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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 868 / 2016

20/04/2016 - 19:46:55

‘Se Temer quiser ser político comum, Brasil está ferrado’

Crise econômica não vai ser superada logo, dizem lideranças do psdb

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Presidente estadual do PSDB, Téo Vilela afirma que Temer precisa assumir posição de estadista para mudar a situação do País

Lideranças alagoanas não acreditam que o vice-presidente Michel Temer será a “salvação” do Brasil, dizem que a crise econômica (mesmo solucionada a política) vai demorar a acabar, mas apostam em uma mudança no cenário do governo federal, que deve sair da inatividade para uma posição de atração de novos investimentos internacionais, recuperando os cofres federais e dando fôlego aos estados, penalizados pelo ajuste fiscal.

“O velho Teotônio [Vilela, senador] dizia que se você está no deserto, com sede, não pode estar desejando uma jarra de porcelana francesa. Qualquer quartinha de barro serve para beber água. Hoje o Temer é a salvação do Brasil, é o recurso que nós temos, institucional, político”, disse o ex-governador e presidente estadual do PSDB, Teotonio Vilela Filho, que era aliado de Dilma Rousseff mas nos últimos dois anos, com o agravamento da crise econômica e política, saltou de vez para o barco dos tucanos.

“Ele [Temer] é bem mais calmo que a Dilma, aguenta o tranco das interlocuções, vai querer fazer bonito para a História. Se ele quiser ser um político comum, ele está ferrado e o Brasil também”, disse, continuando:

“Tem que entrar nos poros dele que não pode ser um político comum. Ele terá de assumir papel de estadista, pensar no Estado e na História. Se pensar em fazer política rasteira, ele vai ter percalços difíceis. A situação do Brasil hoje é muito delicada. Frágil. É preciso sinalização que inspire confiança nas pessoas”, contou o ex-governador, que se reuniu na semana passada, por duas horas, com o senador Aécio Neves (PSDB/MG).

As declarações foram dadas antes de o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Guilherme Palmeira, receber a comenda Divaldo Suruagy, da Câmara de Vereadores. Ver entrevista nesta edição

TSE

Mas, existe uma possibilidade ainda mais grave para o governo federal: a cassação, via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da chapa Dilma/Temer.

Se isso acontecer este ano, haverá novas eleições. 

Dois nomes podem ser beneficiados: o ex-presidente Lula e a ex-senadora Marina Silva (Rede). Pesquisas do Datafolha mostra que ambos estão empatados tecnicamente.

“Se for esse ano [decisão do TSE cassando a chapa Dilma/Temer] teremos eleição direta, onde Lula e Marina serão candidatos muito fortes, o candidato do PSDB também será muito competitivo. Agora, o provável, segundo os meus interlocutores, é que em prosperando o processo do TSE e indo até às últimas consequências, cassando toda a chapa Dilma e Temer, isso vai acontecer para fevereiro ou março do próximo ano. A essa altura, pela Constituição, a eleição é indireta, é aquele colégio eleitoral que vimos domingo. É aquele cenário ali que vai eleger o presidente. Será um desfecho que nem sabemos qual é. Vimos como funciona a cabeça dos deputados que votaram domingo. Eles serão os eleitores (risos). É muito delicado esse momento para o Brasil. É sopapo demais se isso ocorrer no Brasil em nossa democracia. Vamos torcer, com calma. O momento é apoiar Temer e fortalecer. E pedir a Deus que dê certo”, detalha Vilela.

“O ideal é que houvesse eleições gerais no Brasil, mas é algo que eu não diria que é factível. Tem de mudar a Constituição, remarcar uma eleição, não é algo simples”, disse o prefeito Rui Palmeira (PSDB).

Seja como for, as finanças de Maceió - por exemplo- sentem os efeitos do terremoto político e econômico.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Benedito Bentes está abandonada e só deve ser aberta, pelo município, quando houver dinheiro.

A expectativa mais otimista é no segundo semestre.

O PAM Salgadinho também atrasou a reforma (prevista para terminar em março). Agora, vai para o final de abril.

“O que se espera é que a Dilma saindo, o mercado financeiro dê uma resposta e os investimentos retornem. Temos hoje em Maceió uma folha salarial de R$ 80 milhões. E as projeções nos mostram que quando existe o repasse federal, vem faltando dinheiro”, disse o vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP).

“Até hoje, na UPA do Trapiche da Barra, a União não colocou nenhum único centavo de custeio, que é obrigação da União, através de portaria do Ministério da Saúde custear 50%. Não conseguimos estes recursos. E dificilmente vamos conseguir”, disse o prefeito Rui.

“Essa crise não vai acabar agora. Vai levar tempo. Com o Temer pelo menos temos a possibilidade de começar a enxergar uma luz no fim do túnel que infelizmente com a Dilma não era mais possível, haja vista 2015 ter sido um ano perdido e os primeiros meses deste ano também”, analisou Rui.

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