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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 867 / 2016

08/05/2016 - 19:17:16

Repórter Econômico

JAIR PIMENTEL

Vivendo e aprendendo

Desde que me instalei na zona rural de Viçosa venho acompanhando o dia a dia dos trabalhadores rurais e suas famílias, que recebem dinheiro pelo que produzem na roça e através dos programas sociais do governo (Bolsa Família), respectivamente. É um mundo completamente diferente da capital onde vivo desde a segunda infância e continuo vivendo, mas há quatro anos somente três dias por semana. Sinto a diferença entre a época em que vinha em férias, na infância e adolescência, para a atual. São raros os trabalhadores rurais que precisam do dinheiro do patrão. Eles agora arrendam parte das terras para trabalhar com o cabo da enxada, arando, plantando, cuidando, colhendo e vendendo o que produzem. É a agricultura familiar, que garante o crédito rural com carência, para que todos possam sobreviver do que realmente produzem e vendem. 

Criticar os programas sociais e o crédito rural é uma insensatez, pura xenofobia que sempre existiu em nosso País e a frase que repito: “A casa grande surtou porque a senzala aprendeu a ler”. Não é mais a senzala dos escravos que sumiram desde 1888, com a Lei Áurea, acabando com a escravidão, mas é a intolerância da classe média e superior aos pobres. Que não aceitam essa ajuda que o governo garante às mães para que os filhos frequentem a escola, de graça, com material escolar e merenda, transporte, tudo de graça. O Brasil saiu do mapa da pobreza absoluta que conviveu durante cinco séculos. Não tem como negar isso. Falo econômica e sociologicamente, apoliticamente. O Brasil continua sendo a sétima economia do mundo, continua exportando mais do que importando e a inflação vem sendo controlada. A crise que existe é meramente política. 

Se todos fossem assim...

Faço minha parte! Aposentado (vagabundo como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso me tratava), resolvi colocar à disposição de uma comunidade carente do saber minha biblioteca privada. São mais de 3.500 livros dos mais variados temas, e venho conseguindo conscientizar crianças e adolescentes a gostar de ler, pesquisar e ainda assistir as minhas aulas sobre ciências sociais. Passo três dias aqui nos cafundós da Viçosa, mudando a mentalidade de pais, filhos e netos que nunca estiveram numa biblioteca (não existe na cidade), num museu e ainda aprendendo a pensar no futuro através dos livros e meus ensinamentos. Tudo isso gratuitamente, prazerosamente, sem qualquer participação de políticos, que obviamente não entendem essa minha missão e gostariam que todos continuassem analfabetos para comprar o voto deles. 

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