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Edição nº 868 / 2016

08/05/2016 - 19:45:39

Pedro Oliveira

Guilherme Palmeira, um cidadão

Pedro Oliveira

Nesta última terça-feira o ministro aposentado do TCU, Guilherme Gracindo Soares Palmeira, recebeu em solenidade bastante concorrida a “Comenda Divaldo Suruagy” outorgada pela Câmara de Vereadores de Maceió. Foi o primeiro agraciado com a honraria que foi criada com a finalidade de homenagear políticos com reconhecida trajetória na história de Alagoas. O patrono da comenda foi o político mais próximo do agraciado. Juntos disputaram memoráveis eleições e se mantiveram sempre unidos por décadasaté o falecimento de Suruagy. 

Guilherme Palmeira tem uma carreira política das mais ativas e brilhantes. Foi deputado estadual por duas legislaturas, secretário da Indístria e  Comércio, governador do Estado, senador, prefeito de Maceió e por último ministro do Tribunal de Contas da União. 

Influência nacional

No exercício de dois mandatos de senador, Guilherme Palmeira obteve em Brasília o destaque dos grandes políticos nacionais. Foi vice-presidente do Congresso Nacional, presidente do Partido da Frente Liberal (PFL), além de ter ocupado cargos nas mais importantes comissões do Senado. Nome respeitado no governo e na oposição, liderou importantes movimentos da República, inclusive aquele que tornaria Tancredo Neves presidente. Sua liderança foi fundamental para a eleição de Fernando Henrique Cardoso (chegou a constar como vice-presidente na chapa de FHC, renunciando para dar lugar a Marco Maciel), teve sempre em alta o seu prestígio e reconhecimento. Ressalte-se sua influência no governo de José Sarney, do qual foi também um dos maiores articuladores e respeitado interlocutor entre o Executivo e o Legislativo.

Em1999 foi nomeado ministro do Tribunal de Contas da União, onde ocupou os cargos de presidente e vice-presidente, com atuação relevante, sendo aposentado em 2008.

Um conselheiro para 

os políticos

Guilherme Palmeira sempre desempenhou um papel de político respeitado por seus companheiros de partido como líder nacional, mas também por adversários políticos que frequentemente buscavam seus conselhos e suas orientações. Mesmo quando passou a exercer o cargo de ministro do TCU os impedimentos da função o tiraram totalmente da política. Seu gabinete e sua residência eram sempre os destinos indicados para influir e solucionar muitas crises nacionais. Não conseguiu se afastar da política que está encravada em seu sangue e ainda hoje, no desfrutar de sua aposentadoria merecida, seus conselhos são buscados nos momentos de crises ou mesmo por políticos locais e também em Brasília, onde mantem residência.

O maior governador 

da história 

Tive a honra de trabalhar com Guilherme Palmeira na Assembleia Legislativa chefiando o seu gabinete quando foi presidente e com ele fui para o Palácio dos Martírios ao tomar posse como governador. Era a pessoa mais próxima dele e o acompanhei a cada momento e cada gesto do seu honrado e profícuo governo.

Não tenho nenhum receio em afirmar que foi Guilherme Palmeira o político com maior dignidade que conheci até hoje.Trabalhei com poucos, mas desses poucos o único que tenho orgulho em ter servido é exatamente ele. Criamos uma fraterna e leal amizade pessoal o que nos fez tornarmos muito próximos. Hoje nos vemos pouco em função dos atropelos da vida, mas isto me faz muita falta. Reconheço que sou um desleixado ingrato quando sou abordado por um telefonema malcriado cobrando minha presença. Do outro lado a voz inconfundível do meu líder eterno Guilherme Palmeira. Não esquece uma data importante ou um acontecimento em minha vida. Está sempre presente.

Guilherme é um homem predestinado a brilhar na política e na vida pessoal. Sempre foi maior que todos os cargos que ocupou. Coisa rara nos políticos de hoje. Nunca confundiu o público com o privado. Coisa quase impossível também na atualidade da política brasileira.

Ao assumir o governo montou uma equipe de craques e realizou o maior governo da história de Alagoas. Marca nunca alcançada por qualquer sucessor. Admirado por seus correligionários e respeitados por seus opositores, entre estes Renan Calheiros, José Moura Rocha, Mendonça Neto, José Costa, Freitas Neto para citar alguns dos mais ativos adversários.

Tratava o aliado com respeito, mas nunca hesitou em dizer um não, quando o assunto envolvesse o interesse público. Nunca perseguiu nem permitiu que ninguém fosse perseguido em seu governo.

Não se locupletou do poder nem permitiu que os seus se locupletassem. Para a maioria dos políticos que tivesse ocupado os cargos que ocupou não havia como não sair rico. Guilherme após toda essa trajetória de vitórias na atividade pública se retirou de cena com o mesmo patrimônio que entrou. O único patrimônio seu que cresceu ao longo dos anos foram a dignidade, a honestidade e o profundo respeito à coisa pública.

Como legado ainda nos deixa o filho Rui Palmeira, hoje prefeito de Maceió, cuja marca forjada pelo DNA são a honestidade, a coragem de dizer mesmo que isto doa a alguém e a preocupação primeira com o interesse público. 

Com certeza o patrono da honraria, Divaldo Suruagy, festeja em saber que o primeiro agraciado da comenda que leva seu nome é Guilherme Palmeira. 

A Máfia do Guincho: 

novo escândalo?

O deputado João Beltrão surpreendeu o governador Renan Filho ao discursar esta semana em uma solenidade no interior a denunciar a “existência de uma máfia do guincho” na região Sul do estado cujo objetivo é angariar dinheiro ilegalmente e com a complacência dos que deveriam coibir tal crime. Após o discurso, Beltrão foi além e revelou que a prática está espalhada por todo o estado. O governador não gostou nada de ouvir tal revelação e a seu estilo prometeu apurar com rigor e punir os culpados. Espera-se para a qualquer momento uma resposta do Palácio do Governo. 

A coisa vai piorar

O sistema político brasileiro vai emergir do processo de impeachment ainda mais fragmentado, porque os dois partidos que eram sua coluna vertebral, PT-PSDB, estão em declínio e saem enfraquecidos. Esse é o alerta de Marcus Melo, que é professor titular de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco e foi professor visitante em Yale e no MIT. Melo se diz pessimista em relação a um possível governo de Michel Temer. “No curto prazo, o governo Temer terá uma lua de mel em uma ilha sujeita a tsunamis”, diz. “O que pode surgir da Lava Jato é imprevisível, em relação ao próprio Temer e a caciques do seu governo, como Romero Jucá”. Além disso, Melo acredita que há grande possibilidade de o TSE cassar a chapa Dilma-Temer. “Mas, mesmo assim, o PMDB sairia ganhando”, diz. “A cassação só deve ocorrer após 1º de janeiro de 2017, o que implicaria eleições indiretas; o mesmo grupo de Temer vai dominar o processo, porque domina o Congresso”.

A bola é sua Renan

Com o processo de impeachment aprovado na Câmara, todos os olhos se voltam para Renan Calheiros, o presidente do Senado que, a partir da tarde de segunda, tem o comando do procedimento a partir de agora. Agora não há prazos tão fixos como os da Câmara, de modo que o peemedebista Renan, que já sofre pressão da oposição para encurtar ao máximo os trâmites, é o dono do relógio.

“Pessoas pedem para agilizar, mas não poderemos agilizar de tal forma que pareça atropelo ou delongar de tal forma que pareça procrastinação”, disse o peemedebista alagoano. Ele prometeu “total neutralidade”, respeitar o contraditório e a Constituição. Foi mais um episódio exemplar do seu estilo, essência da força do PMDB, que tenta conciliar interesses distintos para surfar qualquer que seja a conjuntura. De acordo com observadores, o presidente do Senado, apesar da pressão, vai tentar se manter fiel a esse figurino até o final, para evitar queimar pontes mesmo dentro do PT. 

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