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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 869 / 2016

29/04/2016 - 07:14:44

Estado garante continuidade do Programa do Leite

Cooperativa temia falta de verba do Governo Federal devido à instabilidade política

José Fernando Martins Especial para o EXTRA
Aldemar Monteiro explica que impasse sobre recursos provocou apreensão entre os produtores

A Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA) passou momentos de incertezas nas últimas semanas. Com a instabilidade política que assola o país, cooperados temiam o corte de repasses do Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que fomentam a distribuição, por exemplo, de leite gratuito a 80 mil famílias carentes todos os dias. Hoje, com 4.200 cooperados espalhados por 92 associações no estado, a CPLA também garante renda a pequenos produtores rurais. 

Há seis anos à frente da cooperativa, Aldemar Monteiro, tem diversos planos para a Alagoas. Entre eles, o mais importante é produzir leite em pó no Estado para atender o mercado competitivo e tornar a CPLA autossuficiente. Mas para isso, é necessário investimentos e o reconhecimento dos governos estadual e federal. De acordo com Monteiro, o programa necessita de R$ 48 milhões para operar. “Brasília sempre entrou com 80% da quantia e Alagoas com 20%. Até o ano passado, quando  modificaram para 60% e 40%”, explicou.

Um encontro foi organizado para a cooperativa pleitear à ministra Tereza Campello que mantivesse a proporção igual à de 2015. A reunião contou com Renan Filho e a bancada dos deputados federais de Alagoas. “Ela fechou o acordo e até gravou entrevistas falando que iria conversar com o governador do Estado para manter o Programa do Leite”. Ainda no encontro foi levantada a questão de que a cooperativa estava com a prestação de contas atrasada, fato que foi explicado pelo diretor. “Estávamos dentro do prazo para a apresentação financeira e prestamos informações ao governo a cada três meses”. 

Porém, em Alagoas, Renan Filho recebeu a informação que o Estado deveria entrar com mais recursos. “A notícia fez com que a CPLA ficasse apreensiva se realmente poderia contar com o dinheiro do Governo Federal. Foi quando recebi um telefonema do governador que garantiu o programa para 2016, o que nos aliviou“, disse Monteiro. 

Produção

A CPLA, segundo relato de Aldemar Monteiro, tem recebido diariamente reclamações de produtores relatando prejuízos. Os agricultores alegam que estão produzindo em condições precárias com o atraso do pagamento pelo litro do leite, repassado a R$ 1,14. 

Com leite vendido mais barato que água mineral, produtores associados  voltaram a cair nas mãos de atravessadores. Com os vencimentos do Programa do Leite congelados desde fevereiro, junto ao impasse na aprovação orçamentária de 2016, os produtores começaram a cobrar medidas urgentes para livrá-los do abandono da atividade. “Temos um canal aberto com nossos produtores e estamos batalhando junto aos órgãos responsáveis para manter o programa vivo. Analisando friamente, há uma série de fatores que se agravam com o fim desse programa num estado sem economia industrial. Não é isso que queremos em hipótese alguma”, alegou.

Na última segunda-feira, 26, a diretoria da CPLA reuniu líderes de associações de produtores, associações comunitárias e laticinistas para fortalecer o movimento pela continuidade orgânica do Programa. O encontro foi pautado pela necessidade de união de forças para fortalecer o ciclo produtivo do programa nos próximos dois anos. “O governo tem apoiado totalmente e se demonstrado sensível à causa, mas é preciso garantir a continuidade do programa e, sobretudo, o envio de recurso  via governo federal, que é uma das nossas grandes dificuldades no aporte desse recurso”, reconheceu Monteiro.

O produtor Cícero Leite, se manifestou em apoio a CPLA em defesa plena do Programa em Alagoas. “É preciso entender a força desse programa na produção de leite em Alagoas. Muitas famílias no campo depositam suas esperanças para se manter no campo na assiduidade e certeza do pagamento do programa. Estamos com a CPLA nessa luta pelo programa”, disse.

Representando o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Alagoas (Sileal), Arthur Vasconcelos, falou em nome do segmento industrial que é responsável pelo processamento do leite vindo in natura do campo. “O programa possui papel fundamental na cadeia, moldando o preço e atendendo ao beneficiário. O modelo de gestão do cooperativismo tem distribuído bem a dinâmica do  e atendido aos anseios do produtores, isso é bom por recebermos leite da agricultura familiar com padrão de qualidade. A mobilização é válida para mensurar a universalidade do Programa”, alertou. 

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