Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 868 / 2016

08/05/2016 - 19:30:39

Jorge Oliveira

Um líder de papel

Jorge Oliveira

Brasília - O vídeo gravado por Lula antes da votação do impeachment mostrava claramente o desespero de um homem derrotado, de um líder bufão, que ocupou por mais de uma semana um apartamento de luxo de um hotel em Brasília para tentar convencer ($) deputados de que a Dilma não poderia desocupar o Palácio do Planalto e que o impeachment seria golpe. E pasmem! Não conseguiu sequer convencer o Tiririca. 

A voz gasguita é de quem cansou de falar em vão, porque o resultado foi desfavorável ao seu partido e a Dilma, que nunca governou o país, simplesmente vai deixar o palácio pela porta dos fundos para o bem da nação. 

Lula, depois do resultado, vai desocupar o apartamento de luxo, mas a gerência do hotel precisa ficar de olho com a conta, pois os antecedentes dele e de seus parceiros que ocuparam os imóveis não são nada recomendáveis. Se a hospedagem foi paga com dinheiro do governo, o Ministério Público deverá investigar porque o contribuinte não pode pagar a conta de um bando de petista que ocupou um hotel cinco estrelas para fazer lobby contra o impeachment.

Lula chegou a Brasília há dias como um super-homem da política. Falou aos ventos das suas qualidades e da sua habilidade de convencimento. Recebeu parlamentares diariamente, confabulou, e ofereceu ministérios e cargos públicos em todos os órgãos do governo, mas se frustrou. Falava em nome de um partido natimorto, desqualificado e corrupto. Perdeu a credibilidade e a confiança para continuar argumentando a favor da Dilma. Cansou e entregou as armas quando a presidente, numa entrevista estabanada, jogou a toalha dizendo-se “carta fora do Trabalho” às vésperas da votação.

 No vídeo que divulgou à população, Lula tinha dificuldade de falar, mostrava uma expressão de desespero porque sabia, como ninguém, que o afastamento temporário da Dilma poderia deixá-lo desprotegido e nas garras do juiz Sérgio Moro que, desde o início da semana, colhia com precisão cirúrgica o depoimento da delação premiada de Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, que tenta reduzir a sua pena entregando as maracutaias petistas. 

Agora, com o afastamento da Dilma, Lula começa o seu inferno astral. Deverá perder todos os “privilégios” que o STF lhe outorgou sem nenhuma base jurídica legal, quando avocou o seu processo à Corte Suprema.

O filho é teu

Caso Michel temer chegue ao governo, como tudo indica, ele não pode se assessorar de amigos inconvenientes que serviram ao PT e foram descartados. Muitos desses senhores até pouco tempo viviam se empurrando na fila pra ver quem chegava primeiro ao gargarejo. No primeiro sinal de perspectiva de poder, alguns dos seus homens leais pularam do barco petista para conspirar contra o governo que acabaram de servir. Não se pode apostar um tostão furado nesses senhores de mão dupla. Mas Temer vai se deparar até lá com um problema ainda maior: o que fazer com o Cunha, do seu partido, atolado em crime de suborno? O presidente da Câmara é para ele o que foi Dirceu, Vaccari e Delúbio para o PT, auxiliares e artífices da quadrilha chefiada por Lula.

Renúncia

Cogita-se, não se sabe se por ideia de Temer, em pedir ao Cunha para renunciar ao cargo de presidente da Câmara. Receberia, em compensação, um castigo menor, tipo uma suspensão ou até mesmo uma advertência pelos malfeitos de que é acusado. Sem perder o mandato, responderia aos processos no fórum privilegiado, aquele do STF que todo mundo quer pensando na impunidade. Se ainda não combinaram com os russos, fica difícil emplacar essa alternativa para salvar o Cunha, cada vez mais chafurdando na lama da Lava Jato. 

Triagem

Se nada acontecer até lá e Temer chegar ao poder, é preciso fazer uma triagem  para purificar esse modelo político de gestão. Reduzir, por exemplo, a quantidade de ministérios e derrubar quase todos os cargos comissionados; fazer um governo transparente, reduzir o custeio, tornar público os gastos que ficam sob o tapete; e recuperar a economia e a credibilidade do país, imprimindo uma marca honesta e austera de gastos. Mas é nesses dois itens finais que o bicho pega. Como fazer um governo austero com Cunha ainda sobrevivendo no parlamento? O governo da Dilma começou a se desmanchar quando ela tentou fazer uma faxina e o PT não deixou. Todos os ministros corruptos que ela demitiu, o Lula readmitiu. A partir daí, ela percebeu que ganhou nas urnas, mas não ia governar.

Quadrilha

Depois que se acomodou numa convivência diária com a quadrilha petista, Dilma entregou o governo ao Lula e desde o início do primeiro mandato passou a despachar com o chefe com medo de errar. A gerentona virou uma serviçal do antecessor. Temer corre o risco de também ser engabelado por muitos de seus amigos que estão na lista negra do juiz Sérgio Moro. E se quiser governar com seriedade, teria que mandar meia dúzia desses peemedebistas para casa para não ser contaminado já nos primeiros dias de governo.

Rapadura

Eduardo Cunha já mostrou que não entrega a rapadura facilmente. Vai cobrar caro de Temer o fato de ter comandado o processo de impeachment que deixa Dilma a um degrau da queda. Quer uma contrapartida por colocá-lo na marca do pênalti. Tem serviço prestado na Câmara dos Deputados e enquanto a maré for favorável, ele vai administrando o seu processo de cassação até o PMDB chegar ao poder quando ele então apresenta a fatura.

E o povo?

Mas se Cunha está pensando numa escora segura para não cair, certamente ainda não fez uma leitura cuidadosa dos movimentos de rua e não atentou para a mudança de postura de um segmento da Justiça brasileira que está botando na cadeia políticos, empresários e lobistas. O povo, na rua, exige mudanças rápidas e não vai ser mais tolerante com a corrupção. E o poder, só o poder, como vimos agora, não basta para garantir que Cunha saia impune de todos esses processos.  Além disso, Temer, se quiser governar, não vai querer embalar esse filho bastardo. Portanto, presidente Cunha, trate de reforçar a sua banca de advogados. O bicho vai pegar. 

A família 

A preocupação do Lula procede porque ele sabe que envolveu sua família no escândalo, deixando-a vulnerável às investigações da Lava Jato. Além disso, abandonou centenas de amigos quando não os defendeu publicamente, a exemplo de Zé Dirceu, Vaccari e tantos outros que amargam cadeia.

 Impedimento

Com o impedimento da Dilma , Lula perde o prestígio que tinha no governo da amiga. A caneta seca e, com ela, evapora-se o poder do homem que mandou e, principalmente, desmandou no país. Assistirá também a redução dos movimentos sociais nas ruas, porque os líderes vão entender que seus direitos sociais não serão mexidos com o novo governo porque são constitucionais, baseados em leis. Quanto às centrais sindicais, estas aos poucos vão se integrar ao novo governo, com exceção da CUT, sob o risco de desaparecem sem o dinheiro do FAT que as alimentam e as alienam.

 Luxo

Resta ao Lula e a Dilma uma aposentadoria confortável como ex-presidentes e anistiados, o que não acontece com os brasileiros comuns que veem desaparecer o seu  minguado dinheiro corroído pela inflação e pela estagnação da economia, herança maldita que os dois deixam ao povo brasileiro.


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia