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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 871 / 2016

14/05/2016 - 22:25:27

Defesa do estado na 2ª Guerra Mundial

Maceió recebeu uma Divisão de Infantaria e uma base de blimps foi montada no Tabuleiro dos Martins

Edberto Ticianeli Jornalista
Núcleo de Vigilância no Pontal do Coruripe em Alagoas / Foto de arquivo da família do soldado Augusto Zeferino de Souza

Os ataques a navios mercantes brasileiros na costa nordestina, no início de 1942, levaram o Brasil a declarar guerra à Alemanha e à Itália. No Nordeste foram tomadas medidas defensivas e montadas bases em apoio aos deslocamentos de tropas e aviões americanos para a África. Por sua posição estratégica — uma encruzilhada de rotas mundiais —, o litoral nordestino era tratado como o “trampolim da vitória”.

O general Mascarenhas de Moraes ficou encarregado de comandar uma mobilização geral na região para a ampliação das Forças Armadas e a adoção de uma economia de guerra. Com a ajuda militar dos EUA, logo os sete estados nordestinos ampliam seus efetivos militares de um pouco mais de seis mil homens para 50 mil.

Alagoas, onde estava sediado o 20º Batalhão de Caçadores com efetivo de 500 homens, passa a ter 2 mil soldados após a instalação em Alagoas do 22º BC e do grupo de artilharia II/4º R.A.M., que foi transportado de Itú, São Paulo. Esse grupo ficou instalado no prédio da antiga fábrica de tecidos Santa Margarida, na esquina da Av. da Paz com a Rua Mato Grosso, em Jaraguá.

O 22º BC ficou alojado nos galpões construídos pelas forças americanas às margens da Lagoa Mundaú. O 20º BC ocupava, nesta época, o prédio onde depois funcionou a Faculdade de Medicina, no Prado.

Estes efetivos e o NPOR, que foi criado em seguida, passaram a constituir o ID/7 (Divisão de Infantaria), uma grande unidade de comando de Oficial General. O Quartel General foi instalado na casa nº 1390 da Av. da Paz. Na casa vizinha, onde depois residiu Dalmo Peixoto, funcionava a aparelhagem de rádio dos famosos blimps das forças americanas. O capitão Harold Wholer comandava a guarnição de três dirigíveis com 200 homens.

Para distribuir as forças envolvidas na defesa, o ID/7, comandado pelo general Demerval Peixoto, dividiu a costa alagoana em dois subquarteirões. O Norte, com sede em Porto de Pedras, ficou com o controle do 22º BC, comandado pelo coronel Vilaranga Fontenele. Tinha a seguinte distribuição de tropas: uma companhia com secção de metralhadoras em Porto de Pedras e sete núcleos de vigilância espalhados por Barra de Santo Antônio, Barra de Camaragibe, São Miguel dos Milagres, Tatuamunha, Japaratinga, Maragogi e Barra Grande. Cada núcleo recebia um grupo de combate de 15 homens.

O subquarteirão do Sul, com sede em São Miguel dos Campos, era responsabilidade do 20º BC, comandado pelo coronel Manoel Cândido Fernandes. Cabia ainda ao 20º BC a defesa do Porto de Jaraguá em Maceió. A sede, em São Miguel dos Campos, abrigava uma companhia de fuzileiros com secção de metralhadoras. Os outros núcleos de vigilância estavam localizados nas praias do Pontal da Barra, Barra de São Miguel, Pontal do Peba, Pontal do Coruripe e Barra do São Francisco.

PARTICIPAÇÃO DA 

SOCIEDADE CIVIL

A mobilização da sociedade civil era coordenada pela Defesa Passiva Antiaérea, ligada ao Ministério da Justiça e que em Alagoas tinha como assistente geral o Dr. Lourival Melo Mota. Sua tarefa era preparar a população para possíveis ataques aéreos. Vários exercícios de blackout foram realizados em Maceió para esse fim.

Outra contribuição expressiva veio do Aeroclube de Alagoas. Os teco-tecos da organização presidida por Aloísio Freitas Melro foram utilizados em muitas tarefas e missões, fazendo transportes de urgência ou cobrindo os deslocamentos de comboios ao longo do litoral.

BENEFÍCIOS 

PARA ALAGOAS

Além da abertura de vias e a construção de uma base de blimps no Tabuleiro, Alagoas também ganhou, no dia 26 de julho de 1942, uma escola de Oficiais da Reserva. O futuro Núcleo de Preparação de Oficias da Reserva foi implantado atendendo a reivindicação dos estudantes alagoanos, que aderiram ao esforço de guerra.

Em Alagoas, o NPOR era uma subunidade do 20ª BC e o seu primeiro instrutor-chefe foi o capitão Mário Lima. O Núcleo se instalou em um antigo casarão na esquina da Praça Sinimbu com a Rua do Imperador, onde funcionou o Tribunal Regional Eleitoral em Alagoas.

Outra conquista de Alagoas foi a construçãodo novo quartel do 20º BC em Maceió. O general Mário Lima registrou que três áreas foram analisadas para as novas instalações militares. A área de Jacarecica, onde depois funcionou o Clube da Polícia Militar, e a do lado da Escola Agrícola Floriano Peixoto em Satuba foram descartadas. A escolha recaiu sobre um terreno do Farol vizinho a sítios de veraneios e onde nem os bondes chegavam.

Fonte:  Participação de Alagoas no “Trampolim da Vitória” – 2ª Grande Guerra Mundial – 1941-1945, de Mário Carvalho Lima, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Volume XXXIII, 1977, e os livros “Histórias do Rádio” e “Contando Histórias” de Cláudio Alencar.

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