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Edição nº 872 / 2016

19/05/2016 - 20:43:34

Condenados devem disputar comando de prefeituras

Deputados Taturanas seguem na impunidade e influenciam pleitos eleitorais

João Mousinho [email protected]
Cícero Almeida

A histórica Operação Taturana realizada pela Polícia Federal (PF) em Alagoas, mas sem efeitos práticos, revelou um esquema milionário de corrupção e enriquecimento ilícito por parte de deputados estaduais e funcionários da Assembleia Legislativa de  Alagoas. Em 2007, a quadrilha foi desbaratada e a Justiça afastou os então acusados, desde então essa foi a principal “pena” para os acusados de improbidade administrativa.

Após uma série de chicanas processuais e desmembramento do processo, os deputados e ex-deputados tomaram caminhos diversos no mundo político. Alguns dos acusados mudaram apenas de Legislativo, como é o caso de Arthur Lira e Paulão, ambos eleitos deputados federais e o rito para suas condenações mudou. 

Já Cícero Almeida, Alves Correia, Manoel Gomes de Barros Filho e Cícero Ferro são “taturanas” que não foram eleitos para a legislatura seguinte após o escândalo, mas almejam serem eleitos prefeitos em 2016. Cícero Almeida foi eleito duas vezes prefeito de Maceió e em 2014 chegou à Câmara dos Deputados, juntando-se a Arthur Lira e Paulão. Almeida nunca escondeu seu anseio de retornar ao comando do Executivo da capital. 

Almeida aposta no apoio do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho para ser o nome do PMDB para ir para o páreo contra o prefeito Rui Palmeira. A sentença de 14 de dezembro de 2012 da 18ª Vara Cível da Capital destaca que o ex-prefeito de Maceió e então deputado estadual “contraiu empréstimos no Banco Rural utilizando recursos públicos da Assembléia como garantia de quitação. Os fatos deflagram ramificações em diversos processos de índole civil e criminal”. 

Alves Correia por sua vez tentou ser prefeito de Arapiraca após a Taturana, mas sem êxito e sem espaço político na principal cidade do Agreste alagoano, esse ano, vai se aventurar em São Sebastião. Alves é pré-candidato à prefeitura local e deve enfrentar a família Pacheco. 

Outro envolvido na Operação Taturana acusado de dilapidar o erário, Manoel Gomes de Barros Filho, o Nelito, deve ser candidato a prefeito em União dos Palmares. Nelito aproveita a indefinição política e a má gestão do prefeito Beto Baía, que vai e volta para o cargo devido decisões judiciais, para retomar a hegemonia da família Gomes de Barros na região. Nelito pode disputar o pleito contra Areski de Freitas, o Kil. 

Um dos principais operadores do esquema de corrupção da Taturana, segundo a Polícia Federal, foi o deputado estadual Cícero Ferro. O parlamentar foi acusado pela série de empréstimos fraudulentos contraídos nos bancos Bradesco e Rural; os vultosos volumes de recursos foram utilizados em benefício próprio, como consta a condenação em primeira instância da Justiça alagoana. 

Ferro, assim como Almeida, Alves e Nelito, é um pretenso concorrente à prefeitura, mas de Minador do Negrão. Cícero obteve apenas 13.593 votos na eleição de 2014 para deputado estadual. Seu retorno para Minador, um dos seus principais redutos eleitorais, seria uma espécie de renascimento político. 

Cícero Ferro deve enfrentar o nome indicado pela sua principal adversária política na região, a atual prefeita de Minador do Negrão, Socorro Cardoso Ferro. Uma disputa entre família.  

Mais influência e poder

Outros deputados envolvidos e condenados pela Operação Taturana irão exercer influência decisiva nos pleitos dos municípios de Limoeiro de Anadia, Santana do Ipanema e Coruripe. No caso de Limoeiro, o deputado Antônio Albuquerque irá apoiar Arthur Albuquerque, seu filho mais novo. 

Em Santana, quem tenta retomar o poder é a família Bulhões, que deve ter como candidato Isnaldo Bulhões, pai, ex-conselheiro do Tribunal de Contas e investigado pela Operação Rodoleiro – que apontou para um esquema milionário de corrupção na Corte de Contas. Isnaldo conta com a ajuda do filho, o deputado estadual Isnaldo Bulhões Júnior. 

Em Coruripe a missão parece ser um pouco mais fácil. O deputado João Beltrão apoia seu irmão Joaquim Beltrão, candidato à reeleição. Há mais de duas décadas os Beltrão exercem o poder político na região do litoral sul de Alagoas. 

Celso Luiz, então presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, e atual prefeito de Canapi, também se envolveu na Operração Taturana. Celso tem interesse no comando de três cidades no Sertão alagoano: Mata Grande, Inhapi e Canapi. Luiz Pedro Luiz, filho do ex-deputado, é pré-candidato a prefeito de Mata Grande. 

Em Inhapi, outro parente de Celso é pré-candidato a prefeito, seu irmão Tenorinho Malta, o mesmo que lançou o nome para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado e desistiu, pois Celso não encontrou lideranças para apoiá-lo no pleito de 2014. 

A manutenção de Celso Luiz no comando de Canapi está ameaçada pelas forças políticas que fazem oposição ao ex-deputado. Celso corre o risco de perder as três eleições que irá disputar, uma como candidato à reeleição, em Canapi, e as outras duas como apoiador em Mata Grande e Inhapi. 

Operação 

Taturana

Deflagrada em 6 de dezembro de 2007, a Operação Taturana constatou o desvio de cerca de R$ 300 milhões dos cofres da ALE entre os anos de 2003 e 2006. De acordo com a investigação da PF, os deputados faziam empréstimos fraudulentos pagos com verba de gabinete, gratificações e até mesmo com salário de servidores fantasmas.

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