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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 869 / 2016

01/05/2016 - 19:12:19

Rei morto, rei posto

alari romariz

Quando Collor renunciou à Presidência da República, assisti na TV à votação do impedimento do moço e fiquei indignada com uma cena: um ex-deputado estadual, líder do governo na Assembleia Legislativa de Alagoas, pessoa de dentro do Alvorada, votar contra o amigo de longas datas. E ainda gritou bem eufórico: “Pelo meu Estado, Alagoas, voto a favor do impedimento”.

No momento atual o caso se repete em piores circunstâncias: Dilma quase saindo, investigada pelas célebres pedaladas fiscais, clamando apoio em troca de cargos e os “ratos pulando do barco”. Vi a votação na Câmara Federal e figuras conhecidas, ligadas à ex-guerrilheira, dizendo um veemente “sim” ao relatório iniciante do processo de cassação da quase ex-presidente.

Convivi muito com militares do Exército e um fato me irritava profundamente: quando os subalternos sentiam que um coronel não seria promovido a general, dele se afastavam. O séquito ia diminuindo até o dia da ida para a reserva.

Houve um caso em nossa família de uma pessoa que exerceu altos cargos públicos. Perdeu tudo e ficou pobre. Precisando de alguém para ajuda-lo, só dois amigos e o irmão apareceram para socorrê-lo. Os “papagaios de pirata” que viviam atrás dele sumiram. Foi a primeira lição de vida que aprendi.

Era amiga de um governador de nosso Estado, substituto de Collor. Encontrou Alagoas pedindo esmola. O antecessor raspou os cofres públicos e saiu candidato à Presidência da República. Pois bem, meu amigo não mostrou à sociedade alagoana como encontrou as finanças de uma das mais pobres unidades da federação.Saiu do governo para não ser cassado. E perdeu quase todos os “amigos” que o rodeavam.

Meses depois fui a uma missa de 7º dia na Igreja dos Capuchinhos e lá estavam o ex-governador e sua esposa. Poucos, pouquíssimos foram cumprimentá-lo.

Outro governador de Alagoas, homem inteligente que venceu as eleições para Renan Calheiros num pleito atípico, pois o presidente Collor apoiava seu oponente e a primeira-dama era sua eleitora declarada. Pois bem, o moço completou seu mandato e foi para o ostracismo. No dia de seu aniversário uma ex-funcionária de seu gabinete levou um bolo para lanchar com ele. E ele disse: “Está vendo, D. Maria, a senhora se lembrou de mim; em outros tempos me enchiam de presentes”.

Meu irmão Sabino Romariz foi o deputado mais votado nos idos de 80. Levou com ele três parlamentares. A casa e o gabinete viviam cheios de “amigos do poder”. Perdeu a eleição e o gosto pela vida; morreu triste. E os que estavam perto dele, interessados nas benesses, desapareceram.

Conheci um deputado que vivia pela Rua do Comércio com uma “capanga” embaixo do braço. Foi reeleito e chegou à Presidência do Legislativo. E um amigo comum dizia: “Ele é tão azarado que onde pisa a grama não nasce mais”.

Perdeu a terceira eleição, vive distante de todos e não se ouve falar nele.

Entre os políticos acontece um fato muito interessante após as eleições: os vencedores aparecem contentes e seguidos por diversos amigos do poder. Os perdedores voltam tristes às origens e praticamente sós. Os assessores vão pulando de galho em galho para o lado mais forte.

É muito difícil para quem está por cima entender que ele é uma pessoa como outra qualquer; apenas portador de um mandato eletivo que, em Alagoas vale ouro. Mostrei demais ao meu irmão tão triste realidade, mas ele, “mordido pela mosca azul”, não entendia. A vaidade deixava-o cego.

Até o dia em que se afastar do cargo, a Dilma não terá ao seu lado dez pessoas. Como diz o velho adágio: até mesmo o café do palácio virá frio e fraco.  

Encontro pessoas pelas ruas de Maceió que já foram famosas, exerceram vários cargos importantes e hoje nem são reconhecidas 

Caros leitores, amizade boa é coisa rara e difícil. Baseada em fatos reais é que peço aos importantes: tenham cuidado; quanto maior for a altura, bem maior será a queda!

Estar no poder é bom demais e poucos notam isso. Sair dele é muito ruim e a pessoa fica quase só.

Só Deus na causa!

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