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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 871 / 2016

14/05/2016 - 22:16:48

O clássico da vergonha

Jorge Morais

O título deste artigo não está relacionado ao jogo, nem ao resultado ou, muito menos, ao título conquistado pelo CRB. Na verdade, quero me referir aos fatos ocorridos após o encerramento da partida, onde o campo de jogo se transformou em um campo de guerra. Uma verdadeira arena, onde os gladiadores do mal, facções de torcidas organizadas só comparáveis aos grupos que comandam o tráfico de drogas e o crime organizado dentro das penitenciárias brasileiras, sabem fazer.

Nessa hora, o jogo pouco importa. Se o CSA foi melhor durante todo o campeonato e fez a melhor campanha do que o seu adversário, não é problema meu que eles tenham perdido o título. Se o CRB conseguiu ser mais inteligente na decisão, mesmo que o adversário tenha sido melhor nos dois jogos, parabéns para eles que ficaram com a faixa mais uma vez, e consegue diminuir a distância entre eles na soma dos títulos conquistados.

 O que me faz escrever sobre o clássico da vergonha é saber que no script a decisão poderia terminar como terminou. É público e notório, principalmente do conhecimento das autoridades policiais e dos organizadores da competição, que o jogo poderia terminar daquele jeito. Há muito tempo que as duas torcidas chamadas de organizadas prometem agir com violência, inclusive marcando encontros pela internet, por meio das redes sociais.

Na decisão, não poderia acontecer coisa diferente. Pergunta-se: por que não aconteceu nada nos jogos anteriores? Porque eles não decidiam nada. Os dois times estavam sempre na frente dos demais e não havia nenhum risco de não chegarem à final, à decisão. Naquela tarde/noite infeliz, seria diferente. Só um sairia com o título. O que me parece mesmo, é que todos, inclusive o policiamento escalado para o trabalho, com toda experiência possível de seus comandantes e comandados, não esperavam tamanha selvageria.

Naquela hora, um círculo formado pela policia na pista de atletismo seria o mais prudente. Uma ação mais rápida para se evitar aquela brutalidade em campo, poderia resultar uma coisa melhor do que foi visto. Afirmar que ouve superlotação no estádio, que portões foram quebrados e que faltou um controle maior na entrada do torcedor, não justificam os fatos ocorridos.

A briga covarde entre torcedores de CSA e CRB não foram registradas nas arquibancadas. Foram vistas dentro do campo de jogo, onde a segurança foi falha e tardia. Em outros jogos envolvendo as duas equipes aconteceram muitos problemas, mas sempre nas áreas reservadas aos grandes públicos, o que não foi o caso de domingo (8). Nessa hora, todos precisam colocar a carapuça na cabeça e reconhecer os erros cometidos, e ponto final.

Sobre a manifestação das torcidas invadindo o campo de jogo, mesmo que não fosse uma coisa permitida, parte da torcida do CRB tinha até o direito de assim agir para comemorar junto com os jogadores do time campeão. O que não podia acontecer, era alguns torcedores do CSA entrarem em campo. Eles foram comemorar o quê? A perda do título. Esses desequilibrados e marginais não tinham nada que invadir o gramado. Claro, que o objetivo era partir para a briga, estragar a festa dos outros, e conseguiram.

É por essa e outras coisas que defendo o jogo entre CSA e CRB com uma só torcida em campo. Muita gente discorda, mas para gente ruim o remédio é radicalizar. Paga o justo pelo pecador, em nome da segurança. Em Minas Gerais, é assim. Se após os jogos ainda vemos confrontos nas ruas próximas aos estádios, cabe à Polícia Militar interferir e evitar que isso ocorra. Conversas entre coronéis, promotores, dirigentes e torcedores marginais, não adiantam mais. É o que penso...    

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