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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 872 / 2016

24/05/2016 - 08:08:56

Quando voltarão?

Alari Romariz Torres

O papel mais importante na vida da mulher é ser mãe. Pelo menos, para a grande maioria, penso eu.

     Quando nasceu minha primeira filha senti imensa alegria. Não me preocupei com o sexo. O importante era saber se vinha normal e saudável. Vieram mais três; foi a mesma sensação. Posso dizer que tive sorte!

Aí, fico imaginando o que se passa na cabeça de uma mãe que tem um filho “diferente”: vale lutar por ele, amá-lo e ajudá-lo a vencer os obstáculos que aparecerão pela frente. Sempre pensando positivamente!

De outra maneira, passo a pensar no sofrimento de uma mulher, cujo filho já nasce morto. Meus pais passaram por duas difíceis situações: perderam um filho com três meses de nascido e outro já nasceu morto. Dizia meu velho pai: “A dor é indescritível! Só quem passa, pode imaginar”.

 Perder filhos é um fato muito triste! Leio nas revistas reportagens a respeito de crianças vítimas de balas perdidas. No Rio de Janeiro, de vez em quando, uma criança está brincando na porta de casa e cai morta. Ninguém sabe quem matou: foi a polícia, foram os traficantes? Só sabemos que a criança morreu. E a família vai enterrar seu corpo.

Impressiona-me a força com que chamamos nossos filhos de crianças. Não importa se já cresceram, são pais ou avós; são nossos filhos e até nos incomodamos quando alguém os maltrata. Eu já passo a ter raiva de qualquer pessoa que não goste dos meus ou os persiga.

Vocês já imaginaram a dor de uma mãe que vê seu filho desaparecer sem razão plausível? Simplesmente, eles desaparecem. Falo das MÃES DA SÉ: mulheres que perderam seus meninos ou suas meninas e não sabem como, nem por qual motivo. Reúnem-se na Catedral da Sé, em São Paulo, capital.

 Esperam, com a porta aberta, pelo regresso das crianças, hoje, já adultos. Como cresceram, quem cuidou deles, quem curtiu suas alegrias, quem os ajudou em suas tristezas, não sabem.

 No mundo inteiro há casos semelhantes e poucos têm a alegria de reencontrar os seus rebentos desaparecidos. Quero crer que a cabeça dessas mães passa a raciocinar com o problema da perda, apesar de ter que continuar vivendo. A fé deve ajudar numa luta tão dura, mas o consolo é difícil de chegar.

 Na vida temos grandes perdas que são consideradas normais. Você cria seus filhos e sabe que o caminho natural é saírem de casa e formarem suas famílias; mas a hora da separação é muito difícil e eles passam a ter sua própria vida. Não vão mais depender dos pais. 

Existem alguns que se casam e os “agregados” (como dizia minha sogra) não aceitam a nova família. Na época do namoro tudo é maravilhoso, frequentam a casa dos novos parentes, mas, depois que casam, viram as costas e assimilam um só lado dos familiares: os seus. A sogra é ruim, a família não presta.

Entretanto, há agregados que são novos filhos e vêm para somar. Mostram às crianças de sua união que todos fazem parte de um só grupo: e vivem bem para sempre. 

De repente, um menino do interior resolve estudar na cidade grande. Sofre muito no início, mas vai crescendo e se adaptando com as delícias da capital. Casa com uma moça urbana e, aos poucos, deixa de ir à casa dos pais, virando um estranho. Não deixa de ser uma perda, pois os pais interioranos se transformam em motivo de vergonha para o filho que se foi. 

Vi um filme lindo, contando a história de um escritor. Quando percebeu o erro, tentou recuperar os pais que tanto sofreram para criá-lo. O nome do filme é “Rua Paraíso”; por favor, procurem vê-lo.

 De todas as perdas, a mais grave é aquela do filho ou da filha que, simplesmente desapareceu. A mãe passa a viver uma intensa procura e, nem sempre, encontra o ente perdido.    

Meu forte abraço às MÃES DA SÉ. Que elas tenham fé suficiente para enfrentar as procuras. Que Deus lhes dê a graça de reencontrar suas crianças e amenize suas longas noites em que ficam imaginando: Por onde andam meus filhos? QUANDO VOLTARÃO?.

 Deus existe. Não duvidem!!!

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