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Edição nº 870 / 2016

08/05/2016 - 18:51:19

Bondade ou cinismo?

Jorge Morais

O que a presidenta da República Dilma Rousseff fez durante as comemorações do Dia do Trabalhador foi algo quase que inacreditável. Ao tempo em que ouvia a presidenta manifestando-se sobre um Brasil que só ela enxerga, chego a imaginar uma situação quase beirando a loucura, com promessas eleitoreiras e, mais uma vez, enganadoras, como ocorreu durante todo o processo eleitoral, em 2014.

Em um país onde a economia está quebrada e, politicamente, Dilma Rousseff está entregue às traças, com o pedido de impeachment devendo ser aceito também, pelo Senado da República, o que implicará em seu afastamento por até três meses, quando ocorrerá o julgamento final pelo plenário do Senado, a presidenta fica prometendo reajustes e comprometendo, mais ainda, os cofres da União.

O pior de tudo isso é que não será ela quem assumirá esse compromisso. Seja Michel Temer, ou qualquer outro, não será a Dilma Rousseff quem vai pagar os nove por cento prometidos de reajustes para o Programa Bolsa Família. Nessa hora, independente da situação em que se encontra o Brasil, ela continua fazendo média e pousando de boazinha junto a um grupo que trocou a vontade de procurar emprego pelo dinheiro miserável e fácil disponibilizado pelo governo.

Por isso, acho que não é bondade da Dilma esse anúncio, mas o cinismo que tomou conta do governo que faz isso para jogar a população contra aqueles que pedem o afastamento da presidenta e de todos os seus asseclas. O caso das pedaladas fiscais do governo federal teve como único objetivo ganhar as eleições passadas. Agora, mais uma vez, eles jogam a população um de encontro ao outro. É por causa dessas e outras atitudes que a Dilma vai cair.

Pergunto: a Dilma Rousseff  perdendo o direito de continuar governando o país, com o Michel Temer as coisas vão melhorar? Acho que sim, porque não acredito que possa ser tão ruim como estamos hoje. O atual governo perdeu o respeito da maior parte da população brasileira; perdeu a credibilidade junto aos investidores internacionais; não tem recursos para projetos sociais que ajudem a trazer novos empregos; nem consegue mais combater a inflação absurda pela qual passamos.

Por essas coisas todas que o Michel Temer não pode fazer um governo pior. É possível que muita gente acredite que o Temer possa estar comprometido com o Governo Dilma. Foram eleitos e reeleitos juntos, mas quem disse que o povo do Partido dos Trabalhadores deixaria alguém que não é do círculo vicioso deles mandar em alguma coisa. Mandam no Brasil os amigos do Lula e da Dilma, mais do Lula, é claro.

Acho, apenas, que se o Michel Temer assumir a Presidência do Brasil precisa escolher muito bem as pessoas que vão trabalhar pela reconstrução econômica e política do país, não recaindo nos mesmos e viciados do passado. Ao mesmo tempo me pergunto: gente nova com essa capacidade e pronta para enfrentar os “caciques” aonde vai se encontrar? O problema maior é que a mudança precisa ser rápida e objetiva, pois o povo vem comendo o pão que o diabo amassou e não tem como esperar muito tempo.

Nessa hora, nem penso na saída da Dilma Rousseff pelos esquemas montados pelas empreiteiras na Petrobras e outros organismos governamentais. Vejo a saída dela como a única porta possível de esperança para que o Brasil retorne ao crescimento, com mais empregos, com o controle da inflação e melhorias para todos. Com certeza, esse caminho não será alcançado com a presidenta no Poder.

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