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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 868 / 2016

08/05/2016 - 19:42:29

Legislativo alagoano: o paraíso da corupção

Alari Romariz Torres

Quando começamos a ter filhos crescem nossas responsabilidades. Tentamos criá-los no caminho do bem. Aprendem que o erro implica em castigo e se desenvolvem tornando-se homens e mulheres decentes.

Não é o que acontece em nosso estado. Acompanhamos há vários anos o comportamento de nossos políticos e não vimos ninguém ser preso ou afastado do cargo definitivamente.

O caso mais gritante é o da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa quando comandada pelo Sr. Fernando Toledo. O moço e seus colegas foram acusados do desvio de trezentos milhões de reais e pagavam quantias significativas a “laranjas” residentes fora de Alagoas. Qual foi sua punição? O deputado estadual, ex-presidente do Legislativo, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e hoje fiscaliza as contas públicas. Uma verdadeira ironia!!!

O 2º secretário da tal Mesa, deputado Marcelo Vitor, verdadeiro carrasco dos servidores da ALE, sempre usando comissionados da Casa como cabos eleitorais, está solto, foi reeleito e continua lutando para retornar à Mesa Diretora. Também não foi punido e quer condenar os que o acusaram.

Os dirigentes atuais são piores e cometem irregularidades absurdas. Desde que foram eleitos pelos pares para responderem pelo Legislativo imaginam coisas absurdas. Ao serem nomeados, começaram a colocar nos quadros da ALE mais de 700 assessores e todos, pasmem queridos leitores, com 100% de gratificação, isto é, salários dobrados. Uma folha que seria de dois milhões, passa, logo, logo, para quatro milhões e tanto.

 Acharam pouco e criaram mais 120 cargos em comissão. Para ativos e inativos o tratamento é de choque: cortam salários, seguram processos, negam reajuste de 15% aprovados por eles próprios, mentem à Justiça, não repassam à Previdência a verba correta dos pobres “velhinhos”.

Assisti, horrorizada e indignada, ao desempenho de dois deputados numa audiência pública no Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas no dia 7 de abril passado. Mentiras, mentiras e só mentiras. Quando fui autorizada a falar, contei que eles pagavam salários dobrados a 700 comissionados. Os deputados pularam de suas cadeiras e gritavam; “Não tem nada a ver”. Expliquei: se a verba é de pessoal, como dá para pagar 100% a 700 pessoas e não serve para honrar os 15%? Espero que o desembargador, relator do caso, tenha entendido.

Insatisfeitos, os deputados da Mesa Diretora passaram vários anos descontando o Imposto de renda de servidores e parlamentares da ALE sem o devido repasse ao Estado, como manda a lei. A dívida chegou a 100 milhões de reais. Agora, querem suspender o pagamento e pedem autorização à Justiça para oficializar o calote.

Fico imaginando qual o santo protetor desses homens: as denúncias são vergonhosas e eles andam livres, leves e soltos pelas ruas de nossas cidades.

O pátio da Assembleia é um festival de carros caríssimos; eles moram em casas maravilhosas, têm à sua disposição 30 assessores pagos com verba pública para fazerem o que eles mandarem e nada acontece. Contraste imoral coma maioria da população alagoana.

Ninguém consegue imaginar quanto ganha um deputado estadual em Alagoas. De onde vem tanto dinheiro? Se aparece um parlamentar que reaja a tal situação, eles punem rapidamente o colega, tomando o partido que dirige, alijando o coitado. Servidor que denunciar, como eu venho fazendo há vários anos, tem salário cortado e processos engavetados.

Enquanto a presidente da República está em vias de cassação, os deputados alagoanos da Mesa Diretora da Assembleia agem livremente ao arrepio da lei.

Até quando, autoridades das Alagoas?

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