Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 868 / 2016

08/05/2016 - 19:28:19

A participação alagoana na Revolução de 30

Governador foge e tropas do general Juarez Távora são recebidas em clima de festa na capital

Edberto Ticianeli Jornalista

Com a posse de Getúlio Vargas em 1º de novembro de 1930, a chamada República Velha deixa de existir e as oligarquias estaduais perdem o poder político. O movimento armado entrou para a história como a Revolução de 30.

Em Alagoas, o então governador Álvaro Paes tinha esperança de que receberia ajuda para enfrentar os revoltosos e tenta articular a resistência. Carlos Gusmão, no livro Bôca da Grota, revela o clima no dia 8 de outubro quando chegou cedo ao Palácio Floriano Peixoto. “Ambiente bom. Confiança. Se os revoltosos viessem a Alagoas haveria resistência. Esperava-se auxílio prometido pelo governo federal: navios de guerra, tropa e o General Santa Cruz”.

De Porto de Pedras chegam notícias de que as tropas revolucionárias vindas de Pernambuco estavam em Barreiros. Lá mesmo, em Porto de Pedras, o juiz Pedro Valeriano já mobilizava o povo em apoio a Getúlio Vargas.

O clima fica tenso no Palácio e o governador convoca uma reunião que teve a participação do major do Exército Pedro Pierre, major do Exército Reginaldo Teixeira, também comandante da Força Policial, José Peixoto e outros.

As autoridades militares argumentavam que não tinham munição suficiente para uma resistência e o major Reginaldo disse que não mobilizaria o 20º BC para tal, porque não tinha ordens do Presidente da República para isso.

A Revolução 

em Maceió

A primeira atividade revolucionária de 1930 em Alagoas foi uma panfletagem aérea em Maceió. Às 14h do dia 10 de outubro, panfletos foram lançados de um avião conclamando os alagoanos e os militares a aderirem ao movimento. O manifesto intitulado “Aos briosos camaradas do 20º BC e ao heroico povo na obre terra de Floriano Peixoto e Deodoro da Fonseca”, terminava assim:

“Confiantes de que nosso brado às armas ecoará nos vossos corações como o hino de uma alvorada em nome do Brasil, em nome das gerações de amanhã, em nome da mocidade que verte corajosamente seu sangue pela causa do bem comum, erguei-vos povo de Alagoas, companheiros do 20º BC e da Polícia Alagoana, vindo fundir com o mesmo bronze das estátuas de Floriano e Deodoro o monumento em que se há de esculpir a imagem simbólica de um Brasil novo e redimido. General Juarez Távora, Chefe da Revolução no Norte do Brasil”.

Neste mesmo dia 10 de outubro, Carlos Gusmão testemunha, ao passar pela Rua do Macena às 21h30, que viu dois carros e um caminhão sendo carregados com malas nos fundos do Palácio. Era o governador em fuga. Outras autoridades escaparam em uma barcaça rumo ao Sul. No final da noite do dia 10, Maceió estava com as ruas desertas e a população em pânico.

Quem assume o poder em Alagoas, à meia-noite do dia 10 de outubro de 1930, é o major Pedro Reginaldo Teixeira. Era o oficial mais graduado do Exército presente no Estado. Isso se deu porque o comandante do 20º BC, tenente-coronel A. Castro Nascimento, tinha se deslocado para o Sul do país em missão militar da Revolução, só regressando no dia 20 de novembro de 1930.

No dia 11, confirmada a vitória da Revolução em Alagoas, o clima nas ruas era de festa, com lenços vermelhos, como registrou Carlos Gusmão. “No dia 13, cerca de 11 horas, vi passar na Rua do Comércio 66 caminhões e automóveis conduzindo uma coluna de revoltosos vinda de Recife por Palmares e Leopoldina, etc. O delírio dos que chegavam e da multidão que os recebia era uma coisa empolgante”.

No dia 14 de novembro de 1930, o Decreto nº 19.398, do Governo Provisório da República, nomeia o deputado federal Freitas Melro como interventor em Alagoas. Para a sua indicação, Juarez Távora esteve em Alagoas articulando as forças militares para aceitá-lo, ficando a encargo do próprio general o anúncio do interventor da sacada do Palácio Floriano Peixoto.

Sobre este primeiro núcleo do poder revolucionário em Alagoas, a avaliação de Carlos Gusmão, homem do governo deposto, dá pistas importantes para entender o que de fato estava acontecendo. “Tive boa impressão diante dessas primeiras escolhas. Não recaíram sobre revolucionários, que, aliás, não sabia existissem nas Alagoas. Os dois secretários, se não foram homens da situação decaída, e não eram mesmo, estranhos eram também aos quadros da oposição”.

Freitas Melro fica no cargo até 9 de agosto de 1931. Perde o poder após se desgastar na indicação do chefe da Guarda Civil. Na verdade, a Revolução de 30 em Alagoas começa a viver o assédio das forças políticas derrotadas, que matreiramente vão voltando a ocupar espaços no poder e provocando conflitos. Em 15 anos da Era Vargas, Alagoas teve 12 governantes. 

Fontes: Bôca da Grota, de Carlos Gusmão, Gráfica Gazeta de Alagoas, 1970; Fatos para uma história da Polícia Militar de Alagoas, de José Amâncio Filho, de dezembro de 1976; Formação Histórica de Alagoas, de Cícero Péricles de Carvalho; Pesquisa de Olavo de Freitas Machado para o fascículo Memórias Legislativas nº 24, editado pela Assembleia Legislativa de Alagoas em maio de 1998; Chrônicas Alagoanas, notas sobre poder, operários e comunistas em Alagoas, de Luiz Sávio de Almeida. Edufal, 2006.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia