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Edição nº 870 / 2016

06/05/2016 - 14:10:58

MP Eleitoral pede documentos sobre Feijó à CPI do Futebol

Prefeito de Boca da Mata e vice-presidente da CBF terá de explicar doações na campanha de 2012

Vera Alves [email protected]
Gustavo Feijó

 O cerco começa a se fechar para o prefeito de Boca da Mata, Gustavo Dantas Feijó (PDT). Vice-presidente do Nordeste da Confederação Brasileira de Futebol, ele vai ter de explicar à Justiça Eleitoral porque não declarou os R$ 600 mil que teria recebido como doação da entidade para sua campanha à prefeitura nas eleições de 2012. A Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas já solicitou à CPI do Futebol do Senado as informações obtidas na devassa feita nos registros da própria confederação e aos quais somente teve acesso depois de recorrer à Justiça.

O procurador-regional eleitoral Marcial Coêlho confirmou ao EXTRA estar no aguardo da documentação, já solicitada oficialmente no dia 13 de abril último. De acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito presidida pelo senador Romário Faria, Feijó teria recebido a doação de forma parcelada dentro de um acordo com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

O caso só veio à tona no final de março, quando a CPI divulgou parte dos documentos que recebera e analisara de forma sigilosa, dentre os quais e-mails do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que haviam sido apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Durkheim, deflagrada em novembro de 2012.

O cartola, à época presidente da Federação Paulista de Futebol e vice-presidente da CBF, chegou a ser investigado por conta de sua ligação com uma das empresas apontadas como integrante de uma quadrilha especializada em vender informações privilegiadas de autoridades, políticos e até jogadores de futebol obtidas mediante interceptações telefônica ilegais e o rastreio de e-mails. Del Nero garantIu não ter qualquer envolvimento nos crimes.

Ocorre que, dentre os e-mails confiscados, alguns são de conversas mantidas entre ele e Gustavo Feijó nas quais o cartola alagoano, então presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), cobra o pagamento do restante da ajuda acertada com Teixeira quando este presidia a entidade. Del Nero havia assumido a vice-presidência da região Centro Sul da CBF em junho de 2012 e era o substituto oficial do novo presidente José Maria Marin.

No e-mail de 13 de julho de 2012, Feijó revela já ter recebido R$ 350 mil da entidade para a campanha e que faltaria R$ 250 mil do total acordado, R$ 600 mil, valor que, segundo ele, representaria 30% do total dos cursos de sua campanha à Prefeitura de Boca da Mata. Ou seja, seus gastos de campanha seriam de R$ 2 milhões, muito acima dos R$ 150 mil declarados oficialmente à Justiça Eleitoral.

A solicitação ainda deve ser analisada pela comissão criada em julho do ano passado para investigar a CBF e o Comitê Local Organizador da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Por conta do impasse motivado pelo cancelamento da convocação de Del Nero e Dantas aprovado pela CPI na reunião do dia 6 de abril, ainda não está definida quando será a próxima reunião da CPI.

A convocação foi cancelada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), atendendo a uma questão de ordem do senador Ciro Nogueira (PP) e um dos integrantes da chamada Bancada da Bola, formada por parlamentares com estreitas ligações com os cartolas brasileiros e que não estavam presentes á reunião que aprovou as convocações. O impasse foi levado à Comissão de Constituição e Justiça do Senado e relatado pelo senador alagoano Benedito de Lira (PP) que considerou não ter havido qualquer irregularidade nas convocações. A decisão, agora, é do Plenário do Senado.

Feijó também terá de enfrentar a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara instalada em março último e denominada de CPI da Fifa, CBF e Máfia do Futebol, que decidiu investigar todas as doações eleitorais feitas pela CBF e as federações a ela associadas no período de 1996 a 2016. A suspeita é de que os cartolas teriam apoiado políticos com vistas a que estes defendam seus interesses.

CRIME DE CALÚNIA

Gustavo Dantas Feijó já responde a processo na Justiça Eleitoral por conta da campanha de 2012, só que por crimes de calúnia e injúria contra seu antecessor José Maynart Tenório, e o sobrinho deste, Ricardo Tenório Barbosa, seu adversário no pleito. Trata-se da Ação Penal 224-84.2014.6.02.0000 que tramita no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).

Relator da AP, o desembargador José Carlos Malta Marques deu prazo até a próxima semana para que a Polícia Federal encaminhe a perícia definitiva que comprove ser ou não de Feijó a voz nas gravações feitas durante a campanha de 2012 em que constam os ataques aos Tenório.

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