Acompanhe nas redes sociais:

20 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 872 / 2016

24/05/2016 - 08:11:22

Afundamento do Itapagé na 2ª Guerra Mundial

SUBMARINO ALEMÃO U-161 AFUNDA PAQUETE BRASILEIRO NA COSTA ALAGOANA EM 1943

Edberto Ticianeli Jornalista
Submarino U-161 sendo bombardeado por avião Catalina

Após o Brasil ter aderido aos compromissos da Carta do Atlântico, em 28 de janeiro de 1942 – acordo que previa o alinhamento automático com qualquer nação do continente americano que fosse atacada por uma potência extracontinental –, submarinos alemães e italianos, em represália, iniciaram o torpedeamento de embarcações brasileiras no Oceano Atlântico.

Os primeiros navios atingidos foram o Cabedelo, que desapareceu depois de partir dos Estados Unidos em 14 de fevereiro de 1942; Buarque e Olinda (em 14 e 18 de fevereiro de 1942, respectivamente); Arabutan (7 de março de 1942); Cairú (8 de março de 1942) e Parnaíba (1º de maio de 1942). Na costa brasileira, o primeiro ataque foi ao Comandante Lira, que mesmo atingido, conseguiu escapar dos ataques realizados pelo submarino italiano Barbarigo.

Dos 1.168 submarinos alemães que combateram durante a Segunda Guerra Mundial, pouco mais de 150 estiveram em nossas águas. O submarino que atacou o Itapagé foi o alemão U-161, comandado pelo capitão Albrecht A. Achilles.

O torpedeamento do Itapagé

O Itapagé era um navio classificado como “paquete” que transportava carga e passageiros. Foi construído em 1927 no estaleiro Chantiers de Normandie, que fica próximo à cidade de Rouen na França. Seu proprietário era a Companhia Nacional de Navegação Costeira.

No dia 26 de setembro de 1943, o Itapagé vinha do Rio de Janeiro para Recife e navegava pelo litoral de Alagoas a 9 milhas da costa. Quando estava próximo da Lagoa Azeda em Jequiá da Praia, às 13h50, foi atingido por torpedos disparados de um submarino alemão.

Embora tivesse capacidade para transportar 271 passageiros, nesta viagem trazia somente 37 passageiros e 70 tripulantes, além de muita carga. Dos 37 passageiros, cinco eram crianças. Na carga, dois caminhões de três toneladas e duas mil caixas de cerveja.

Segundo matéria da Gazeta de Alagoas do dia 3 de outubro de 1943, quatro minutos após as explosões, o navio já tinha submergido. Com o mar agitado, somente dois dos quatro botes salva-vidas foram utilizados. 

Os náufragos em pânico e confusos não sabem como agir. Para piorar, em meios aos destroços emerge o submarino alemão bem próximo onde estavam os barcos salva-vidas. “Sobre seu bojo apareceram quatro homens loiros, sem dúvidas alemães, vestindo calções pretos, acenando, em gargalhadas, para os náufragos”, descreve a reportagem da Gazeta de Alagoas, revelando ainda que eles chegaram a fotografar o local da tragédia.

Durante alguns minutos, os sobreviventes temeram ser metralhados, como já tinha acontecido em outros afundamentos à exemplo do Baependi. O submarino submergiu mais duas vezes, mas não atacou os sobreviventes. 

Morreram 18 tripulantes e nove passageiros nunca mais foram encontrados, ente eles, duas crianças. Os hospitais receberam 22 feridos. Ainda segundo a reportagem da Gazeta de Alagoas, o auxílio que os náufragos receberam da tripulação e de alguns pescadores foi fundamental para diminuir a quantidade de mortos. O segundo-maquinista do Itapagé, João Soares Pinho, afirmou que se “tivesse sido à noite, todos teriam perecido, mesmo os que sobrevivessem nas baleeiras, pois não contariam com o auxílio providencial dos pescadores de São Miguel dos Campos”.

Submarino alemão 

também afundou

Com a crescente presença de submarinos alemães na costa brasileira, os navios mercantes passaram a receber armamento e utilizar o sistema de comboios. Como resposta, também foi criada a Força do Atlântico Sul, com sede em Recife.

Bases de apoio foram instaladas, sendo as maiores em Natal e Fernando de Noronha. Os patrulhamentos aéreos começaram a ser mais efetivos já no final de 1942. Eram grupos de seis a oito aviões americanos e da FAB fazendo a varredura naval. Esses grupos foram reforçados com a presença de embarcações americanas. Com estes patrulhamentos e mais a decifração de códigos, logo vários submarinos alemães foram afundados no Atlântico Sul. 

O submarino U-161, que afundou o Itapagé em Alagoas, e já tinha também afundado o Ripley no Ceará e o Sant Usk na Bahia, foi uma das vítimas das ações de defesa da costa brasileira.

No dia seguinte ao afundamento do Itapagé, o U-161 estava a acerca de 200 quilômetros da Praia do Conde, na Bahia, quando foi atingido ao amanhecer por um Catalina PBM Mariner do esquadrão VP-74 da Força Aérea norte-americana, que tinha decolado da base aérea de Salvador para missão de patrulhamento.

O avião, ao tentar se aproximar, foi recebido com um intenso fogo antiaéreo, que atinge o interior do aparelho e fere diversos tripulantes. Em resposta, o Catalina despejou seis bombas de profundidade que atingiram o submarino. Em seguida, lança mais duas cargas de profundidade. O submarino reduziu sua velocidade e alguns minutos depois submergiu rapidamente desaparecendo. A tripulação, que não escapou, era composta por 53 militares.

Fontes: Participação de Alagoas no “Trampolim da Vitória” – 2ª Grande Guerra Mundial – 1941-1945, de Mário Carvalho Lima, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Volume XXXIII, 1977; Site Naufrágios e Wikipédia.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia