Acompanhe nas redes sociais:

20 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 869 / 2016

01/05/2016 - 19:10:54

Autoestima cambiante

CLÁUDIO VIEIRA

Não votei no governador Renan Filho. Recusei-me a creditar seriedade a suas propostas eleitorais e, via de consequência, ao próprio candidato. Às propostas, reputei-as mirabolantes, meras pabulagens, engodos atirados ao eleitor despreparado. Ao candidato, vi-o narcisista, inconsequente, inescrupuloso no prometer. Nesse mesmo espaço, enderecei-lhe críticas, certamente cáusticas. A despeito da minha má vontade, o eleitor alagoano escolheu-o governante, restando-me submeter-me ao resultado das urnas. Àquela oportunidade, apenas socorreu-me a consciência de que eu não contribuíra para eventual mau desfecho da aventura política do novel governador.

Um ano passou e aquela certeza do desastre foi enfraquecendo gradativamente, malgrado no início resistisse heroicamente a admitir que o governador realizava um bom, ou ao menos razoável, governo. A culpa, ainda acredito nisso, era em grande parte do próprio político, mais parecido, segundo o meu juízo, a algum ator canastrão fazendo propaganda de nada. Certo dia meu humor mudou. Crise econômica afligia a nação. Alagoas, porém, parecia viver momentos ímpares, o pequeno Estado nordestino, se não nadava em dinheiro, ao menos sobrevivia galhardamente às consequências dos desmandos do governo central. Tal fato não era apenas apregoado pelo governador alagoano, mas respaldado na aparência dos fatos e reconhecido até pelo ministro da Economia do desastre federal. Nesse ambiente, perdoava eu o governador, agora Dorian Grey bem sucedido, pelos seus exageros midiáticos. Malgrado a crise político-econômica que hoje ainda se apresenta em agudez, Alagoas era o oásis do bom governo. Inevitável a elevação da minha autoestima alagoana. Pensei até em dedicar uma crônica ao fato, momento sempre adiado diante dos sucessivos temas provocados pelo desgoverno Dilma, pelas loucuras petistas e lulistas. Ainda assim, aquela boa vontade recém surgida em relação a Renan Filho permaneceu em crescendo. 

Iniciado o segundo ano, o funcionalismo estadual agitou-se em busca de aumentos salariais, em tese justos, diga-se de passagem, embora às vezes alguma classe ou categoria funcional exagere nas pretensões. Nesse novo cenário a coisa pareceu mudar: o secretário da Fazenda apressou-se a declarar que a situação do Estado era bastante grave, ao ponto de haver a malfada perspectiva de atraso nos pagamentos. Parecia dizer – pensei – que toda aquela euforia anterior era apenas propaganda política, nada mais. Considerando, porém, que todo secretário da Fazenda sempre apregoa dificuldades quando se trata de conceder o necessário aumento de vencimentos ao sofrido funcionário público, esperei pela verve política do governador a desfazer aquela malfadada declaração do frio técnico. Silêncio! 

A mudez governamental fez recuar a minha autoestima alagoana. Seriam as passadas comemorações das autoridades estaduais apenas um engodo, uma daquelas pabulagens que detectara eu na campanha do governador? 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia