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Edição nº 869 / 2016

01/05/2016 - 19:20:01

Jorge Oliveira

Temer e o fisiologismo

Jorge Oliveira

Vitória - Enquanto a Dilma vive seus dias de agonia, o ex-presidente Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, trabalham, nos bastidores, para provocar badernas e manifestações pelo país afora para impedir que Michel Temer governe se a presidente for afastada do cargo pelo Senado no próximo dia 11. É assim que os petistas agem: anarquizando as instituições e transformando o Brasil em uma republiqueta das bananas. Eles espalham que estão sendo expurgados do poder por uma vingança de Eduardo Cunha. Esquecem que destroçaram a economia do país e promoveram o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia na nossa história.

A cúpula do PT pretende usar os movimentos sociais para atacar Michel Temer e fará de tudo para infernizar a sua vida, não o deixando governar por considerá-lo ilegítimo para ocupar o cargo de presidente, fruto de um “golpe”. A avalanche de protestos nas ruas, promovida pelos petistas, só deve diminuir se Temer promover um governo ético e insuspeito, afastando-se de velhos correligionários rotulados de fisiológicos. Caso ocupe os espaços com essas figurinhas conhecidas, corre sério risco de realmente não administrar.

Por exemplo: como a partir do próximo mês, o PMDB poderá ser representado por Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados? Como Temer falará em moralização quando tem dentro do seu quintal um político acusado de trapaças com dinheiro público? Como responderá às manifestações das ruas sobre um governo ético se recebe no Palácio Cunha e seus asseclas? O PT, que ainda se diz um partido imaculado, mesmo diante de tanto escândalo, vai se apegar aos antecedentes de Cunha para tentar virar novamente a página política e pedir novas eleições, como é a intenção da Dilma, que ainda não se convenceu de que não volta mais à presidência.

Temer ainda está patinando na escolha de seus auxiliares. Parece-me que até agora ainda não teve uma ideia genial de renovação de quadros administrativos e políticos. Escolher Henrique Meirelles como ministro da Fazenda parece-me não se tratar de uma renovação. Meirelles foi presidente do Banco Central na era Lulista, numa época em que a economia mundial conspirava a favor do Brasil. Não se conhece dele nenhum feito extraordinário que o credencie a ser um “salvador da pátria”. Errar com Meireles é errar uma vez só, sem retorno.

 Na lama

A Dilma – que chegou à presidência falsificando o currículo acadêmico -, logo acostumou-se à ignorância e à promiscuidade dos seus companheiros petistas. Todos se lembram da sua frase cínica, antes da campanha, de que “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Ali ela já sinalizava que já tinha aderido aos predicados rasteiros dos bastidores contaminados da companheirada. Viu, no cercadinho do gabinete do chefe, quando era seu auxiliar, o tratamento que ele dava aos seus assessores, humilhando-os com impropérios. Por isso, assim que assumiu a presidência procurou também imitá-lo com a arrogância e a prepotência de quem nunca se preparou para um cargo como o de presidente da república.

Queda

Na formação da sua equipe, Temer já desistiu do advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira depois que ele foi infeliz ao dizer que a Polícia Federal não deveria cuidar apenas da Lava Jato, da corrupção, a praga que contaminou as instituições brasileiras. Desistiu de tê-lo ao seu lado como ministro da Justiça depois dessas declarações inoportunas. Temer começa a entender que não é fácil criar uma estrutura com nomes qualificados para tirar, a curto prazo, o país do atoleiro.

Manjados

Ainda tateando nas escolhas, deixa escapar que vai contar com Padilha, Geddel e Moreira Franco como seus auxiliares, políticos manjados pelos arranjos políticos. Os nomes até agora postos à mesa levam a população a desconfiar do que seria um governo Temer. Teme-se, portanto, que o PMDB chega ao governo, mas não tem gente para governar. 

Esvaziamento

É triste constatar que ninguém quer dividir com Temer a responsabilidade de salvar o país do caos econômico. Em meio aos nomes medíocres que ele escala para seu governo, salva-se apenas o de Serra, político e técnico provado em cargos públicos, mas com um viés à esquerda, quando o Brasil, na verdade, precisa de um líder mais na linha liberal para expandir a economia e destravar a máquina estatal.

Um tiro, apenas

Temer, como já dissera Collor ao assumir a presidência para acabar com a inflação, só tem uma bala na agulha. Se não atingir o alvo com esse projétil único pode ser expelido do poder pelos movimentos sociais que os petistas azeitam para azucrinar o seu governo. E o Brasil, coitado, vai continuar sem quadros para se modernizar porque os que surgiram até agora foram cooptados pelo PT e se promiscuíram com o partido.

Farsante

Se a população ainda tinha dúvidas sobre a capacidade política e intelectual da Dilma para governar o país, começa a dissipá-las agora quando assiste perplexa as bobagens que ela diz nas entrevistas coletivas que concede à imprensa local e à estrangeira. Ao falar aos jornalistas brasileiros depois da admissibilidade do impeachment, a presidente parecia que estava navegando em outro mundo, uma extraterrestre flutuando em outro planeta. Passiva diante da situação, mostrava-se sonâmbula, mas aparentemente convencida de que brevemente voltará para casa para cuidar do netos. Quando tentava se esforçar para dizer uma frase mais inteligente, saia com asneira desse tipo “a sociedade humana”.

Mente turva

A conversa com os jornalistas estrangeiros então foi um desastre só. Fica difícil para os jornais de outros países decifrarem o que a presidente do Brasil quer dizer. Não existe, nos idiomas lá fora, tradução que chegue perto do que que ela fala. Disse, por exemplo, que não tem culpa da estagnação econômica, do caos administrativo e da corrupção generalizada. Culpa a China pela retração do mercado, acusando-a pela queda das commodities que frearam as exportações brasileiras. Não consegue concatenar um raciocínio lógico sobre nada, o que a impede de ser objetiva ou clara sobre qualquer assunto.

 Decadência

O Brasil de tantos talentos na área da cultura, da literatura e da ciência parece que de uma hora apagou-se. Tudo isso é decorrência de quase uma década e meia de descaso na educação e no desenvolvimento do país. A decadência começou com a ascensão da “República Sindical”. Um bando de pelegos viu-se de uma hora para outra administrando as principais empresas públicas e liderando o ensino do país com o aparelhamento do Estado. Chefiando-os um presidente despreparado que fazia apologia do analfabetismo. Muitas vezes enalteceu a sua própria ignorância: “Se eu cheguei, que não estudei, você também pode chegar ao maior cargo do país”, disse certa vez o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, o representante, à época, de mais de 200 milhões de pessoas, para delírio de muitas delas, seus fãs.

Envolvimento

Regozija-se de ser honesta, de nunca ter metido a mão na lama. Mentira. A maracutaia na Petrobras começou quando ela presidiu o conselho da empresa. Autorizou que a estatal comprasse uma refinaria sucateada no Texas por quase 1 bilhão de dólares. Quando o escândalo surgiu, procurou se safar dizendo que foi iludida. Ora, como alguém assina um contrato bilionário sem pelo menos analisar com cuidado os seus termos? Na confissão, passou recibo de idiota, e demonstrou o despreparo para exercer qualquer cargo público.


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