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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 870 / 2016

08/05/2016 - 18:52:58

Sob a toga

CLÁUDIO VIEIRA

Noite de sábado passado, a professora Célia Aragão, ex-esposa amiga, telefona-me cautelosa para transmitir-me a triste notícia do falecimento do desembargador James Magalhães. O cuidado com que ela trata a informação deve-se ao conhecimento que tem da minha amizade com o James, relação fraterna de longa data, desde a idade infante-adolescente. Informa-me, ainda, que outro amigo querido, o procurador de Justiça Afrânio Roberto, saberia dos detalhes do infortúnio. Incontinenti ligo para o Afrânio, dele recebendo a confirmação do infausto. Por um instante, as minhas lembranças sobre James dominam o meu pensamento, o que me leva a refletir sobre a trajetória de nossas vidas, o que já fora por ele observado quando me recepcionou na Academia Maceioense de Letras. 

Ambos somos filhos de honrada família modesta; ambos fomos seminaristas e após alguns anos no Seminário Nossa Senhora da Assunção, aqui em Maceió, completamos os nossos estudos no Colégio Guido de Fongtgalland; ambos fomos professores do mesmo Colégio Guido; ambos estudamos Direito na Universidade Federal de Alagoas, ele tornando-se juiz e desembargador, eu procurador de Estado e advogado, militante até hoje; ambos amamos a leitura e o escrever; ambos somos da mesma Academia Maceioense de Letras (ele também da Alagoana). Recordo-me, ainda, quando James telefonou-me pedindo sugestão para o título de um dos seus livros. Respondi-lhe sem sequer pensar duas vezes: SOB A TOGA. Sugestão incontinenti aceita, James brindou-me com a tarefa de escrever a apresentação da obra jurídico-literária.

Encerro a conversa com o amigo Afrânio Roberto observando que “os amigos estão partindo e nós teimando em ficar”, ao que Afrânio conclui com o esperado “assim Deus quer!”. Reflito com os meus botões sobre a verdade filosófica daquela singela observação do meu amigo. Não sendo mais muito da prática religiosa, jamais abandonei minha fé em Deus, o criador de todas as coisas, como tão belamente revelado por Michelangelo no teto da Capela Sistina, no Vaticano. Não mais sou criacionista, como na infância levítica. Ao conhecer a teoria de Darwin, nela vi lógica mais que fé, verdade palpável. Todavia, ainda fiel às origens eclesiásticas, entendo que o evolucionismo darwiniano não nega ou contraria aquela divina mão criadora de tudo que há no mundo, adepto que sou dos ensinamentos do jesuíta Teillhard de Chardin.

James Magalhães, sendo criatura de Deus, e com a ajuda d’Ele, viveu o seu tempo entre nós, marcando-o com a sinceridade de propósitos com que desempenhou os seus misteres. Sua trajetória traz-me à mente aqueles versos-pensamentos do poeta Francisco Otaviano: “Quem passou pela vida em brancas nuvens / E em plácido repouso adormeceu / Quem não sentiu o frio da desgraça / Quem passou pela vida e não sofreu / Foi espectro de homem, não foi homem / Só passou pela vida, não viveu”.

James Magalhães verdadeiramente viveu, lutou o bom combate e venceu. Retorna agora ao seu lugar de origem, o magnânimo coração de Deus!

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