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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 872 / 2016

24/05/2016 - 07:56:51

Jorge Oliveira

Os cabeças brancas

Jorge Oliveira

Atenas, Grécia - Se não desaparelhar a máquina, não governa. Os políticos mais experientes sabem que não tem êxito aqueles que assumem a administração de um estado e contemporizam com a equipe anterior. É o que pode acontecer com Michel Temer se ele não passar o rodo e mandar imediatamente a petezada para casa e começar a trabalhar com austeridade. O PT é formado por militantes radicais raivosos e odientos que vão tentar por em prática o que seu dirigente, o fundamentalista Rui Falcão, propaga: boicotar o trabalho do novo governo e promover o caos para paralisar a máquina pública e, assim, impedir que o país saia do fundo do poço. Para Falcão e seus fanáticos seguidores, o pior é o melhor. 

Os cabeças brancas, a turma do Temer, só vão ter sucesso nesses próximos seis meses se limpar o estado, impregnado de sindicalistas pelegos e militantes petistas que infernizam diariamente a vida dos servidores efetivos. Pelo discurso de Temer, na mais desorganizada solenidade de posse de um ministério, tudo indica que ele vai tentar enxugar o tamanho do estado que a Dilma, por absoluta incompetência, anunciava mas não fazia.

Michel Temer apresentou à nação um ministério sem grandes novidades. Preferiu a composição política à técnica. Compôs o governo com os partidos de oposição ao PT, que vão se encarregar de trocar a equipe de cada ministério e dos órgãos afins. Temer, contudo, não surpreendeu o país com caras novas, fora do convívio partidário. À primeira vista, trata-se de uma equipe com poucos talentos, mas com experiência na área pública. O sucesso, entretanto, vai depender do próprio presidente se conseguir gerenciar com competência os auxiliares que convocou para tirar o país do caos econômico e administrativo.

Em princípio, Temer procurou juntar ao seu grupo nomes que não estão envolvidos na Lava Jato. E aqueles mais criticados como Geddel, Padilha e Moreira Franco, ele preferiu escondê-los em funções dentro do Palácio do Planalto. São amigos fieis e companheiros leais em que ele confia para fazer o meio de campo entre o governo e os políticos porque os três têm acesso fácil ao parlamento que já frequentaram.  

No discurso de posse, Michel mostrou serenidade e procurou se comunicar com o país de maneira simples e objetiva. Ao contrário da Dilma – que não dizia nada com coisa nenhuma nas suas falas – traçou a linha política do que pretende fazer já nos primeiros dias. E pareceu que sabe o que quer dos seus ministros daqui para frente. Algumas posições dele já chamaram a atenção: o apoio a Operação Lava Jato, à redução dos ministérios e dos cargos comissionados, e à política de aceleração do desenvolvimento para gerar mais emprego e renda.

Os cabeças brancas que cercam Michel são homens experientes na política e na administração. Conhecem a máquina pública porque boa parte deles já esteve à frente de governos. Portanto, o país espera desses homens serenidade, eficiência e, sobretudo, honestidade nessa nova jornada que deve apontar o caminho para o crescimento do Brasil nesses próximos seis meses.  

Cultura

A reação dos militantes ressentidos do PT já era esperada. Eles ainda vão espernear por muito tempo. À medida que vão sendo desalojados das boquinhas nos órgãos públicos cresce a vontade de atear fogo ao país. Afinal de contas, foram mais de dez anos mamando na tetas do governo, fazendo negócios escusos e aparelhando o estado. O resultado de tudo isso, foi a criação da maior organização criminosa de que se tem notícia no Brasil. Dois tesoureiros petistas na cadeia e um na bica de ser também preso, o ex-ministro da Comunicação Social, Edinho da Silva. Zé Dirceu, o maestro do esquema, voltou para a cadeia e os empresários, cúmplices de toda bandalheira, também estão trancafiados.

Os páreas

É natural que os desempregados petistas – inúteis e páreas – reajam de forma violenta a qualquer tipo de mudança institucional. Afinal de contas, como são desqualificados, certamente não vão conseguir emprego facilmente. Os mais exaltados, como era de se esperar, são aqueles que perderam salários milionários e as negociatas nos ministérios. Agora, desolados, vão tentar de todas as formas reorganizarem grupos para tentar desestabilizar o governo e promover baderna, especialidade de muitos deles. O eco dos ressentidos ainda será ouvido por todos os cantos, estimulados pelos pelegos da CUT que transformaram os sindicatos em organizações criminosas. 

Ligados

Os petistas do fundamentalista Rui Falcão estão ligados em tudo. E se a turma do Temer vacilar, eles vão para o ataque. Veja o que acontece com a ocupação que muitos fizeram do Ministério da Cultura nos estados. Alguns deles condenam o governo peemedebista de destroçar com a cultura com o fim do ministério. Acusam o novo governo de tentar acabar com a arte, o cinema, a literatura com o fim do órgão. É claro que a medida é impactante, Temer mostrou-se insensível ao passar o serrote no ministério, gestor da politica cultural do país. Deu aos militantes petistas o pretexto que eles queriam para chamar a atenção do mundo para uma medida conservadora de um governo que se propunha avançar nos setores deteriorados da economia como forma de desenvolver o país em todas as outras áreas.

Coerente

Alojar a cultura no Ministério da Educação em princípio parece uma decisão coerente, desde que não se mexa nos avanços dessa área conquistadas nos últimos trinta anos desde que o Ministério da Cultura foi criado por José Sarney. Mas, na verdade, essa decisão deveria ser tomada depois de uma discussão mais ampla com as entidades livres envolvidas com a cultura do país. 

Panelinha

Quem trabalha nessa área sempre teve dificuldade em realizar projeto se não rezasse na cartilha petista. O ministério da Cultura e seus órgãos foram aparelhados por militantes sem identidade com o setor. O critério para aprovação de qualquer proposta na área sempre foi o partidário, o que restringiu a cultura nas mãos de alguns “iluminados”. O dinheiro canalizado para o cinema, por exemplo, tinha direção certa. Ia para aqueles que se adequavam com mais facilidade a política petista.

Igualdade

É preciso desaparelhar o estado, torna-lo mais amplo, despolitizá-lo. Criar mecanismo para que todos que fazem cultura no Brasil, independente de partido e de cor ideológica, tenham as mesmas chances. Não é um prédio ou a instituição de um ministério que vai abrir o leque da cultura no Brasil, que precisa de gente que pense um modelo sem a mão de ferro ideológica.

Luxo

Quanto a Dilma não resta outra alternativa que não a de acompanhar a nova equipe de governo atentamente. No íntimo, vai torcer pelo insucesso para não perder o discurso do golpe e voltar ao poder. Michel Temer, porém, deve ficar atento aos militantes petistas que vão tentar insuflar os movimentos sociais para desestabilizar o governo. E se a Dilma e seus adeptos usarem a máquina pública – recursos, aviões da FAB, carros, assessores, órgãos e prédios federais – para planejar a baderna, o governo deve acionar o STF para limitar os passos dela e assim evitar a anarquia e o desperdício do dinheiro público, já que o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi benevolente ao manter as suas mordomias fora do cargo. Como a Constituição é omissa, cabe ao STF determinar quais os direitos de um presidente fora de suas funções, mesmo que temporárias. 


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