da associação para concorrer à vaga de diretor-geral. Sugeri meu nome porque sou um dos decanos da PF e também pela experiência de ter passado quatro vezes por superintendências regionais. Creio que posso ajudar muito a parte administrativa da corporação viabilizando melhor os recursos e orçamento para a Polícia Federal. Para isso é preciso saber ouvir os servidores. Nunca tivemos o direito de diálogo com a administração central”, declarou o delegado ao EXTRA Alagoas.  

Sobre os recentes trabalhos da Polícia Federal na Operação Lava Jato, Toledo disse que a investigação que já enjaulou empresários e políticos será um divisor de águas na instituição. “É um marco histórico na PF. Houve uma recepção muito boa para o povo, que sentiu que o Brasil precisava de um trabalho dessa ordem. Isso é importante porque vai dar um sentimento de mudança aos eleitores. Será diferente daqui para frente”. 

A escolha está apenas na fase inicial, quando os interessados apresentam seus nomes para a votação da categoria. Além de Toledo, a lista conta com outros nomes de peso, como a delegada Érika Marena, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, no Paraná. Também disputam o delegado Rodrigo Teixeira, subsecretário de Defesa Social de Minas Gerais; Marcelo Freitas, chefe da delegacia da PF em Montes Claros (Norte de MG); Gesival Gomes, que chefiou a delegacia em Santos (SP); William Nascimento, chefe da delegacia de Divinópolis (MG); Luiz Carlos Cruz, diretor-regional da ADPF no Rio de Janeiro; José Roberto Sagrado, de Palmas (TO); Márcio Virgilio de Faria, de Mato Grosso; e Jerry Antunes de Oliveira, de Sorocaba (SP).

A indicação do diretor-geral por lista tríplice é uma das bandeiras da ADPF, prevista na PEC 412/2009, que trata da autonomia da Polícia Federal. Apesar do desejo dos delegados, o sistema atual prevê que a escolha é feita diretamente pela Presidência da República, após o indicado passar pelo crivo do ministro da Justiça. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, já declarou que manterá o atual diretor-geral, Leandro Daiello, no cargo desde 2011. No entanto, a associação defende que o diretor-geral da PF tenha um mandato de três anos,  com a possibilidade de apenas uma recondução. Eles afirmam que esse modelo fortalece a instituição contra as interferências políticas. 

POLÊMICA

A elaboração da lista tríplice encontra resistência dentro da própria corporação. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) informou, por meio de nota, que a pretensão da ADPF tem o propósito de “tumultuar e criar um clima de instabilidade dentro do órgão”. A entidade alega que esse tipo de seleção é “um instrumento que existe para escolha dos representantes dos poderes da República, diferentemente da Polícia Federal, que é um departamento que integra a estrutura do Ministério da Justiça”.

De acordo com a nota, “ainda que esse procedimento de escolha por meio de lista tríplice pudesse ser feito no Departamento de Polícia Federal, não poderia a seleção ser realizada pela associação, pois é um ente privado, que não tem representatividade sobre todos os cargos do órgão, atributo este inerente unicamente à Federação Nacional dos Policiais Federais, que é a entidade nacional com legitimidade constitucional para representar todos os cargos da carreira policial federal”.

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