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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 871 / 2016

14/05/2016 - 22:19:14

Quem será o pizzaiolo?

CLÁUDIO VIEIRA

Juvenal, pensador e poeta satírico romano fez célebre indagação: “Quis custodiet ipsos custodes?”, livremente traduzida como sendo “Quem custodiará os guardas?”, ou ainda, “Quem vigiará os vigias?”.

Realmente não raras vezes os fatos fazem-nos deparar com situações em que nos indagamos quem afinal - repetindo expressão cristã – suficientemente límpido poderá atirar a primeira pedra? Entre nossos políticos – novamente ao Novo Testamento – encontrá-lo será como procurar agulha em palheiro, ainda que considerado aquele que se dizia o mais honesto dos brasileiros e hoje se vê enrolado na Lava Jato e quejandas.

A propósito da crise política que atormenta e vitimiza a Naçäo, e da última erupção vulcânica em boa hora provocada pelo Supremo Tribunal Federal com a já tardia suspensão do mandato de deputado federal do notório Eduardo Cunha, além da consequente retirada do mesmo da presidência da Câmara Alta, conversava eu com o caçula dos meus filhos, lamentando angustiado as ocorrências de desmandos políticos, a proliferação de fatos penais atribuídos aos nossos representantes nos Poderes da República, o envergonhamento nacional diante de um mundo não necessariamente puro, mas causticamente crítico ao Brasil. Indaguei-lhe, então, como terminaria tudo aquilo. Singelamente – talvez até em premonição de uma juventude precocemente desencantada –respondeu-me que tudo iria mesmo acabar era em pizza. Cioso das minhas preocupações, retoricamente argui-o sobre quem sobraria para ser o pizzaiolo. A minha arguição, assim entendo, tem suficiente base na realidade, tanto assim que os próprios políticos, em catarse que pretendem sincera, defendem uma reforma política a estabelecer regras rígidas para o exercício da política. O difícil é acreditar que tais políticos se reconheçam atingidos por uma reforma moral e ética, todos de lídimas moral e ética que se consideram.Tenho, todavia, indagado aos meus botões se a falada reforma será suficiente a uma limpeza ética do universo político. Creio que não, que, na situação atual, seria como pôr a raposa cuidando do galinheiro. Como fazer então para que o Brasil mude? Respondo com o óbvio ululante, expressão outrora repetida por meu amigo José Luitgard Moura de Figueiredo, ilustre professor alagoano. E essa obviedade é que a real mudança na prática política nacional depende única e exclusivamente de nós, os eleitores. Façamos essa limpeza moral e ética e certamente aquela jovem citada pelo ministro Barroso, do STF, terá a certeza de viver em um outro Brasil, ao invés procurar viver em outro país.

Digo ao meu filho: à juventude compete resgatar esse sonho!  

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